Trigo avança no Rio Grande do Sul com melhora do clima, mas doenças fúngicas ainda preocupam
Maior presença de sol favorece adubação e manejo das lavouras; Estado projeta 814,2 mil hectares de trigo, enquanto plantio de milho acelera e pode alcançar 6,91 milhões de toneladas
Publicado em: 04/09/2026 às 10:50hs
As lavouras de trigo evoluem de forma satisfatória no Rio Grande do Sul, favorecidas pela redução das chuvas e pelo aumento da radiação solar. A melhora das condições meteorológicas permitiu aos produtores retomar a adubação nitrogenada e os tratamentos fitossanitários, especialmente em áreas onde o excesso de umidade vinha dificultando a entrada de máquinas.
Apesar do cenário mais favorável, a elevada umidade acumulada nas semanas anteriores aumentou a pressão de doenças fúngicas. Manchas foliares, ferrugens, oídio e giberela estão entre os principais problemas observados nas lavouras gaúchas.
Os dados constam no Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na quinta-feira (3).
Safra de trigo deve ocupar 814,2 mil hectares no Estado
A cultura apresenta diferentes estágios de desenvolvimento no Rio Grande do Sul. As áreas em final de desenvolvimento vegetativo, elongação do colmo e emborrachamento representam, juntas, 50% das lavouras.
Outros 33% dos cultivos estão em floração, 16% avançaram para a formação e o enchimento de grãos e 1% chegou à maturação.
Para a safra de trigo de 2026, a Emater/RS-Ascar projeta uma área de 814.220 hectares e produtividade média de 2.701 quilos por hectare.
A diminuição das precipitações ajudou a reduzir a umidade superficial dos solos e ampliou a janela para os trabalhos de campo. No entanto, o histórico recente de nebulosidade, chuvas frequentes e alta umidade relativa do ar manteve o ambiente favorável à disseminação de doenças.
Trigo apresenta boa evolução na região de Santa Rosa
Na região administrativa de Santa Rosa, 27% das lavouras permanecem em desenvolvimento vegetativo, enquanto 45% estão em floração, 25% em enchimento de grãos e 3% já alcançaram a maturação.
O tempo seco, a maior luminosidade e o aumento da radiação solar proporcionaram evolução satisfatória durante a última semana. Mesmo assim, os produtores continuam atentos à ocorrência de oídio, ferrugens e manchas foliares.
As geadas registradas no início do período foram, em geral, de baixa intensidade e não devem provocar perdas relevantes na produção regional.
Canola avança no ciclo, mas excesso de umidade limita produtividade
As lavouras de canola estão predominantemente em fase reprodutiva, entre a floração, a formação de síliquas e o enchimento de grãos. O desenvolvimento é mais adiantado no Noroeste gaúcho, onde algumas áreas já foram colhidas.
A elevação das temperaturas e o aumento da luminosidade favorecem a progressão do ciclo e o enchimento das síliquas. Em contrapartida, períodos prolongados de nebulosidade, alta umidade e precipitações frequentes prejudicaram o desenvolvimento de parte das lavouras e podem reduzir o potencial produtivo.
Também houve registros de granizo com danos localizados em alguns cultivos. A área de canola no Rio Grande do Sul está estimada em 353.397 hectares, com produtividade média projetada em 1.619 quilos por hectare.
Carinata mantém desenvolvimento dentro do esperado
As lavouras de carinata estão na fase reprodutiva, com predominância da formação de síliquas e do enchimento de grãos. A melhoria da luminosidade impulsionou o ciclo, que permanece dentro do padrão esperado.
O quadro fitossanitário é considerado estável, apesar da ocorrência pontual de pragas e doenças. Em Tupanciretã, na região de Santa Maria, todas as lavouras acompanhadas estão em enchimento de grãos.
A condição sanitária é satisfatória, mas foram identificados focos localizados de esclerotinia, também conhecida como mofo-branco, além de bacterioses associadas às lesões provocadas pelo granizo.
Na região de Santa Rosa, 5% das áreas estão em florescimento e 95% avançaram para a formação de síliquas e o enchimento de grãos. A maior insolação beneficiou a cultura, sem registros expressivos de problemas climáticos ou fitossanitários.
Colheita da aveia-branca começa nas áreas mais adiantadas
A aveia-branca apresenta diferentes estágios fenológicos no Rio Grande do Sul e avança para o enchimento de grãos. A colheita já começou nas lavouras mais precoces.
De maneira geral, os cultivos apresentam condições satisfatórias, embora existam diferenças regionais relacionadas ao potencial produtivo e à sanidade das plantas.
Na região de Passo Fundo, 60% das áreas estão em florescimento e 40% em enchimento de grãos. As lavouras apresentam boa sanidade, mas episódios de granizo registrados em alguns municípios ainda terão os prejuízos avaliados com maior precisão.
Cevada entra na fase reprodutiva sob risco de doenças
As lavouras de cevada avançam da fase vegetativa para a elongação do colmo, o espigamento, o florescimento e o enchimento de grãos.
A melhora do tempo permitiu a retomada dos tratamentos fitossanitários. Contudo, o volume de chuva acumulado e a alta umidade mantêm elevado o risco de doenças fúngicas, principalmente entre o espigamento e a fase reprodutiva.
O estado geral das lavouras é satisfatório, embora doenças foliares estejam presentes em parte das áreas. O cultivo de cevada deve ocupar 20.320 hectares no Rio Grande do Sul, com produtividade média estimada em 3.020 quilos por hectare.
Plantio de milho acelera e área deve crescer 7,42%
A implantação da safra de milho ganhou ritmo no Rio Grande do Sul. O avanço foi favorecido pela diminuição da umidade superficial do solo, pelo aumento das temperaturas e pela maior disponibilidade de radiação solar.
Os trabalhos estão mais acelerados nas regiões de menor altitude e nos municípios onde a janela de semeadura definida pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) já está aberta.
As áreas implantadas apresentam germinação e emergência satisfatórias, com estandes uniformes e predominância dos estágios iniciais de desenvolvimento vegetativo. Problemas pontuais de estabelecimento foram observados em lavouras semeadas sob excesso de umidade ou atingidas por chuvas logo depois da operação.
A Emater/RS-Ascar estima que o milho ocupará 896.401 hectares, expansão de 7,42% em relação à temporada anterior. Com produtividade projetada em 7.711 quilos por hectare, a produção pode chegar a aproximadamente 6,91 milhões de toneladas, crescimento de 7,18%.
A ampliação confirma o movimento de recuperação e consolidação da cultura no Estado. Na safra 2025/2026, foram cultivados 812,5 mil hectares, alta de 13,1% sobre o ciclo anterior, com produção próxima de 5,98 milhões de toneladas.
Alho mantém bom desenvolvimento na Serra Gaúcha
Em São Marcos, na região de Caxias do Sul, as lavouras de alho apresentam bom desenvolvimento vegetativo, mesmo após períodos de condições meteorológicas desfavoráveis.
Os primeiros cultivos implantados devem começar a diferenciação, etapa que marca o início da formação dos bulbos, em meados de setembro. As geadas não provocaram danos relevantes à cultura.
Brócolis, couve-flor e repolho chegam ao mercado com boa qualidade
Em Vale Real, na região de Lajeado, as lavouras de brássicas estão em plena produção. Brócolis, couve-flor e repolho apresentam, de modo geral, qualidade elevada.
Entretanto, o excesso de umidade no solo provocou perdas qualitativas em parte dos cultivos, exigindo maior atenção dos produtores durante a colheita e a seleção dos produtos.
Baixo preço da laranja desanima citricultores gaúchos
Na região de Erechim, foi encerrada a colheita das variedades de laranja Salustiana, Iapar, Umbigo Navelina e Rubi. Os frutos foram comercializados por valores considerados baixos, próximos de R$ 0,40 por quilo.
A colheita da laranja Valência começou no início de agosto, mas os preços oferecidos pelas indústrias processadoras continuam pressionando a rentabilidade dos produtores. A retração da demanda e a desvalorização da fruta destinada ao mercado in natura também contribuem para o desânimo no setor.
A laranja Valência direcionada à produção de suco está sendo negociada por cerca de R$ 380 por tonelada. A expectativa é de uma leve recuperação a partir de setembro, apoiada pela subvenção aprovada e pelo aumento gradual das temperaturas, que pode estimular o consumo de frutas e sucos.
Colheita de bergamota e laranja Valência avança
Em Montenegro, na região de Lajeado, a colheita da bergamota Montenegrina alcançou 60% dos pomares. Os valores pagos variam conforme o mercado de destino e a qualidade da fruta.
A colheita da laranja Valência chegou a 30% das áreas. Em Maratá, aproximadamente 70% dos pomares de bergamota Montenegrina já foram colhidos, também com diferenças de preço conforme o padrão dos frutos.
Em São José do Sul, os produtores relatam baixa procura pelo limão-tahiti. A expectativa é de melhora na comercialização durante os últimos meses do ano.
Campos nativos iniciam recuperação com retorno do sol
Na região de Bagé, as pastagens nativas apresentam rebrota moderada. As maiores limitações permanecem nas áreas que receberam volumes mais elevados de chuva, onde o alagamento e o encharcamento restringem o crescimento das plantas.
O manejo inadequado da lotação nos últimos meses também reduziu a disponibilidade de pastagens de qualidade, devido à menor capacidade de fotossíntese e recuperação da vegetação.
Em Júlio de Castilhos, na região de Santa Maria, o retorno dos dias ensolarados favoreceu a recuperação dos campos. A redução da umidade do solo estimulou a rebrota e a recomposição da área foliar das pastagens.
Produtores ampliam implantação de forrageiras de verão
Na região de Erechim, as áreas de aveia e azevém destinadas à produção de feno e silagem permanecem em desenvolvimento vegetativo. A falta de períodos prolongados de tempo seco dificulta a produção de feno e compromete a qualidade do material já enfardado.
Como alternativa, muitos produtores estão optando pelo pré-secado acondicionado em fardos revestidos. Na região de Frederico Westphalen, algumas propriedades já começaram a implantação de forrageiras de verão, especialmente capim-sudão para pastejo e milho para silagem.
Em Ijuí, as forrageiras anuais de inverno estão na formação de grãos e começam a ser roçadas para abrir espaço às culturas de verão. A menor umidade do solo e a maior presença de sol permitiram retomar os cortes destinados à produção de silagem de aveia e trigo, pré-secado e feno.
A semeadura das forrageiras anuais de verão também ganhou intensidade, com destaque para o capim-sudão.
Nas regiões de Santa Rosa e Soledade, as áreas mais precoces de aveia avançaram para o alongamento e a floração e estão sendo gradualmente dessecadas para o plantio do milho. Adubações de cobertura com ureia e esterco ajudaram a ampliar a oferta de forragem.
Com a proximidade da primavera e a elevação gradual das temperaturas, as pastagens perenes de verão começam a retomar o crescimento no Rio Grande do Sul.
Fonte: Portal do Agronegócio
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