Publicidade
Aveia, Trigo e Cevada

Safra de trigo deve cair 23,5% em 2026 e pressiona preços da farinha, importações e indústria de alimentos

Produção menor, custos internacionais elevados e aumento da dependência de importações acendem alerta para o abastecimento de trigo no Brasil, embora o setor descarte risco de desabastecimento.


Publicado em: 06/08/2026 às 10:30hs

Safra de trigo deve cair 23,5% em 2026 e pressiona preços da farinha, importações e indústria de alimentos
Foto: CNA

A perspectiva de uma forte redução na safra brasileira de trigo em 2026 acendeu um sinal de alerta em toda a cadeia produtiva do cereal. A combinação de menor oferta nacional, aumento da necessidade de importações e custos mais elevados no mercado internacional deve ampliar a pressão sobre a indústria de moagem e, consequentemente, sobre produtos essenciais como pães, massas, biscoitos e bolos.

O cenário é acompanhado de perto pela Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), que destaca o aumento da complexidade operacional para garantir o abastecimento do mercado brasileiro diante das incertezas climáticas e geopolíticas.

Safra de trigo menor amplia desafios para o mercado brasileiro

Segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de trigo deverá registrar uma queda de 23,5% em 2026 em comparação com o ano anterior.

Além da redução da área cultivada, fatores climáticos vêm comprometendo o potencial produtivo das lavouras, especialmente no Rio Grande do Sul, principal estado produtor do cereal no país. O excesso de chuvas durante o ciclo da cultura aumenta as preocupações quanto à produtividade, à qualidade dos grãos e ao volume efetivamente disponível para comercialização.

Diante desse cenário, a Conab projeta que o Brasil precisará ampliar as importações em aproximadamente 1,9 milhão de toneladas em 2027, reforçando a dependência do mercado externo para atender ao consumo interno.

Dependência das importações aumenta exposição do Brasil

Embora o Brasil tenha ampliado sua produção de trigo nos últimos anos, o país ainda está longe da autossuficiência.

Grande parte do cereal consumido pela indústria nacional continua sendo importada, principalmente da Argentina. Essa dependência faz com que oscilações internacionais afetem diretamente os custos da cadeia produtiva.

Segundo o presidente-executivo da Abitrigo, Rubens Barbosa, qualquer instabilidade no mercado global impacta imediatamente os preços, a disponibilidade da matéria-prima e o planejamento das indústrias de moagem.

A situação se torna ainda mais delicada em um ambiente de menor oferta doméstica, quando a necessidade de importação cresce justamente em um período de maior volatilidade internacional.

Conflitos internacionais elevam custos do trigo

Além dos desafios internos, o mercado enfrenta pressões vindas do cenário geopolítico mundial.

Os conflitos entre Rússia e Ucrânia, importantes produtores e exportadores globais de trigo, aliados às tensões no Oriente Médio, continuam influenciando o mercado internacional de commodities agrícolas.

Esse ambiente eleva os custos de energia, combustíveis, fretes marítimos, seguros e logística internacional, tornando mais cara a importação do cereal e aumentando os custos da indústria brasileira de moagem.

Como consequência, a pressão pode chegar ao consumidor por meio do encarecimento da farinha de trigo e de diversos alimentos derivados.

Farelo de trigo perde valor e reduz rentabilidade da indústria

Outro fator que preocupa o setor é a desvalorização do farelo de trigo.

A queda recente das cotações do milho reduziu a competitividade do coproduto utilizado principalmente na alimentação animal, diminuindo uma importante fonte de receita das indústrias moageiras.

Com menor retorno financeiro sobre o farelo, cresce a pressão sobre os custos da moagem e sobre o preço final da farinha, afetando toda a cadeia de panificação e fabricação de alimentos.

Trigo é estratégico para a segurança alimentar

Considerado um dos alimentos mais importantes do mundo, o trigo responde por aproximadamente 20% das calorias e proteínas consumidas globalmente, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

No Brasil, o cereal é matéria-prima essencial para a produção de pães, massas, biscoitos, bolos e diversos outros produtos presentes diariamente na alimentação da população.

Por isso, oscilações na oferta e nos custos do trigo têm impacto direto sobre toda a cadeia de alimentos.

Não há risco de desabastecimento, mas mercado exige atenção

Apesar do cenário desafiador, a Abitrigo afirma que não existe risco de falta de trigo no mercado brasileiro.

Segundo a entidade, o setor trabalha com planejamento de compras, gestão de riscos e diversificação das estratégias de abastecimento para garantir o fornecimento regular da matéria-prima às indústrias.

Entretanto, a combinação entre menor produção nacional, aumento da dependência das importações, custos internacionais elevados e incertezas climáticas exige monitoramento permanente do mercado.

Perspectivas para o mercado de trigo

Os próximos meses serão decisivos para definir o impacto efetivo da safra de 2026 sobre os preços e o abastecimento interno.

Caso a produtividade seja ainda mais afetada pelas condições climáticas, o Brasil poderá ampliar sua dependência do trigo importado justamente em um ambiente global marcado por elevada volatilidade nos custos logísticos e nas commodities agrícolas.

Enquanto isso, a indústria segue atenta à evolução da colheita, ao comportamento dos mercados internacionais e às condições de oferta, buscando minimizar impactos para a cadeia de alimentos e preservar a regularidade do abastecimento nacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias