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Aveia, Trigo e Cevada

Importações de trigo aceleram em agosto e reforçam alerta sobre oferta no Brasil

Compras externas avançam 7,7% no ritmo diário, enquanto preço médio do trigo importado sobe 4,1%; produção nacional menor e riscos climáticos aumentam a dependência do mercado internacional


Publicado em: 12/08/2026 às 10:50hs

Importações de trigo aceleram em agosto e reforçam alerta sobre oferta no Brasil
Foto: APPA - Paranaguá

As importações brasileiras de trigo e centeio não moídos começaram agosto em ritmo mais forte do que o registrado no mesmo período de 2025. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que o Brasil importou 126,2 mil toneladas no primeiro reporte do mês, com média de 25,24 mil toneladas por dia.

No mesmo período do ano passado, o ritmo era de 23,43 mil toneladas diárias. A comparação representa avanço de 7,7% na velocidade das compras externas.

O movimento ganha relevância diante de um cenário de oferta interna mais restrita, com projeções de menor produção brasileira na safra 2026/27, estoques disponíveis limitados e aumento da necessidade de abastecimento por meio do mercado internacional.

Brasil pode importar quase 9 milhões de toneladas no ciclo

A produção brasileira de trigo projetada para a safra 2026/27 foi revisada para aproximadamente 5,9 milhões de toneladas.

Diante desse cenário, a necessidade de importação tende a crescer. Segundo estimativa apresentada pelo analista da Safras & Mercado, Élcio Bento, as compras externas brasileiras podem se aproximar de 9 milhões de toneladas ao longo do ciclo.

A diferença entre a produção nacional e a demanda interna reforça a importância dos fornecedores internacionais para garantir o abastecimento dos moinhos e da indústria brasileira.

O cenário também aumenta a sensibilidade do mercado doméstico às condições de oferta, logística, câmbio e preços internacionais.

Paraná enfrenta déficit potencial de trigo

A situação é particularmente relevante no Paraná, principal estado produtor de trigo do país e também um dos principais polos de moagem.

A produção estadual projetada para a nova safra está em aproximadamente 2,2 milhões de toneladas, enquanto a moagem anual dos moinhos paranaenses é estimada em 3,85 milhões de toneladas.

Com esses números, existe um déficit potencial de aproximadamente 1,6 milhão de toneladas.

A diferença reforça a necessidade de complementar o abastecimento com trigo importado, principalmente caso a produção nacional fique abaixo das expectativas ou ocorram problemas de qualidade durante a colheita.

Trigo importado fica mais caro em agosto

Além de comprar mais rapidamente, o Brasil também começou agosto pagando mais pelo trigo importado.

O preço médio registrado no primeiro reporte do mês foi de US$ 241,40 por tonelada, contra US$ 231,80 por tonelada no mesmo período de 2025.

A alta chega a 4,1%.

Com o aumento simultâneo do volume e do preço médio, a despesa diária com as importações alcançou aproximadamente US$ 6,09 milhões, contra US$ 5,43 milhões há um ano.

O crescimento é de 12,2%.

Em valores acumulados, as importações somam US$ 30,47 milhões, contra US$ 114,07 milhões no período correspondente de 2025.

A diferença nos valores totais, entretanto, está relacionada ao estágio diferente dos períodos considerados. Por isso, a média diária é o indicador mais adequado para avaliar o ritmo atual das operações.

Oferta restrita sustenta preços do trigo no mercado interno

O aumento das importações ocorre em um momento de menor disponibilidade de trigo no mercado brasileiro.

Segundo o Cepea, os preços do cereal no Paraná voltaram, em termos reais, aos níveis observados em agosto de 2025. A recuperação ocorre em meio à restrição da oferta disponível no mercado spot.

Compradores que precisam recompor estoques vêm elevando gradualmente as ofertas na tentativa de encontrar lotes com qualidade adequada.

Do outro lado, vendedores ainda apresentam disponibilidade limitada de trigo da safra 2025.

Esse desequilíbrio entre oferta e demanda ajuda a explicar a maior necessidade de recorrer às importações e pode continuar influenciando a formação dos preços no mercado brasileiro.

Nova safra de trigo entra no radar climático

Além das perspectivas de menor área e produtividade para a safra 2026/27, o mercado começa a incorporar um novo fator de risco: as condições climáticas durante o desenvolvimento das lavouras.

O avanço do El Niño aumenta a preocupação especialmente no Sul do Brasil, região que concentra a maior parte da produção nacional.

Paraná e Rio Grande do Sul respondem juntos por aproximadamente 80% da produção brasileira de trigo. Por isso, alterações no regime de chuvas nesses estados podem provocar impactos relevantes sobre produtividade e qualidade do cereal.

Análises da EarthDaily indicam que episódios anteriores de El Niño forte, como os observados em 2014 e 2015, foram marcados por excesso de precipitações em importantes áreas produtoras.

Excesso de chuva pode comprometer produtividade

Para o trigo, o excesso de umidade durante determinadas fases do ciclo pode aumentar a ocorrência de doenças fúngicas, dificultar operações agrícolas e reduzir a disponibilidade de radiação solar para as plantas.

Esses fatores podem comprometer o desenvolvimento das lavouras e, consequentemente, o potencial produtivo da safra.

O mercado, portanto, passa a acompanhar simultaneamente três variáveis: produção brasileira, clima no Sul e necessidade de importações.

Qualquer deterioração das condições de cultivo pode ampliar ainda mais a dependência brasileira do trigo estrangeiro.

Argentina continua como principal alternativa

No mercado internacional, a Argentina permanece como uma das alternativas mais competitivas para o abastecimento brasileiro.

A proximidade geográfica reduz custos logísticos, enquanto a integração proporcionada pelo Mercosul favorece o comércio entre os dois países.

Entretanto, a qualidade da safra argentina também está no radar dos compradores brasileiros, especialmente em relação a parâmetros como teor de proteína e glúten úmido.

A disponibilidade de trigo com características adequadas para diferentes aplicações industriais pode influenciar a escolha das origens ao longo dos próximos meses.

Trigo dos Estados Unidos tem custo maior

Outras origens podem representar custos mais elevados para os compradores brasileiros.

O trigo norte-americano, por exemplo, pode chegar a custar aproximadamente R$ 300 a mais por tonelada em relação ao produto argentino, dependendo das condições de mercado e logística.

O Paraguai também enfrenta limitações em seu saldo exportável, reduzindo uma das alternativas tradicionalmente utilizadas para abastecer principalmente o mercado paranaense.

Com isso, a disponibilidade de fornecedores competitivos pode se tornar um fator ainda mais importante para os moinhos brasileiros.

Mercado de trigo inicia agosto sob pressão de oferta

Os primeiros dados de agosto mostram um mercado brasileiro aumentando o ritmo das importações de trigo justamente quando a disponibilidade doméstica está mais apertada.

A combinação de produção nacional menor, estoques restritos, necessidade elevada de importação e riscos climáticos coloca o abastecimento no centro das atenções para os próximos meses.

O ritmo das compras externas deverá continuar sendo um importante indicador para acompanhar a disponibilidade do cereal no país.

Ao mesmo tempo, o comportamento do dólar, dos preços internacionais, dos fretes e das condições das safras dos principais fornecedores será determinante para a formação do custo do trigo importado.

Para a indústria de moagem e para os demais segmentos que utilizam o cereal, o cenário aponta para um segundo semestre de maior atenção aos custos e à disponibilidade de matéria-prima.

Fonte: Portal do Agronegócio

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