Chuvas ameaçam qualidade do trigo no Sul e ampliam necessidade de importações no Paraná
Colheita chega a 60% no Rio Grande do Sul, mas problemas de qualidade restringem oferta para moagem; produção paranaense é estimada abaixo da demanda estadual
Publicado em: 05/11/2026 às 12:00hs
As chuvas voltaram a interromper a colheita de trigo no Rio Grande do Sul e aumentaram a preocupação com a qualidade dos grãos. Segundo a TF Agroeconômica, temporais com acumulados superiores a 100 milímetros em regiões gaúchas paralisaram os trabalhos, enquanto os moinhos buscam lotes adequados ao processamento.
O cenário também exige atenção em Santa Catarina e no Paraná. No mercado catarinense, negócios com trigo tipo 1 alcançaram R$ 1.600 por tonelada. Já no Paraná, a produção projetada não atende à necessidade estadual, reforçando a perspectiva de compras externas.
Colheita do trigo no RS chega a 60%, com qualidade comprometida
No Rio Grande do Sul, a colheita atingiu 60% da área, com volume informado de 1,07 milhão de toneladas. Desse total, 16% foram classificados como tipo 1, 66% como tipo 2 e 18% como tipo 3 ou fora de tipo.
Em avaliação sobre a aptidão industrial, a TF Agroeconômica estima que apenas 120 mil toneladas apresentem padrão para moagem, enquanto 220 mil toneladas tenham qualidade intermediária. Outras 730 mil toneladas registrariam problemas em indicadores como número de queda, conhecido pela sigla FN, e presença da micotoxina DON.
A classificação comercial e os parâmetros de qualidade industrial são referências distintas. Por isso, a avaliação dos lotes considera também as características exigidas pelos compradores para cada destinação.
A retomada das operações depende da melhora do tempo. Até lá, a permanência do trigo no campo mantém a atenção sobre a preservação da qualidade e o aproveitamento da produção.
Moinhos gaúchos buscam lotes de melhor qualidade
A procura das indústrias se concentra nos grãos com características adequadas à moagem. No interior gaúcho, as indicações dos moinhos variam de R$ 1.400 a R$ 1.450 por tonelada, conforme o levantamento.
Para o trigo destinado à exportação como ração, a referência em Rio Grande ficou em R$ 1.220 por tonelada. Em Panambi, o preço de balcão recuou para R$ 71 por saca.
As diferenças entre as cotações refletem condições de comercialização, localização e destinação do produto, além da qualidade de cada lote.
Trigo tipo 1 é negociado a R$ 1.600 em Santa Catarina
Em Campos Novos, o último negócio relatado pela consultoria envolveu trigo tipo 1 a R$ 1.600 por tonelada.
Parte do cereal já colhido no estado apresenta baixo aproveitamento. Entretanto, as lavouras com colheita prevista para o próximo mês seguem em bom desenvolvimento.
Segundo fontes locais ouvidas no levantamento, as chuvas não devem provocar impactos expressivos nessas áreas, que ainda estão na fase de enchimento de grãos. A avaliação difere, portanto, daquela observada em lavouras prontas para a colheita.
Paraná projeta produção inferior à necessidade de abastecimento
No Paraná, a produção de trigo é estimada em 2,2 milhões de toneladas, diante de uma necessidade estadual de 3,85 milhões de toneladas. A diferença corresponde a 1,65 milhão de toneladas.
Além da limitação de volume, há preocupação com a disponibilidade de trigo de melhor qualidade. As estimativas citadas pela TF Agroeconômica indicam que apenas 800 mil toneladas poderão alcançar a classificação tipo 1.
Esse quadro reforça a possibilidade de importações entre 1 milhão e 2 milhões de toneladas. Segundo a consultoria, a necessidade de abastecimento externo também pode manter os preços próximos à paridade de importação.
Para o mercado do trigo no Sul, o avanço da colheita e a qualidade efetivamente obtida serão determinantes nas próximas negociações. A disponibilidade de lotes para moagem continuará orientando as compras dos moinhos e a necessidade de complementar o abastecimento com produto importado.
Fonte: Portal do Agronegócio
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