Publicidade
Aveia, Trigo e Cevada

Chuvas ameaçam qualidade do trigo e sustentam preços no Sul; RS pode importar 70 mil toneladas

Excesso de umidade eleva risco de giberela e brusone, pressiona rendimento e qualidade dos grãos e mantém produtores resistentes às ofertas de moinhos e exportadores


Publicado em: 15/09/2026 às 11:10hs

Chuvas ameaçam qualidade do trigo e sustentam preços no Sul; RS pode importar 70 mil toneladas

O excesso de chuvas nas regiões produtoras de trigo do Sul e do Sudeste aumentou a preocupação com a qualidade da safra brasileira. Em áreas onde as lavouras avançam para a maturação e a colheita, produtores intensificam o manejo para reduzir possíveis perdas de rendimento e problemas provocados pela elevada umidade.

Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o mercado acompanha especialmente o peso hectolítrico (PH), a produtividade e o avanço de doenças favorecidas pelo clima úmido. Esse conjunto de incertezas ajuda a sustentar os preços domésticos, mesmo diante do baixo volume de negócios.

No Sul, levantamentos da TF Agroeconômica mostram cenários distintos entre Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. A oferta restrita de trigo de melhor qualidade, a distância entre compradores e vendedores e a necessidade de importações mantêm a comercialização cautelosa.

Moinhos oferecem R$ 1.400 por tonelada no Rio Grande do Sul

No mercado gaúcho, os moinhos buscam trigo a R$ 1.400 por tonelada FOB, enquanto os vendedores pedem R$ 1.500. Na região de Vacaria, as ofertas de venda chegam a R$ 1.600 por tonelada.

Algumas negociações foram registradas a R$ 1.450 por tonelada. Em Panambi, o preço pago ao produtor avançou para R$ 71 por saca.

A diferença entre os valores ofertados e pedidos limita a comercialização. Produtores evitam negociar em níveis considerados pouco atrativos, sobretudo diante das incertezas sobre a qualidade e o volume que será colhido.

No campo, 15% das lavouras gaúchas são avaliadas em condição excelente, enquanto 82% estão classificadas entre boas e medianas. Outros 3% apresentam situação ruim ou perdas consideradas irreversíveis.

Parte do trigo deverá ser colhida ainda em setembro. A principal preocupação recai sobre áreas atingidas pela giberela, que podem apresentar redução de rendimento e níveis elevados de DON, comprometendo a qualidade e a comercialização do cereal.

Rio Grande do Sul pode precisar importar trigo

A disponibilidade interna também exige atenção. Considerando aproximadamente 70 mil toneladas ainda ofertadas no mercado e os estoques mantidos pelos moinhos, o Rio Grande do Sul poderá precisar importar cerca de 70 mil toneladas para atender à moagem até a entrada da próxima safra.

Caso seja necessária uma reserva técnica, a demanda pode alcançar o equivalente a três cargas de navios do tipo handy size. Tradings consultadas pela TF Agroeconômica já planejam novas compras externas antes do avanço da colheita.

Esse cenário reforça a preocupação com a quantidade de trigo disponível e, principalmente, com o volume que apresentará qualidade adequada para a indústria moageira.

Queda de Chicago reduz ofertas para exportação

No mercado externo, as ofertas destinadas à exportação recuaram acompanhando a desvalorização do trigo na Bolsa de Chicago.

Exportadores indicam aproximadamente R$ 1.270 por tonelada para entrega em dezembro, com o produto colocado no porto. O valor é considerado pouco atrativo pelos vendedores e não estimula novos negócios.

Com a exportação oferecendo remuneração inferior à pretendida pelos produtores, o mercado interno permanece como principal referência. Ainda assim, a distância entre os preços de compra e venda mantém a liquidez reduzida.

Chuvas prejudicam trigo no Paraná

No Paraná, o excesso de umidade provoca maior preocupação com a qualidade das lavouras. Há registros de trigo com menor peso hectolítrico, redução no falling number e ocorrência de brusone e giberela.

Esses problemas podem limitar o aproveitamento industrial dos grãos e ampliar a diferença de preços entre lotes conforme os padrões de qualidade.

Os compradores indicam R$ 1.500 por tonelada para trigo tipo 1, com entrega em setembro. Os vendedores, porém, pedem entre R$ 1.550 e R$ 1.600 por tonelada FOB, mantendo a comercialização travada.

Santa Catarina registra poucos negócios

Em Santa Catarina, os moinhos estão abastecidos e demonstram menor necessidade de novas aquisições. As negociações ocorrem de forma pontual, próximas de R$ 1.520 por tonelada FOB.

A situação catarinense difere parcialmente dos mercados gaúcho e paranaense, mas a evolução do clima e da qualidade das lavouras continua sendo acompanhada pelos agentes.

Com a colheita avançando em diferentes regiões, o comportamento das chuvas será determinante para o rendimento, o PH e a incidência de doenças. Enquanto as condições de campo permanecem incertas, a oferta de trigo de melhor qualidade tende a continuar valorizada e a sustentar os preços no mercado brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias