Preço do arroz chega a R$ 82,85 por saca, mas compras seletivas limitam novas altas, aponta Itaú BBA
Oferta restrita sustenta as cotações, enquanto indústria reduz reposições; relatório destaca riscos do excesso de chuva no Sul e necessidade de escoar a produção atual.
Publicado em: 15/10/2026 às 10:40hs
O preço do arroz em casca no Rio Grande do Sul passou de R$ 79,44 para R$ 82,85 por saca de 50 quilos entre 10 de setembro e 9 de outubro, mantendo a recuperação observada nos últimos meses. O ritmo de valorização, porém, perdeu força com a redução das compras e a atuação mais seletiva da indústria.
Segundo o Agro Mensal de outubro de 2026, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, a resistência dos produtores em vender e o avanço das exportações oferecem sustentação ao mercado. Ao mesmo tempo, a menor necessidade de reposição dos compradores limita o espaço para altas mais expressivas no curto prazo.
Para a safra 2026/27, a possibilidade de menor oferta mantém uma perspectiva favorável aos preços, mas o relatório ressalta que ainda há um volume relevante da produção atual a ser comercializado.
Indústria reduz compras e produtores restringem oferta
Após a reação que levou as cotações para perto de R$ 80 por saca, os produtores passaram a demonstrar maior resistência às vendas. Essa postura reduz a disponibilidade de arroz no mercado e ajuda a limitar quedas mais intensas.
Na ponta compradora, a indústria diminuiu a intensidade das aquisições, concentrando-se em reposições pontuais. O varejo, por sua vez, ainda trabalhava com parte dos estoques adquiridos durante a escalada dos preços.
A combinação mantém o mercado sustentado, mas com menor impulso para novas valorizações: vendedores restringem a oferta, enquanto compradores evitam ampliar posições.
Exportações crescem 23,2% entre março e setembro
As exportações brasileiras de arroz somaram 1,15 milhão de toneladas em base casca entre março e setembro, crescimento de 23,2% em relação ao mesmo período de 2025.
O escoamento externo contribuiu para reduzir a disponibilidade do produto no mercado doméstico e apoiar as cotações.
Em setembro, entretanto, as importações superaram as exportações. A valorização do real e as oscilações dos preços internacionais também passaram a limitar parte da competitividade do arroz brasileiro no exterior.
Esse cenário exige atenção ao comércio externo, especialmente diante da necessidade de comercializar os volumes remanescentes da safra atual.
Plantio do arroz 2026/27 alcança 23,6% da área nacional
No levantamento apresentado pelo Agro Mensal, a semeadura da safra 2026/27 havia atingido 23,6% da área nacional, com diferenças importantes entre as regiões produtoras.
No Rio Grande do Sul, os elevados volumes de chuva interromperam o plantio na maior parte das áreas e limitaram o avanço dos trabalhos.
Em Santa Catarina, algumas regiões já se aproximavam da conclusão da semeadura. No Paraná, o plantio superava 70%, com lavouras em boas condições. Já no Maranhão, a implantação do arroz irrigado estava em fase de conclusão.
O excesso de umidade no Sul permanece entre os principais fatores de acompanhamento para o estabelecimento das lavouras e o potencial produtivo da temporada.
Recuperação dos preços pode influenciar a área plantada
A melhora das cotações pode reduzir a intensidade da retração de área anteriormente esperada para o arroz.
Por isso, a evolução da semeadura será importante para dimensionar a oferta da próxima temporada. Além da área efetivamente cultivada, o desempenho das lavouras dependerá das condições climáticas ao longo do ciclo.
A consultoria mantém uma leitura mais positiva para os preços diante da possibilidade de menor disponibilidade em 2026/27. Essa perspectiva, contudo, depende da confirmação do cenário de produção e do comportamento da demanda.
Câmbio e importações do Mercosul entram no radar
Até a chegada da próxima safra, o escoamento da produção atual continuará influenciando o mercado.
Segundo o Itaú BBA, a valorização do real reduz a competitividade das exportações brasileiras. Combinada aos preços domésticos mais elevados, ela também pode tornar mais atrativas as importações de arroz do Mercosul.
Assim, o suporte associado à possibilidade de menor oferta futura convive com desafios imediatos: manter o ritmo de comercialização, acompanhar a concorrência do produto importado e avaliar os efeitos das chuvas sobre a nova safra.
Fonte: Portal do Agronegócio
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