Publicado em: 08/06/2026 às 10:50hs
O mercado brasileiro de arroz iniciou junho ainda enfrentando os mesmos desafios que marcaram o encerramento de maio. A combinação de ampla oferta física, baixo volume de negócios e exportações incapazes de absorver os excedentes continua limitando a recuperação dos preços e mantendo o setor em alerta.
De acordo com análise de Safras & Mercado, o cenário permanece desfavorável para os produtores, mesmo após a conclusão da colheita e a confirmação de elevados índices de produtividade na safra. A abundância de produto disponível no mercado segue pressionando as cotações em praticamente todas as regiões produtoras do país.
Um dos principais fatores que contribuem para a fragilidade do mercado é o desempenho abaixo do esperado da indústria beneficiadora. Segundo informações do setor, maio foi marcado por uma forte desaceleração na demanda, consolidando-se como um dos períodos mais fracos dos últimos anos para o segmento.
Em diversos casos, os volumes efetivamente comercializados ficaram abaixo de 70% das projeções iniciais, refletindo a cautela dos compradores e a menor movimentação ao longo da cadeia produtiva.
A retração das compras por parte do varejo e dos distribuidores reduziu significativamente o ritmo de reposição dos estoques, comprometendo a fluidez dos negócios e limitando novas negociações entre produtores, indústrias e atacadistas.
Parte dos agentes de mercado atribui o enfraquecimento da demanda ao volume expressivo de compras realizado em abril, quando muitos varejistas reforçaram seus estoques diante das perspectivas de mercado.
Entretanto, cresce a percepção de que alguns canais de distribuição já operam atualmente com níveis mais ajustados de abastecimento. Caso essa avaliação se confirme, o mercado poderá registrar uma retomada gradual das compras nas próximas semanas, favorecendo uma melhora na liquidez.
Enquanto isso, produtores e indústrias permanecem atentos à formação de um possível piso para os preços, em meio à dificuldade de absorção da oferta disponível.
No cenário externo, as exportações seguem sendo o principal foco de atenção do setor. Os line-ups de embarque apontaram volume próximo de 137,5 mil toneladas em equivalente casca durante o mês de maio.
Apesar de representar um fluxo relevante para o mercado brasileiro, esse volume ainda é considerado insuficiente para promover uma redução significativa dos estoques e aliviar a pressão provocada pela ampla disponibilidade de arroz no mercado interno.
Dessa forma, o comportamento das exportações nas próximas semanas será decisivo para definir o ritmo de escoamento da safra e a trajetória dos preços ao longo do segundo semestre.
Fonte: Portal do Agronegócio
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