El Niño eleva risco de brusone no arroz e coloca produtores em alerta para a safra 2026/27
Excesso de chuvas no Sul e seca no Centro-Norte criam condições favoráveis ao avanço de doenças nas lavouras de arroz; manejo preventivo será decisivo para preservar a produtividade e a qualidade dos grãos
Publicado em: 23/07/2026 às 10:00hs
O avanço do El Niño deve intensificar os desafios para a produção de arroz no Brasil nos próximos meses. Com probabilidade superior a 90% de permanência até o início de 2027, o fenômeno climático deve provocar excesso de chuvas na Região Sul e estiagem acompanhada de altas temperaturas no Centro-Norte, alterando significativamente as condições de cultivo e aumentando o risco de doenças nas lavouras.
Segundo o monitoramento do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o contraste climático previsto favorece a disseminação de patógenos, especialmente fungos, que encontram ambiente ideal para se desenvolver em períodos prolongados de umidade ou sob condições de estresse das plantas.
Brusone é a principal ameaça às lavouras de arroz
Entre as doenças que mais preocupam os produtores está a brusone, causada pelo fungo Pyricularia oryzae. Considerada a enfermidade mais destrutiva da cultura do arroz, ela pode ocorrer em praticamente todas as regiões produtoras do país e comprometer severamente a produtividade quando não controlada.
O desenvolvimento da doença é favorecido por umidade relativa do ar acima de 89%, temperaturas entre 20°C e 30°C e longos períodos de molhamento das folhas, condições frequentemente observadas durante anos de El Niño, principalmente nas áreas de cultivo irrigado do Sul do Brasil.
Além das lavouras irrigadas, o arroz cultivado em terras altas também pode sofrer impactos, seja pelo excesso de umidade em algumas regiões ou pela deficiência hídrica em outras.
Doença pode causar perdas expressivas de produtividade
De acordo com o gerente de Assuntos Regulatórios do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), Fabio Kagi, a brusone representa a maior ameaça fitossanitária da cultura.
"A brusone é a doença mais destrutiva do arroz. Ocorre em todo o território brasileiro e pode comprometer toda a produção", destaca o especialista.
A doença pode atingir toda a parte aérea da planta em qualquer fase do desenvolvimento. Os primeiros sintomas surgem como pequenas manchas castanhas que evoluem para lesões elípticas, com centro acinzentado ou necrótico, onde ocorre intensa reprodução do fungo. Com a evolução da infecção, as lesões se unem, reduzindo a área fotossintética e comprometendo o desenvolvimento da lavoura.
Manejo preventivo é fundamental para reduzir prejuízos
Especialistas reforçam que o controle da brusone depende da adoção de um manejo integrado, combinando práticas preventivas e monitoramento constante da lavoura.
Entre as principais fontes de disseminação do fungo estão sementes contaminadas e restos culturais deixados no campo, que funcionam como reservatórios do patógeno entre uma safra e outra.
Nesse cenário, o tratamento de sementes com fungicidas sistêmicos é considerado uma das estratégias mais eficientes para reduzir infecções primárias e proteger as plantas durante o estabelecimento da cultura.
Segundo Fabio Kagi, essa prática ajuda a minimizar a transmissão da doença proveniente de áreas vizinhas e de resíduos de safras anteriores.
Aplicação de fungicidas deve ocorrer no momento correto
Outro ponto crítico do manejo ocorre durante a formação das panículas, fase em que a brusone pode afetar diretamente o enchimento dos grãos e provocar perdas significativas de rendimento e qualidade.
A recomendação técnica é realizar aplicações preventivas de fungicidas entre o estágio de emborrachamento e o início da emissão das panículas, sempre seguindo as orientações previstas na bula dos produtos registrados para a cultura.
Clima exige monitoramento constante na safra
Com a permanência do El Niño prevista até 2027, produtores de arroz deverão intensificar o monitoramento das condições climáticas e sanitárias das lavouras. A combinação de planejamento, acompanhamento técnico e manejo preventivo será determinante para reduzir os impactos da brusone e manter a produtividade da cultura diante das variações climáticas previstas para a safra 2026/27.
Fonte: Portal do Agronegócio
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