Publicado em: 16/04/2026 às 14:40hs
O mercado brasileiro de arroz apresenta movimentos distintos entre o cenário externo e interno. Enquanto o comércio exterior ganha força, a liquidez no mercado doméstico permanece reduzida, mesmo diante da recente recuperação dos preços no Rio Grande do Sul.
Apesar da leve alta nas cotações no Rio Grande do Sul, o ritmo de negociações no mercado interno continua lento. De acordo com pesquisadores do Cepea, o cenário é marcado por um impasse entre produtores e compradores.
Os produtores mantêm postura cautelosa, focados nos trabalhos nas lavouras e aguardando preços mais atrativos para avançar nas vendas. Já os compradores priorizam a aquisição de arroz disponível nos estoques internos, diante das incertezas sobre a oferta e os preços da matéria-prima.
A postura mais defensiva de ambos os lados contribui diretamente para a baixa liquidez. Enquanto produtores evitam negociar nos níveis atuais de preços, compradores também adotam cautela, reduzindo o volume de novos negócios.
Esse desalinhamento mantém o mercado em compasso de espera, dificultando uma recuperação mais consistente das negociações no curto prazo.
No comércio exterior, o desempenho foi positivo. As importações de arroz avançaram de forma expressiva em março, impulsionadas pela necessidade de abastecimento e pela maior competitividade do produto importado.
Segundo dados da Secex, o Brasil importou 176,1 mil toneladas no período, o que representa alta de 55,67% em relação a fevereiro e de cerca de 70% frente ao mesmo mês de 2025. O volume é o maior registrado desde julho de 2024.
As exportações brasileiras também registraram crescimento em março. Os embarques totalizaram 240,7 mil toneladas, alcançando o maior volume dos últimos três meses.
O resultado representa aumento de 12,1% na comparação com fevereiro e expressiva alta de 78,79% em relação ao mesmo período do ano passado, indicando maior demanda internacional pelo arroz brasileiro.
O cenário atual do arroz no Brasil evidencia um contraste relevante: enquanto o mercado interno segue com baixa liquidez e negociações limitadas, o comércio exterior apresenta maior dinamismo, com avanço tanto nas importações quanto nas exportações.
A evolução desse quadro dependerá do comportamento dos preços, da oferta interna e das decisões dos agentes do setor diante das incertezas ainda presentes no mercado.
Fonte: Portal do Agronegócio
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