Publicidade
Arroz

Arroz para exportação chega a R$ 90 por saca no RS com retomada das compras

Entrada de tradings no mercado gaúcho impulsiona as negociações do arroz para exportação, enquanto chuvas, frio e dificuldades de acesso ao crédito preocupam produtores e atrasam o plantio em importantes regiões arrozeiras.


Publicado em: 19/10/2026 às 11:00hs

Arroz para exportação chega a R$ 90 por saca no RS com retomada das compras

O mercado de arroz no Rio Grande do Sul voltou a registrar movimentação com a retomada das compras destinadas à exportação. O produto foi negociado a um preço médio de R$ 90 por saca, após um período de desaceleração nas operações. A retomada dos negócios ocorre em meio às oscilações do dólar, que influenciam a competitividade das exportações brasileiras e as decisões de compra das tradings.

Apesar da melhora na movimentação comercial, o setor arrozeiro enfrenta desafios no campo e no financiamento da próxima safra. As chuvas e as baixas temperaturas prejudicam o andamento do plantio em determinadas regiões do Estado, enquanto as negociações para liberação de crédito rural seguem em ritmo lento.

Tradings retomam compras de arroz para exportação

Segundo o presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Denis Dias Nunes, as mudanças na cotação do dólar contribuíram para a redução temporária das negociações. Diante das incertezas cambiais, compradores e operadores do mercado adotaram uma postura mais cautelosa.

O cenário começou a mudar com a entrada de três tradings interessadas na aquisição de arroz para exportação, com negócios realizados a valores médios de R$ 90 por saca.

De acordo com Nunes, a retomada das compras pode contribuir para sustentar o mercado e limitar novas pressões sobre as cotações. O comportamento do câmbio, entretanto, continua sendo um fator importante para a formação dos preços e para o ritmo das operações comerciais.

A movimentação representa um sinal de retomada da demanda exportadora, embora a sustentação dos preços dependa da continuidade das compras e das condições do mercado internacional.

Chuvas e frio atrasam plantio de arroz no Rio Grande do Sul

No campo, as condições climáticas seguem entre as principais preocupações dos produtores gaúchos. O excesso de chuvas tem dificultado a implantação das lavouras em diferentes áreas produtoras, provocando atrasos que variam conforme a região.

Embora o avanço geral do plantio estadual possa superar o registrado no mesmo período da safra anterior, esse resultado não representa a realidade de todas as regiões arrozeiras.

A influência da Fronteira Oeste, que possui participação expressiva na área cultivada do Estado, contribui para melhorar os números consolidados. Entretanto, regiões como o Litoral Norte, a Planície Costeira Interna e a Zona Sul, incluindo os municípios de Arroio Grande, Pelotas e Rio Grande, apresentam atrasos importantes.

A situação exige atenção porque o calendário de semeadura influencia o desenvolvimento das plantas e o planejamento das operações agrícolas ao longo da safra.

Baixas temperaturas prejudicam emergência das plantas

Além das chuvas, o frio também afeta o estabelecimento das lavouras. Na Fronteira Oeste e em Santa Vitória do Palmar, as baixas temperaturas têm prejudicado a emergência das plantas, inclusive em áreas semeadas antecipadamente.

Esse cenário pode dificultar a uniformidade do estande e exigir acompanhamento técnico das lavouras, especialmente nas áreas em que as condições climáticas não favorecem o desenvolvimento inicial do arroz.

O desempenho do plantio nas próximas semanas será importante para avaliar a evolução da área semeada e os possíveis reflexos sobre o ciclo produtivo.

Crédito rural é outro desafio para os produtores

Além das questões climáticas e comerciais, os arrozeiros enfrentam dificuldades para obter recursos destinados ao custeio e à preparação da próxima safra.

Segundo a Federarroz, as tratativas com as instituições financeiras avançam lentamente, mantendo o acesso ao crédito entre os principais pontos de atenção para o setor.

A demora na liberação dos recursos pode comprometer o planejamento das propriedades, dificultar a compra de insumos e limitar a capacidade de execução das operações agrícolas dentro do calendário recomendado.

Diante desse cenário, a orientação da entidade é que os produtores que necessitam de apoio procurem suas representações regionais para buscar encaminhamentos junto às instituições envolvidas.

Mercado de arroz depende da demanda externa e das condições no campo

A retomada das compras para exportação, com negócios em torno de R$ 90 por saca, traz um sinal positivo para o mercado gaúcho. No entanto, a evolução das cotações dependerá da continuidade da demanda, das oscilações cambiais e das condições de comercialização.

Ao mesmo tempo, o atraso no plantio em determinadas regiões e as dificuldades de acesso ao crédito aumentam a atenção sobre o andamento da nova safra.

Para os produtores, o cenário exige acompanhamento tanto dos preços do arroz quanto das condições climáticas e financeiras. A combinação desses fatores será determinante para as decisões de comercialização, o planejamento das lavouras e as perspectivas do setor arrozeiro no Rio Grande do Sul.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias