Arroz em Santa Catarina: preparo do solo para a safra 2026/27 avança e define potencial de produtividade no campo
Produtores intensificam manejo durante a entressafra para reduzir plantas daninhas, controlar pragas e garantir maior rendimento das lavouras. Santa Catarina mantém posição estratégica como segundo maior produtor de arroz do Brasil.
Publicado em: 13/07/2026 às 09:30hs
O período de entressafra marca uma das fases mais importantes da rizicultura catarinense. Enquanto o plantio ainda está distante, produtores rurais de Santa Catarina já trabalham intensamente na preparação do solo para a safra de arroz 2026/27, realizando operações que serão decisivas para a produtividade, a qualidade dos grãos e a competitividade da cadeia produtiva.
A preparação adequada das áreas cultivadas representa o primeiro passo para uma safra de alto desempenho. O manejo realizado logo após a colheita reduz a pressão de plantas invasoras, diminui a incidência de doenças e pragas e cria condições ideais para o desenvolvimento das futuras lavouras.
Santa Catarina consolida liderança na produção nacional de arroz
Santa Catarina é referência nacional na produção de arroz irrigado e ocupa a posição de segundo maior produtor do Brasil.
Segundo dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), o estado reúne 94 municípios produtores, distribuídos em aproximadamente 149,5 mil hectares cultivados com arroz irrigado.
Ao longo de décadas, as áreas agrícolas catarinenses foram adaptadas para o sistema de cultivo pré-germinado, considerado um dos mais eficientes do país. O modelo conta com nivelamento do terreno, canais de irrigação, sistemas de drenagem e manejo técnico que favorecem maior produtividade e estabilidade da produção.
Além da importância econômica, o arroz representa cerca de 11% da área irrigada de Santa Catarina, desempenhando papel estratégico no abastecimento dos mercados interno e nacional.
Entressafra é decisiva para o sucesso da próxima safra
Após o encerramento da colheita, normalmente entre fevereiro e abril, inicia-se um conjunto de operações voltadas à recuperação e preparação do solo.
A primeira etapa consiste na eliminação dos resíduos vegetais deixados pela cultura anterior, como palha, raízes e colmos.
Para isso, os produtores utilizam o rolo-faca, implemento agrícola acoplado ao trator que quebra e amassa a palhada, aproximando o material da superfície do solo.
Segundo o engenheiro agrônomo da Epagri, Reginaldo Ghellere, essa operação acelera o processo de decomposição da matéria orgânica e favorece a germinação das sementes de plantas daninhas presentes na área.
Com isso, torna-se possível eliminar essas invasoras antes da implantação da nova lavoura, reduzindo significativamente sua população durante o ciclo produtivo.
Drenagem melhora o manejo e reduz riscos para a lavoura
Após a primeira passagem do rolo-faca, inicia-se a drenagem das quadras de arroz.
O trabalho é realizado com auxílio da valetadeira, equipamento responsável pela abertura de canais superficiais que permitem o escoamento da água acumulada.
Entre 15 e 20 dias depois, recomenda-se uma nova passagem do rolo-faca para eliminar as plantas que germinaram após a primeira intervenção e estimular um novo fluxo de emergência das sementes existentes no solo.
Na sequência, aproximadamente entre 45 e 60 dias após essa operação, ocorre a aplicação de herbicidas para controlar as plantas daninhas remanescentes.
Segundo os especialistas, essa estratégia reduz o banco de sementes presente no solo, evita o florescimento da soca, minimiza o cruzamento entre arroz vermelho e arroz comercial e contribui para diminuir a ocorrência de pragas e doenças.
O resultado é um ambiente mais equilibrado para o desenvolvimento da próxima safra e menores custos com controle de plantas invasoras durante o cultivo.
Manejo correto do solo aumenta produtividade e qualidade dos grãos
O presidente do Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina (SindArroz-SC), Walmir Rampinelli, destaca que a construção de uma safra de qualidade começa muito antes do plantio.
Segundo ele, o cuidado realizado durante a entressafra influencia diretamente o desenvolvimento das plantas, a produtividade das lavouras e a qualidade do arroz destinado às indústrias beneficiadoras.
Essa integração entre produção agrícola e processamento industrial é um dos fatores responsáveis pelo reconhecimento do arroz catarinense nos mercados consumidores.
Além da adoção de tecnologias no campo, o setor conta com variedades desenvolvidas pela Epagri, sementes certificadas e produtores altamente especializados, fatores que reforçam a competitividade da cadeia produtiva estadual.
Cadeia do arroz enfrenta desafios econômicos e aposta em tecnologia
Apesar dos avanços tecnológicos e dos elevados padrões de qualidade, o setor arrozeiro continua enfrentando desafios econômicos.
Os impactos da crise observada nas safras 2024/25 e 2025/26 ainda são sentidos por produtores e indústrias, pressionando margens e exigindo maior eficiência operacional.
Entre os principais desafios estão:
- aumento dos custos de produção;
- escassez de mão de obra qualificada;
- necessidade de modernização industrial;
- busca por maior eficiência logística;
- manutenção da competitividade no mercado nacional.
Diante desse cenário, empresas do setor vêm acelerando investimentos em automação e inovação tecnológica.
Segundo Rampinelli, a dificuldade para contratação de profissionais especializados e as mudanças nas relações de trabalho têm levado as indústrias a ampliar o uso de equipamentos automatizados, aumentando a produtividade sem comprometer a qualidade dos processos.
Perspectivas para a safra de arroz 2026/27
Com o avanço das atividades de manejo durante a entressafra, a expectativa do setor é iniciar o plantio da safra 2026/27 em áreas tecnicamente preparadas, reduzindo riscos agronômicos e favorecendo elevados índices de produtividade.
A combinação entre planejamento, tecnologia, assistência técnica e integração entre produtores e indústrias mantém Santa Catarina como uma das principais referências da rizicultura brasileira.
Mesmo diante dos desafios econômicos, o setor aposta na inovação e na eficiência para fortalecer a produção, garantir o abastecimento do mercado e preservar a competitividade do arroz catarinense nos próximos anos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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