Publicado em: 17/06/2026 às 12:00hs
O mercado brasileiro de algodão em pluma continua registrando desvalorização no mercado interno, mas os preços domésticos seguem mais atrativos do que a paridade de exportação. De acordo com levantamento do Cepea, este é o sexto mês consecutivo de queda nas cotações da fibra, cenário influenciado pela retração dos preços internacionais e pela postura cautelosa dos agentes do setor.
Apesar do movimento baixista, os valores praticados no mercado nacional ainda garantem uma vantagem competitiva em relação às exportações, fator que influencia diretamente as estratégias de comercialização dos produtores e das indústrias.
Segundo pesquisadores do Cepea, parte dos vendedores permanece financeiramente capitalizada e concentrada no cumprimento dos contratos a termo já firmados, mantendo uma postura mais firme nas negociações.
Por outro lado, alguns produtores aproveitam o atual momento para liquidar os volumes remanescentes da safra 2024/25. A queda das referências internacionais também tem levado determinados agentes a flexibilizar posições, buscando estimular novos negócios e ampliar a liquidez do mercado.
Outro fator que começa a influenciar o comportamento do setor é a entrada dos primeiros lotes da safra 2025/26 no mercado spot. Conforme o Cepea, as negociações já registram ofertas provenientes principalmente dos estados de São Paulo e da Bahia, antecipando um aumento gradual da disponibilidade da pluma nas próximas semanas.
A chegada da nova produção ocorre em um momento de atenção dos participantes do mercado, que acompanham tanto o desempenho das exportações quanto a evolução da demanda doméstica.
Pelo lado da demanda, as indústrias têxteis seguem pressionando por preços menores. O argumento utilizado pelos compradores está relacionado ao desempenho ainda limitado das vendas de produtos finais, o que reduz a necessidade de reposição de matéria-prima em volumes mais expressivos.
Os comerciantes também permanecem cautelosos, realizando negociações pontuais e priorizando operações consideradas mais seguras. A estratégia predominante tem sido a realização de negócios "casados", modalidade que reduz riscos em um ambiente marcado por incertezas sobre o comportamento dos preços nos próximos meses.
Com a entrada gradual da safra 2025/26, a evolução da demanda da indústria nacional e o comportamento das cotações internacionais deverão continuar determinando o ritmo das negociações do algodão no Brasil. Embora os preços internos permaneçam em trajetória de queda, a vantagem frente à paridade de exportação ainda sustenta parte do interesse dos vendedores e contribui para a dinâmica do mercado da fibra.
Fonte: Portal do Agronegócio
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