Publicidade
Algodão

Exportações de algodão do Brasil crescem 21,8% em julho e somam 155 mil toneladas

Embarques brasileiros de algodão movimentaram US$ 262,4 milhões no mês, enquanto expectativa é de aceleração das exportações a partir de setembro com o avanço da colheita e do beneficiamento da nova safra.


Publicado em: 11/08/2026 às 10:40hs

Exportações de algodão do Brasil crescem 21,8% em julho e somam 155 mil toneladas

As exportações brasileiras de algodão começaram a nova temporada em ritmo forte. Em julho de 2026, o Brasil embarcou 155 mil toneladas da fibra, volume 21,8% superior ao registrado no mesmo mês de 2025, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Em receita, as vendas externas alcançaram US$ 262,4 milhões, avanço de 27,2% na comparação anual. O preço médio do algodão exportado ficou em US$ 1,70 por quilo FOB, alta de 4,5% sobre julho do ano passado.

O desempenho ocorre no início de um novo ciclo de comercialização e chama atenção porque julho normalmente apresenta menor disponibilidade de algodão para exportação, devido aos estoques de passagem mais reduzidos e ao período de transição entre safras.

Brasil inicia novo ciclo de algodão com exportações fortes

Para a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), o resultado de julho confirma um cenário positivo para o início da temporada.

O presidente da entidade, Dawid Wajs, destaca que o desempenho ganha relevância após o país ter encerrado o último ano-safra, de julho de 2025 a junho de 2026, com volume recorde de exportações de algodão.

Mesmo com menor disponibilidade da fibra no começo do novo ciclo, julho registrou o segundo melhor resultado da série histórica para o mês, segundo a avaliação da associação.

A expectativa do setor é que os embarques ganhem força nos próximos meses, acompanhando a evolução da safra brasileira.

Exportações de algodão podem acelerar a partir de setembro

A colheita da safra 2025/2026 começou mais tarde do que o habitual, mas avançou para um ritmo mais próximo das médias históricas.

Com a evolução da colheita, o próximo passo é o aumento do volume de algodão beneficiado e, consequentemente, da disponibilidade da fibra destinada ao mercado externo.

A perspectiva da Anea é de que os embarques brasileiros de algodão se tornem mais expressivos a partir de setembro, quando a maior oferta da nova safra deverá chegar ao mercado.

Esse movimento pode ampliar a participação brasileira no comércio internacional da fibra e sustentar o ritmo das exportações ao longo dos próximos meses.

Bangladesh lidera compras de algodão brasileiro

O mercado asiático continua concentrando grande parte da demanda pelo algodão produzido no Brasil.

Em julho, Bangladesh foi o principal destino da fibra brasileira, respondendo por 19,3% dos embarques.

Na sequência aparecem:

  • Vietnã: 17,7%;
  • Turquia: 17,3%;
  • Paquistão: 14,5%;
  • Índia: 9,6%;
  • Indonésia: 8,8%;
  • Malásia: 3,4%;
  • China: 3,3%;
  • Egito: 2,9%;
  • Coreia do Sul: 1,4%;
  • Colômbia: 0,5%;
  • Tailândia: 0,3%.

A diversificação dos destinos reforça a presença do algodão brasileiro em importantes mercados consumidores da Ásia e de outras regiões.

Índia ganha espaço, mas impacto da isenção tarifária é limitado

A participação da Índia entre os principais compradores ocorre em um momento de abertura temporária de uma janela de isenção tarifária para a importação de algodão pelo país.

Apesar disso, a Anea avalia que os efeitos sobre as exportações brasileiras tendem a ser limitados no curto prazo.

Um dos principais obstáculos é o tempo necessário para o transporte da fibra até o mercado indiano. Além disso, o Brasil atravessa justamente o início de uma temporada marcada por estoques de passagem menores e pela entrada gradual da nova produção.

Com isso, a disponibilidade de algodão brasileiro para embarques destinados à Índia ainda deve ser limitada neste primeiro momento.

Algodão representa 3,35% das exportações do agro

A relevância do algodão no comércio exterior brasileiro também aparece nos dados gerais de julho.

A fibra representou 0,77% de todas as exportações brasileiras no mês e ocupou a 22ª posição entre os produtos mais exportados pelo país.

Quando considerado exclusivamente o setor agropecuário, o algodão ganha ainda mais destaque: respondeu por 3,35% das exportações do agronegócio e ficou na quarta colocação entre os produtos mais vendidos pelo segmento ao exterior.

O desempenho confirma a importância crescente da cotonicultura brasileira na balança comercial e no mercado internacional de fibras.

Nova safra aumenta demanda por logística

Com a expectativa de crescimento dos embarques nos próximos meses, a logística passa a ser um dos principais pontos de atenção para o setor.

O aumento da disponibilidade da nova safra deverá exigir maior capacidade de transporte, armazenagem, beneficiamento e operação portuária.

Nesse contexto, representantes do setor produtivo, exportadores, operadores portuários e agentes públicos já discutem estratégias para antecipar possíveis gargalos.

Uma reunião realizada em Salvador reuniu diferentes participantes envolvidos nas operações portuárias para avaliar o cenário e preparar a infraestrutura para o aumento esperado no fluxo de algodão.

Perspectiva é de maior oferta e exportações mais fortes

O mercado brasileiro de algodão entra em uma nova etapa com uma combinação favorável de fatores: safra de bom volume, recuperação do ritmo de colheita, avanço do beneficiamento e expectativa de aumento das exportações.

O desempenho de julho, mesmo ocorrendo em um período de menor disponibilidade, mostra que o Brasil mantém forte presença no comércio internacional da fibra.

A tendência é de que a oferta aumente gradualmente ao longo das próximas semanas, abrindo espaço para volumes mais elevados de exportação de algodão brasileiro a partir de setembro.

Para a cadeia produtiva, o desafio será acompanhar esse crescimento com uma estrutura logística preparada para absorver o aumento dos embarques e manter a competitividade do Brasil no mercado global.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias