Custo de produção do algodão cai 1,36% em Mato Grosso, mas fertilizantes pressionam safra 2026/27
Custeio da lavoura é estimado em R$ 10,63 mil por hectare, enquanto despesas com fertilizantes avançam 2,23% e exigem maior atenção do produtor às compras de insumos
Publicado em: 20/08/2026 às 17:00hs
O custo de produção do algodão apresentou leve redução em Mato Grosso, mas a valorização dos fertilizantes permanece como um dos principais riscos para a rentabilidade da safra 2026/27. Segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), o custeio da cultura foi estimado em R$ 10.629,11 por hectare.
O valor representa queda de 1,36% em relação ao calculado para a temporada 2025/26. Apesar do recuo, técnicos do projeto Custo de Produção Agropecuário de Mato Grosso (CPA-MT) alertam que os preços dos insumos continuam elevados, especialmente no segmento de fertilizantes.
Fertilizantes ficam 2,23% mais caros
As despesas dos cotonicultores mato-grossenses com fertilizantes foram projetadas em R$ 3.977,05 por hectare, alta de 2,23% na comparação com a safra anterior.
Esse gasto corresponde a aproximadamente 37,4% do custeio estimado para a produção de algodão em Mato Grosso, evidenciando o peso da adubação no orçamento das propriedades.
De acordo com o Imea, o aumento está relacionado aos preços elevados dos insumos, às restrições comerciais e aos riscos de abastecimento no mercado internacional. Por depender fortemente das importações, o Brasil permanece exposto às oscilações cambiais, aos custos logísticos e às tensões geopolíticas que afetam a oferta mundial de fertilizantes.
Relação de troca com sulfato de amônio piora
A evolução da relação de troca entre o algodão e o sulfato de amônio demonstra o impacto da valorização dos insumos sobre o poder de compra do produtor.
Em fevereiro de 2026, no início da comercialização da pluma referente à safra 2026/27, a relação de troca com o sulfato de amônio estava 0,69% abaixo da média dos três anos anteriores.
Desde então, o indicador se deteriorou e passou a ficar 18,73% acima dessa média. Atualmente, são necessárias 19,43 arrobas de pluma de algodão para adquirir uma tonelada do fertilizante.
Na prática, o cotonicultor precisa comprometer um volume maior de sua produção para comprar o mesmo insumo, situação que pode reduzir as margens mesmo diante da queda no custeio geral da lavoura.
Compra antecipada pode proteger margens do produtor
Diante das incertezas no mercado internacional, o Imea reforça a importância de o produtor acompanhar os preços e aproveitar momentos mais favoráveis para antecipar a aquisição dos fertilizantes.
A compra planejada pode reduzir a exposição a novas altas, evitar problemas de abastecimento e proporcionar maior previsibilidade financeira durante a implantação da safra.
A estratégia, no entanto, deve considerar a disponibilidade de capital, os custos de armazenamento, as condições de pagamento e a expectativa para os preços futuros do algodão.
Gestão de custos será decisiva na safra 2026/27
Embora a redução de 1,36% no custeio represente um sinal positivo, o avanço dos fertilizantes mantém o cenário de cautela para a cotonicultura de Mato Grosso.
O comportamento do dólar, a oferta internacional de matérias-primas, os custos logísticos e a cotação da pluma serão determinantes para a rentabilidade da temporada 2026/27.
Nesse ambiente, planejamento, negociação antecipada e acompanhamento da relação de troca ganham importância para evitar que novos aumentos dos insumos comprometam as margens dos produtores de algodão.
Fonte: Portal do Agronegócio
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