Algodão sobe 2,1% no Brasil, mas oferta global limita recuperação dos preços, aponta Itaú BBA
Exportações recordes e câmbio sustentaram a pluma em setembro; relatório prevê déficit mundial de 1,1 milhão de toneladas e expansão de cerca de 4% da área em Mato Grosso.
Publicado em: 15/10/2026 às 10:30hs
O preço do algodão em Rondonópolis (MT) subiu 2,1% em setembro, atingindo média de R$ 3,99 por libra-peso, enquanto as cotações internacionais recuaram. Segundo o Agro Mensal de outubro de 2026, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, o câmbio, a demanda externa e a postura mais firme dos vendedores sustentaram o mercado brasileiro.
A análise aponta, entretanto, limites para novas valorizações. A produção elevada pode ampliar os estoques domésticos, enquanto a revisão para cima da oferta mundial tende a conter a recuperação dos preços no curto prazo.
No médio prazo, o consumo global projetado acima da produção mantém um fundamento de sustentação para a fibra.
Preço do algodão cai 5% em Nova York
A média do contrato de primeiro vencimento do algodão em Nova York ficou em 80,8 centavos de dólar por libra-peso em setembro, queda de 5% em relação a agosto.
O movimento refletiu uma correção após a valorização do mês anterior. A demanda cautelosa da indústria têxtil e a concorrência das fibras sintéticas também limitaram o interesse comprador.
Mesmo diante das preocupações com a oferta, o ritmo das vendas americanas e as incertezas sobre a economia chinesa restringiram a sustentação das cotações.
Lavouras do Texas enfrentam calor e baixa umidade
As condições das lavouras no Texas permaneceram desfavoráveis no início de outubro. Conforme os dados apresentados pelo relatório, apenas 15% das áreas estavam classificadas como boas ou excelentes, enquanto 54% se encontravam em condições ruins ou muito ruins.
O calor e a baixa umidade comprometeram o potencial produtivo, ajudando a limitar a pressão de baixa sobre os preços internacionais.
As perdas potenciais no estado, porém, foram parcialmente compensadas por melhores perspectivas em outras regiões produtoras dos Estados Unidos.
Exportações recordes sustentam o mercado brasileiro
O Brasil encerrou a temporada 2025/26 com exportações recordes de 3,4 milhões de toneladas de algodão, segundo o Agro Mensal.
O país ampliou sua presença em mercados como Índia, Paquistão, Bangladesh, Vietnã e Turquia, reforçando a importância da demanda externa para o escoamento da produção.
No mercado interno, o avanço do beneficiamento aumentou a disponibilidade da nova safra. Ainda assim, produtores evitaram ofertar volumes maiores, à espera de oportunidades comerciais mais favoráveis.
A indústria doméstica manteve aquisições pontuais, deixando a liquidez limitada. Nesse cenário, o crescimento dos embarques oferece sustentação, mas a produção elevada pode aumentar os estoques e restringir altas mais expressivas.
USDA revisa produção mundial para 25,7 milhões de toneladas
Na atualização de outubro analisada pelo Itaú BBA, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou a estimativa de produção mundial de algodão em 2026/27, de 25,5 milhões para 25,7 milhões de toneladas.
A revisão foi impulsionada principalmente por ajustes positivos para Brasil e Estados Unidos. O consumo mundial também aumentou, mas em menor proporção, levando a projeção dos estoques finais de 15,2 milhões para 15,4 milhões de toneladas.
Apesar dessa revisão mensal, o estoque final previsto permanece abaixo dos 16,5 milhões de toneladas estimados para a temporada anterior.
O balanço global indica consumo de 26,8 milhões de toneladas, aproximadamente 1,1 milhão de toneladas acima da produção. Para a consultoria, essa diferença preserva fundamentos potencialmente favoráveis aos preços no médio prazo.
Produção americana aumenta na revisão mensal
Nos Estados Unidos, a previsão de produção passou de 2,87 milhões para 2,93 milhões de toneladas, acompanhando a melhora da produtividade média estimada, principalmente na região do Delta.
Como as projeções de consumo doméstico e exportações permaneceram inalteradas em relação a setembro, os estoques finais foram elevados de 780 mil para 830 mil toneladas.
O ajuste reduziu parte das preocupações com a oferta americana, embora as dificuldades no Texas continuem relevantes.
Para a China, o USDA manteve as estimativas de 7,3 milhões de toneladas de produção, 9,1 milhões de toneladas de consumo e 1,5 milhão de toneladas de importações. Na Índia, a produção permaneceu em 5,2 milhões de toneladas, com aumento da previsão de compras externas.
Mato Grosso pode ampliar área de algodão em cerca de 4%
No Brasil, o relatório relaciona o avanço favorável do plantio da soja em Mato Grosso às condições para implantar o algodão de segunda safra dentro da janela ideal.
Segundo a estimativa do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) apresentada na análise, a área destinada à cultura no estado deverá crescer cerca de 4% em 2026/27, frente ao ciclo anterior.
A perspectiva amplia a atenção sobre o equilíbrio entre produção, exportações e estoques. Para o Itaú BBA, a maior disponibilidade mundial limita a recuperação imediata das cotações, enquanto o déficit entre produção e consumo oferece suporte para os próximos movimentos do mercado.
Fonte: Portal do Agronegócio
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