Algodão recua no Brasil com negócios limitados, enquanto Nova York fecha em alta
Maior oferta de pluma e cautela dos compradores pressionam mercado brasileiro; dólar enfraquecido favorece contratos futuros, mas petróleo em queda limita valorização.
Publicado em: 21/10/2026 às 11:10hs
O mercado brasileiro de algodão em pluma segue com preços pressionados e baixa liquidez, enquanto os contratos futuros registraram alta na Bolsa de Nova York. No Brasil, a maior disponibilidade da fibra, as divergências entre compradores e vendedores e a prioridade ao cumprimento de contratos a termo restringem novas negociações.
Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as incertezas políticas também contribuem para a cautela dos agentes. No mercado internacional, o enfraquecimento do dólar sustentou as cotações, embora a queda do petróleo tenha limitado os ganhos.
Maior disponibilidade de algodão pressiona preços no Brasil
A oferta mais ampla de pluma e a postura seletiva dos compradores mantêm pressão sobre as cotações brasileiras. Parte dos agentes concentra esforços na execução de negócios já contratados, reduzindo a movimentação no mercado disponível.
Ao mesmo tempo, compradores e vendedores encontram dificuldades para chegar a um acordo sobre preços e condições comerciais. De acordo com pesquisadores do Cepea, parte dos participantes também aguarda maior clareza sobre o cenário político antes de definir novas operações.
Apesar desse ambiente, a firmeza dos vendedores e a demanda por lotes com características específicas de qualidade permitem valorizações pontuais. Esses movimentos, porém, ainda são insuficientes para compensar as perdas anteriores.
Algodão dezembro fecha a 80,88 cents em Nova York
Na sessão informada, os contratos futuros de algodão encerraram em alta na ICE Futures, em Nova York:
- Dezembro/2026: 80,88 centavos de dólar por libra-peso, avanço de 0,75 centavo, ou 0,93%;
- Março/2027: 84,18 centavos de dólar por libra-peso, ganho de 0,75 centavo, ou 0,89%.
A desvalorização do dólar diante de outras moedas favoreceu as commodities cotadas na divisa americana, contribuindo para a recuperação da fibra.
Por outro lado, o recuo do petróleo reduziu o espaço para altas mais intensas. O movimento favorece a competitividade das fibras sintéticas em relação ao algodão, ampliando a concorrência enfrentada pela matéria-prima natural.
USDA aponta 35% das lavouras americanas em boas ou excelentes condições
O mercado também acompanha a situação das lavouras nos Estados Unidos. Segundo o Departamento de Agricultura americano (USDA), até 18 de outubro, as áreas de algodão apresentavam a seguinte classificação:
- 35% em condições boas ou excelentes;
- 28% em situação regular;
- 37% em condições ruins ou muito ruins.
Na semana anterior, encerrada em 11 de outubro, os percentuais eram de 34%, 30% e 36%, respectivamente.
Os dados mostram aumento de um ponto percentual tanto na parcela de lavouras mais bem avaliadas quanto na de áreas em condições desfavoráveis, com redução da participação das classificadas como regulares.
Produção mundial deve cair e ficar abaixo do consumo em 2026/27
As projeções de setembro do Comitê Internacional do Algodão (Icac) indicam produção mundial de 25,817 milhões de toneladas na safra 2026/27, ante 26,942 milhões de toneladas em 2025/26.
O consumo global, por sua vez, está estimado em 25,999 milhões de toneladas, acima dos 25,815 milhões de toneladas previstos para a temporada anterior.
Com isso, a demanda projetada supera a produção em aproximadamente 182 mil toneladas no ciclo 2026/27. O cenário combina menor oferta produtiva e crescimento moderado do consumo.
Comércio global e estoques finais têm redução prevista
O Icac projeta exportações mundiais de 9,708 milhões de toneladas em 2026/27, abaixo dos 9,935 milhões de toneladas estimados para 2025/26.
Os estoques finais também devem diminuir, passando de 17,821 milhões para 17,638 milhões de toneladas entre as duas temporadas.
No Brasil, entretanto, o quadro imediato continua marcado pela disponibilidade de pluma e pela dificuldade de fechar novos negócios. A procura por qualidade oferece sustentação a determinados lotes, mas ainda não altera a pressão predominante sobre os preços.
Fonte: Portal do Agronegócio
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