Publicado em: 04/03/2026 às 11:50hs
Dados coletados ao longo de fevereiro mostram que o preço do algodão em pluma no Brasil apresentou comportamento essencialmente estável, mesmo em meio aos ajustamentos de mercado. Produtores consultados mantiveram firmeza nos valores pedidos, sobretudo para lotes de qualidade superior, enquanto aguardavam sinais mais nítidos de movimentação nos mercados internacionais e na demanda interna.
Nesse período de entressafra, as atenções de vendedores estiveram divididas entre a comercialização da soja e o próprio desenvolvimento da safra do algodão. Por parte da indústria, compradores relataram preocupações em relação ao desempenho das vendas de produtos manufaturados e à existência de estoques considerados elevados, o que condicionou aquisições pontuais e busca por preços mais competitivos.
O Indicador CEPEA/ESALQ — que reflete o preço do algodão com pagamento em oito dias — acumulou uma pequena valorização de 1,36% em fevereiro, fechando o mês em R$ 3,5227 por libra-peso. Fonte: Cepea/ESALQ.
Enquanto o cenário brasileiro se mantinha relativamente calmo, os contratos futuros de algodão nas bolsas internacionais apresentaram variações decorrentes de fatores macroeconômicos, câmbio e oferta e demanda globais.
No início de março de 2026, os principais contratos futuros de algodão negociados na Intercontinental Exchange (ICE Futures, Nova York) estavam sendo cotados na faixa de cerca de 64,15 a 64,55 centavos de dólar por libra-peso, com leves oscilações diárias conforme o comportamento do mercado. O volume negociado permanece ativo, refletindo interesse consistente dos investidores no produto mesmo em um ambiente de maior incerteza global.
Essas cotações situam os preços do algodão próximos aos níveis observados ao longo das últimas semanas, em uma tendência que combina resistência e volatilidade moderada nos mercados externos.
O desempenho do algodão nas bolsas internacionais não está isolado de outras variáveis econômicas. O fortalecimento ou enfraquecimento do dólar americano tem impacto direto sobre os preços futuros da fibra, já que contratos são cotados na moeda norte-americana. Uma moeda forte pode limitar ganhos, tornando o algodão mais caro para compradores estrangeiros, enquanto um dólar mais fraco pode oferecer suporte adicional às cotações.
Além disso, fatores como a alta de preços de insumos e a relação com commodities correlatas — por exemplo, os preços do petróleo, que influenciam custos de produção e substitutos têxteis — podem gerar pressão sobre os preços da fibra no curtíssimo prazo.
No contexto externo, expectativas sobre estoques, ritmo de exportações e dinâmica de produção continuam influenciando as negociações de algodão. Em períodos de estoques elevados e demanda moderada, agentes de mercado tendem a ajustar posições, buscando equilíbrio entre oferta e procura.
Essa combinação de fatores técnicos e fundamentais faz com que os contratos futuros de algodão sigam em uma faixa com certa resistência, ainda que existam oportunidades de movimentos pontuais dependendo do cenário global de commodities.
Especialistas em mercado de fibras alertam que a evolução dos preços em 2026 dependerá de uma série de variáveis, incluindo o comportamento da demanda internacional, a competitividade das exportações brasileiras, a evolução da safra doméstica e os rumos do contexto econômico global.
Com a perspectiva de preços relativamente estáveis no Brasil e cotações que flutuam em patamares intermediários nas bolsas internacionais, produtores e agentes de mercado seguem atentos às oscilações do câmbio, às condições de consumo têxtil global e às expectativas de oferta e estoques futuros.
Fonte: Portal do Agronegócio
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