Algodão: mercado físico tem baixa liquidez, enquanto USDA eleva previsão de produção global
Pluma brasileira registra pequenas altas nas principais referências, mas negociações seguem limitadas pela oferta restrita; USDA projeta safra mundial de 117,63 milhões de fardos em 2026/27
Publicado em: 14/08/2026 às 15:30hs
O mercado brasileiro de algodão encerrou a semana com baixo volume de negócios nas principais praças produtoras. A combinação entre oferta mais restrita de pluma no período e uma postura cautelosa dos compradores manteve a liquidez limitada no mercado físico.
De acordo com a Safras Consultoria, houve alguma demanda por parte de exportadores, inclusive para embarques com prazo de aproximadamente 30 dias vinculados ao contrato dezembro/26. No entanto, a disponibilidade mais enxuta de algodão brasileiro neste momento reduz o ritmo das negociações.
Mesmo com a baixa liquidez, os preços apresentaram leve valorização na comparação semanal.
Preço do algodão sobe em Rondonópolis
Em Rondonópolis (MT), a pluma foi negociada nesta quinta-feira (13) a R$ 4,05 por libra-peso, equivalente a aproximadamente R$ 133,85 por arroba.
Na semana anterior, o preço estava em R$ 4,02 por libra-peso, ou R$ 132,87 por arroba. Com isso, houve valorização de 0,74% no período.
O movimento mostra sustentação dos preços mesmo diante de um mercado com poucos negócios efetivamente realizados.
Indústria trabalha com compras pontuais
A indústria doméstica também manteve uma postura cautelosa, trabalhando praticamente da mão para a boca, com reposições pontuais conforme a necessidade.
No polo industrial de São Paulo, a referência para o algodão colocado avançou 0,96% em uma semana.
Nesta quinta-feira, o valor ficou próximo de R$ 4,22 por libra-peso, contra R$ 4,18 na quinta-feira anterior.
O comportamento indica que, apesar da demanda ainda limitada, os preços encontram suporte na disponibilidade mais restrita da matéria-prima.
USDA revisa produção de algodão dos Estados Unidos
No cenário internacional, o mercado acompanha as novas projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Para a temporada 2026/27, o USDA estimou a produção norte-americana de algodão em 13,61 milhões de fardos, abaixo dos 13,7 milhões de fardos projetados no relatório anterior.
Para a temporada 2025/26, a produção foi estimada em 13,9 milhões de fardos.
As exportações dos Estados Unidos foram mantidas em 12,3 milhões de fardos para 2026/27, enquanto o consumo doméstico permanece projetado em 1,6 milhão de fardos.
Com essas estimativas, os estoques finais norte-americanos devem alcançar 4 milhões de fardos ao final da temporada 2026/27, ante 4,1 milhões de fardos previstos anteriormente. Para 2025/26, o estoque final estimado é de 4,2 milhões de fardos.
Produção mundial de algodão é revisada para cima
O USDA também elevou a previsão para a produção mundial de algodão em 2026/27.
A estimativa passou de 117,26 milhões para 117,63 milhões de fardos. Apesar da revisão positiva, o volume permanece abaixo dos 121,97 milhões de fardos estimados para a temporada 2025/26.
As exportações globais também foram revisadas para cima, passando de 43,34 milhões para 43,82 milhões de fardos.
O consumo mundial foi projetado em 122,92 milhões de fardos, acima dos 121,95 milhões previstos no relatório de julho.
Esse cenário contribuiu para uma redução na projeção dos estoques finais globais. O USDA estima agora 69,69 milhões de fardos ao final da temporada 2026/27, contra 71,22 milhões na estimativa anterior.
Na temporada 2025/26, os estoques finais globais estavam projetados em 74,8 milhões de fardos.
Brasil ganha espaço nas projeções globais
Entre os principais produtores, o Brasil aparece com perspectiva de crescimento na produção de algodão em 2026/27.
A estimativa do USDA para a produção brasileira foi elevada de 18 milhões para 18,25 milhões de fardos.
O resultado mantém o país entre os principais fornecedores globais da fibra e reforça a importância da produção brasileira no equilíbrio do mercado internacional.
A produção da China foi mantida em 33,5 milhões de fardos, enquanto o Paquistão permanece com projeção de 5,1 milhões de fardos.
Para a Índia, maior produtor entre os países destacados no levantamento, a estimativa continua em 24 milhões de fardos.
Oferta e demanda serão determinantes para o mercado
O mercado de algodão entra em uma fase marcada pelo equilíbrio entre oferta física brasileira, demanda da indústria e comportamento dos compradores internacionais.
No Brasil, a disponibilidade mais restrita de pluma ajuda a limitar a liquidez, mas também oferece sustentação aos preços. Ao mesmo tempo, a indústria segue cautelosa e realiza compras conforme suas necessidades de curto prazo.
No exterior, o aumento da produção mundial projetada pelo USDA ocorre acompanhado de uma previsão de consumo ainda mais elevada, o que reduz os estoques finais globais.
Para os próximos meses, a evolução da demanda internacional, o ritmo das exportações brasileiras, o comportamento dos preços em Nova York e as condições das safras dos principais produtores deverão continuar no radar dos agentes do mercado.
Fonte: Portal do Agronegócio
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