Publicado em: 27/03/2026 às 19:00hs
O mercado internacional de algodão segue sustentado por fatores externos relevantes, como a valorização do petróleo e as condições climáticas adversas nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, incertezas geopolíticas e econômicas continuam influenciando o comportamento dos preços e a postura dos compradores.
O desempenho recente do algodão permanece fortemente atrelado às tensões no Oriente Médio. Segundo o analista da Safras & Mercado, Gil Barabach, os avanços e retrocessos nas negociações envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, em torno de um possível cessar-fogo, continuam impactando diretamente o humor dos investidores.
Esse ambiente de instabilidade mantém os mercados voláteis, com reações rápidas às mudanças no cenário geopolítico.
A valorização do petróleo tem papel central na sustentação do algodão. O encarecimento da commodity eleva os custos de produção das fibras sintéticas, como o poliéster, principal concorrente da fibra natural.
Com isso, a relação de preços entre algodão e poliéster atingiu o melhor nível desde 2020, favorecendo a competitividade do algodão no mercado global.
Por outro lado, o petróleo mais caro também gera efeitos negativos. O aumento dos custos energéticos pressiona a inflação global e pode desacelerar a atividade econômica, reduzindo o poder de compra da população.
Esse cenário impacta diretamente o consumo de algodão, que apresenta alta sensibilidade à renda, especialmente no setor têxtil.
Diante da combinação de preços elevados e incertezas logísticas, econômicas e geopolíticas, os compradores têm atuado com maior cautela.
As fiações, principais consumidoras da fibra, operam com estoques mais curtos, refletindo uma estratégia mais conservadora nas aquisições e contribuindo para limitar avanços mais expressivos nas cotações.
Apesar do suporte proporcionado pelo petróleo, a prolongação do conflito internacional começa a pesar mais sobre o mercado.
O ambiente de incerteza prolongada imprime um viés mais negativo aos preços do algodão, que giram ao redor de 68 centavos de dólar por libra-peso.
Outro fator relevante é a preocupação com a próxima safra norte-americana. Uma seca significativa atinge grande parte do cinturão produtor dos Estados Unidos, elevando os riscos para a produção.
Esse fator climático atua como suporte adicional para os preços do algodão no mercado futuro de Nova York.
Mesmo com a queda recente do petróleo tipo WTI, de cerca de 11% desde 20 de março, o algodão registrou recuo mais moderado, de aproximadamente 2% no mesmo período.
Esse movimento reflete o suporte vindo das condições climáticas nos Estados Unidos, além de uma correlação ainda relativamente limitada entre as duas commodities, atualmente em torno de 54%.
O mercado de algodão deve seguir sensível a fatores externos, como o cenário geopolítico, o comportamento do petróleo e as condições climáticas nos Estados Unidos.
A tendência é de manutenção da volatilidade, com sustentação pontual nos preços, mas com limitações impostas pela demanda mais cautelosa.
Fonte: Portal do Agronegócio
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