Colheita de algodão chega a 80% em Primavera do Leste e Mato Grosso reforça combate ao bicudo
Ritmo da colheita avança nas principais regiões produtoras do estado, enquanto produtores intensificam a destruição de soqueiras e o monitoramento de pragas
Publicado em: 10/08/2026 às 19:40hs
A colheita de algodão em Mato Grosso avançou para 80% da área cultivada em Primavera do Leste, no Vale do Araguaia, consolidando o município como uma das regiões mais adiantadas nos trabalhos de campo. O avanço ocorre em paralelo às ações de destruição de soqueiras e controle do bicudo-do-algodoeiro, consideradas estratégicas para reduzir a pressão de pragas na próxima safra.
Os dados são da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (AMPA) e correspondem ao período de 2 a 8 de agosto de 2026. O levantamento mostra ritmos diferentes entre as regiões produtoras, influenciados principalmente pelas condições climáticas e pelo estágio das lavouras.
Primavera do Leste lidera avanço da colheita
Em Primavera do Leste, a colheita alcançou 80% da área cultivada, com produtividade variando entre 280 e 320 arrobas por hectare.
Além da retirada do algodão dos campos, o município registra aceleração do beneficiamento da fibra e já iniciou o preparo do solo para o cultivo da soja.
O cenário também alimenta a expectativa de ampliação da área destinada ao algodão na próxima temporada, diante do desempenho produtivo e da importância da cultura para o sistema agrícola regional.
Sorriso e Lucas do Rio Verde superam metade da colheita
Na região Norte de Mato Grosso, os trabalhos também avançam em ritmo significativo.
Em Sorriso, aproximadamente 52% da área de algodão já foi colhida, com produtividade entre 260 e 390 arrobas por hectare.
Em Lucas do Rio Verde, a colheita alcançou 50% da área, com produtividade média de 310 arrobas por hectare. O rendimento de fibra está em torno de 41%, enquanto aproximadamente 15% do volume colhido já foi beneficiado.
As chuvas registradas durante o período afetaram lotes específicos no município, com impactos pontuais sobre a qualidade do produto.
Chuvas afetam qualidade em Campo Novo do Parecis
No Médio Norte, os produtores de Campo Novo do Parecis retomaram os trabalhos após o período de estiagem.
As precipitações registradas anteriormente provocaram perdas de qualidade e rendimento em determinados talhões. Além dos efeitos climáticos, o retorno da rebrota das plantas e a presença do bicudo-do-algodoeiro aumentam a necessidade de monitoramento das áreas.
A destruição adequada das soqueiras ganha importância justamente nesse período, pois o manejo inadequado pode favorecer a sobrevivência e a multiplicação da praga entre os ciclos produtivos.
Sapezal avança mais lentamente
Na região Noroeste, Sapezal contabiliza cerca de 25% da área de algodão colhida.
O ritmo dos trabalhos foi prejudicado pelos atrasos provocados pelas chuvas. Apesar disso, a produtividade média está estimada em aproximadamente 350 arrobas por hectare.
A evolução das operações dependerá das condições climáticas e da capacidade de avanço das máquinas nas áreas ainda pendentes de colheita.
Campo Verde chega a 25% da colheita
No Centro de Mato Grosso, Campo Verde alcançou 25% da área colhida, enquanto o beneficiamento corresponde a aproximadamente 12% do volume.
A produtividade apresenta ampla variação, entre 260 e 360 arrobas por hectare, refletindo as diferenças entre lavouras e condições de produção.
Na região, o manejo fitossanitário permanece como uma das prioridades. O monitoramento está concentrado principalmente no bicudo-do-algodoeiro e na mosca-branca, pragas que podem comprometer o potencial produtivo e a qualidade da fibra.
Rondonópolis chega a 45% da colheita
No Sul do estado, Rondonópolis já retirou cerca de 45% da área cultivada com algodão.
A produtividade varia entre 250 e 350 arrobas por hectare, mas o levantamento aponta diferenças na espessura da fibra em algumas áreas.
Outro ponto de atenção é o controle da rebrota das plantas após a colheita. A eliminação adequada das soqueiras é fundamental para reduzir a possibilidade de permanência de plantas hospedeiras e evitar a formação de novos focos de pragas.
Bicudo-do-algodoeiro exige atenção após a colheita
O avanço da colheita não encerra o trabalho de manejo fitossanitário. Pelo contrário, a fase de pós-colheita é considerada estratégica para reduzir a pressão de pragas na próxima temporada.
O bicudo-do-algodoeiro permanece entre as principais preocupações dos produtores mato-grossenses. A presença de rebrota nas áreas colhidas pode oferecer condições para a manutenção da praga, dificultando o controle entre as safras.
Por isso, a destruição eficiente das soqueiras, o monitoramento das áreas e a eliminação de plantas remanescentes fazem parte de uma estratégia integrada para reduzir os riscos no próximo ciclo.
Algodão mantém ritmo desigual em Mato Grosso
O levantamento da AMPA mostra que a colheita de algodão em Mato Grosso segue em diferentes velocidades entre as regiões.
Enquanto Primavera do Leste já alcança 80% da área colhida, municípios como Sorriso, Lucas do Rio Verde e Rondonópolis avançam entre 45% e 52%. Em Campo Verde e Sapezal, o percentual está em 25%.
Os condições climáticas continuam sendo um dos principais fatores de influência sobre o ritmo das operações e sobre a qualidade da fibra.
Ao mesmo tempo, produtores intensificam as ações de controle do bicudo, manejo da mosca-branca e destruição de soqueiras, preparando as áreas para a próxima safra.
Próxima safra já entra no planejamento
Com a colheita avançando, o planejamento da próxima temporada começa a ganhar espaço nas propriedades. Em Primavera do Leste, a expectativa de aumento da área de algodão reforça a importância de antecipar as decisões relacionadas ao manejo do solo, controle fitossanitário e organização do calendário agrícola.
O desempenho das lavouras atuais, aliado aos preços e às condições de mercado, deverá influenciar as decisões sobre a área cultivada na próxima safra.
Para os produtores, o desafio é concluir a colheita preservando a qualidade da fibra e, ao mesmo tempo, executar corretamente o manejo pós-colheita para reduzir a pressão de pragas no próximo ciclo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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