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Pesquisas

Embrapa lança software de acasalamento genético que aumenta produtividade e reduz consanguinidade no Gir Leiteiro

Nova ferramenta desenvolvida em parceria com a ABCGIL utiliza dados genômicos para orientar cruzamentos mais eficientes, preservar a diversidade genética e acelerar o melhoramento dos rebanhos leiteiros


Publicado em: 14/07/2026 às 16:00hs

Embrapa lança software de acasalamento genético que aumenta produtividade e reduz consanguinidade no Gir Leiteiro
Foto: Rubens Neiva

A pecuária leiteira de precisão ganhou uma nova ferramenta para ampliar o ganho genético e reduzir riscos associados à consanguinidade no rebanho. Desenvolvido pela Embrapa Gado de Leite em parceria com a Associação Brasileira dos Criadores de Gado Gir Leiteiro (ABCGIL), um novo software de simulação de acasalamentos promete tornar as decisões reprodutivas mais precisas na raça Gir Leiteiro.

A tecnologia combina informações de avaliação genética, dados de parentesco genômico e inteligência analítica para indicar os melhores cruzamentos, buscando maximizar características produtivas sem comprometer a sustentabilidade genética dos plantéis.

Tecnologia transforma dados genéticos em decisões estratégicas no campo

O sistema funciona como um consultor digital para os produtores, cruzando informações sobre valores genéticos estimados e relações de parentesco entre animais.

Segundo pesquisadores da Embrapa, a ferramenta permite simular diferentes combinações entre matrizes e reprodutores, identificando antecipadamente o potencial genético dos futuros descendentes e apontando possíveis riscos de aumento da consanguinidade.

A inovação representa um avanço importante para a seleção genética do Gir Leiteiro, uma vez que o uso intensivo de poucos touros de alto desempenho pode reduzir a diversidade genética da raça ao longo das gerações.

Controle da consanguinidade evita perdas produtivas no rebanho

A consanguinidade é um efeito natural dos programas de melhoramento genético, especialmente quando poucos reprodutores são utilizados de forma repetida para acelerar características desejáveis.

O problema ocorre quando esse processo ultrapassa níveis seguros, podendo provocar a chamada depressão endogâmica, fenômeno associado à redução do desempenho dos animais.

Entre os impactos estão:

  • Menor produção de leite e redução da persistência da lactação;
  • Queda nos índices reprodutivos;
  • Maior ocorrência de abortos e natimortos;
  • Redução da longevidade das vacas;
  • Maior vulnerabilidade a doenças;
  • Aumento da manifestação de defeitos genéticos recessivos.

Pesquisadores indicam que o coeficiente individual de consanguinidade deve permanecer, preferencialmente, abaixo de 6,25%. Acima desse nível, os prejuízos econômicos e zootécnicos podem se tornar mais evidentes dentro da propriedade.

Software calcula riscos antes da inseminação

Uma das principais funcionalidades da ferramenta é a capacidade de prever o coeficiente de consanguinidade do futuro animal antes da realização do acasalamento.

Ao selecionar uma matriz e um touro disponível no catálogo genético, o sistema avalia a combinação e alerta o produtor caso o cruzamento apresente risco elevado.

Com isso, o pecuarista pode escolher alternativas de reprodutores mantendo o avanço genético sem comprometer a saúde e a eficiência do rebanho.

A tecnologia também permite avaliar touros que ainda terão seus resultados publicados futuramente, ampliando a capacidade de planejamento dos programas de melhoramento.

Genômica amplia precisão da seleção genética

O desenvolvimento do software contou com o suporte do Laboratório de Bioinformática e Genômica Animal (LBGA), responsável pelo processamento de grandes volumes de informações genéticas.

Com o avanço da genotipagem, a seleção deixou de depender apenas dos registros tradicionais de pedigree e passou a incorporar centenas de milhares de marcadores moleculares conhecidos como SNPs.

Esses dados permitem calcular:

  • Valores genéticos preditivos dos animais;
  • Relações genômicas entre touros e matrizes;
  • Potencial produtivo dos descendentes;
  • Riscos associados ao parentesco genético.

A integração entre ciência de dados e melhoramento animal fortalece o conceito de pecuária de precisão, permitindo decisões mais rápidas e eficientes.

Ferramenta considera produção, qualidade do leite e reprodução

Além do controle da consanguinidade, o software incorpora diferentes critérios para otimizar os acasalamentos.

Entre os recursos disponíveis estão:

Seleção pelo Índice de Produção do Gir Leiteiro (IPGL)

O sistema utiliza o índice reformulado para equilibrar características como:

  • Produção de leite;
  • Teores de gordura e proteína;
  • Precocidade sexual.
Monitoramento de doenças genéticas

Os touros avaliados passam por filtros relacionados a mutações recessivas associadas a doenças hereditárias, como:

  • DUMPS (Deficiência da Uridina Monofosfato Sintase);
  • CVM (Doença do Complexo de Má Formação Vertebral);
  • BLAD (Deficiência de Adesão Leucocitária Bovina).
Seleção para qualidade do leite

A ferramenta permite identificar animais com características relacionadas à produção de leite A2 e variantes de kappa-caseína, associadas ao rendimento industrial na fabricação de derivados lácteos.

Apoio às biotecnologias reprodutivas

O sistema também incorpora informações voltadas à Fertilização In Vitro (FIV), auxiliando na escolha de doadoras com maior potencial para produção de oócitos.

Pecuária digital amplia competitividade do Gir Leiteiro

Para os criadores associados à ABCGIL, a nova tecnologia representa um avanço na democratização do melhoramento genético de precisão.

Ao reduzir erros de escolha de acasalamentos, o sistema ajuda a diminuir descartes involuntários, otimizar investimentos em reprodução e acelerar a evolução dos rebanhos.

A iniciativa reforça a transição da pecuária tradicional para uma produção baseada em dados, na qual decisões estratégicas são tomadas antes mesmo da inseminação artificial ou transferência de embriões.

Tecnologia abre caminho para cruzamentos entre diferentes raças

Embora inicialmente desenvolvida para o Gir Leiteiro, a inteligência criada pela Embrapa possui potencial de aplicação em outros sistemas de produção.

Uma das próximas etapas envolve uma plataforma genômica multirracial capaz de integrar informações de diferentes bases de dados, incluindo raças como Gir Leiteiro, Girolando e Holandês.

O objetivo é permitir simulações mais precisas para cruzamentos entre raças puras e sintéticas, auxiliando produtores na formação de rebanhos mestiços mais produtivos e adaptados.

Outras entidades do setor também avançam no uso de ferramentas semelhantes para controle genético e planejamento de acasalamentos, ampliando o uso da bioinformática na pecuária brasileira.

Melhoramento genético entra em uma nova era no campo

A combinação entre genética, inteligência computacional e análise de dados marca uma nova fase para a pecuária leiteira nacional.

Com o uso de softwares de acasalamento genético, produtores passam a ter maior controle sobre o futuro dos rebanhos, conciliando aumento da produtividade, qualidade do leite e preservação da diversidade genética.

A tecnologia desenvolvida pela Embrapa e pela ABCGIL consolida o Gir Leiteiro como uma raça estratégica para a produção leiteira sustentável e competitiva no Brasil e no mercado internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

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