Publicado em: 16/06/2026 às 08:30hs
A evolução da conectividade no Brasil vem transformando a logística aplicada ao agronegócio e ao transporte de cargas. A expansão das redes 4G e 5G nas rodovias, somada ao avanço de soluções via satélites de baixa órbita (LEO), deve acelerar a digitalização do setor e ampliar a eficiência operacional em todo o país.
Segundo estimativas do governo federal, a cobertura de internet móvel em rodovias deve crescer cerca de 60% nos próximos quatro anos, impulsionada por obrigações previstas em editais de concessão da faixa de 700 MHz, voltados à ampliação do sinal de telefonia e dados móveis.
Atualmente, de acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), pouco mais da metade dos 445.972 km de rodovias federais e estaduais contam com cobertura 4G ou 5G, evidenciando um grande potencial de expansão da conectividade no país.
A digitalização da logística se torna cada vez mais estratégica diante dos desafios da infraestrutura rodoviária brasileira. Dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT) apontam que cerca de 62% das rodovias estão em condições regulares, ruins ou péssimas, o que reforça a necessidade de soluções tecnológicas para gestão de risco e eficiência operacional.
Nesse contexto, tecnologias como Internet das Coisas (IoT) e comunicação máquina a máquina (M2M) já permitem o monitoramento em tempo real de veículos, manutenção preditiva e maior controle sobre o transporte de cargas.
A conectividade possibilita, por exemplo, o acompanhamento de alertas dos veículos e diagnósticos remotos, permitindo o agendamento de manutenções preventivas e corretivas com maior precisão.
Apesar dos avanços das redes terrestres, grande parte da malha rodoviária ainda enfrenta limitações de cobertura, especialmente em regiões remotas e trechos não pavimentados. Nesse cenário, os satélites de baixa órbita (LEO) surgem como alternativa estratégica para garantir conectividade contínua.
Essas soluções permitem o monitoramento em tempo real de cargas, mesmo em “áreas de sombra”, onde não há sinal de rede móvel. Além disso, viabilizam transmissão de dados operacionais, suporte técnico remoto e atualizações de sistemas sem interromper o fluxo logístico.
A tecnologia também pode ser aplicada tanto ao transporte rodoviário quanto ferroviário, ampliando o controle sobre toda a cadeia de suprimentos.
A adoção de uma infraestrutura híbrida, combinando redes celulares e satélites LEO, vem sendo apontada como uma das principais tendências para o setor logístico.
Esse modelo permite rastreamento contínuo das mercadorias ao longo de toda a jornada, aumentando a visibilidade operacional e contribuindo diretamente para a prevenção de roubos, desvios e perdas.
Com dados em tempo real, as empresas conseguem:
Além disso, a integração de plataformas de monitoramento garante que diferentes áreas da operação — como armazéns, transporte e coordenação logística — tenham acesso a informações atualizadas para tomada de decisão mais precisa.
A combinação entre satélites LEO e IoT também permite monitoramento avançado das condições da carga durante o transporte. Sensores podem acompanhar variáveis como temperatura, umidade e condições atmosféricas, fator essencial para produtos sensíveis como alimentos perecíveis e insumos farmacêuticos.
Com isso, ajustes podem ser feitos em tempo real para evitar perdas e garantir a integridade dos produtos ao longo da cadeia logística.
O avanço da conectividade por satélite representa um passo decisivo para tornar a logística brasileira mais eficiente, segura e integrada. A supervisão contínua de veículos e cargas permite maior previsibilidade operacional, redução de custos e aumento da competitividade no agronegócio.
A tendência é que a infraestrutura híbrida de conectividade se consolide como base para cadeias de suprimentos mais ágeis, resilientes e sustentáveis, especialmente em um país de dimensões continentais como o Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
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