Biotecnologia ocupa quase 100% das áreas de soja e algodão com sementes certificadas
Dados do CropData para a safra 2025/26 mostram predomínio de tecnologias que combinam resistência a insetos e tolerância a herbicidas; levantamento também aponta avanço das sementes não certificadas.
Publicado em: 29/10/2026 às 11:45hs
A biotecnologia está presente em praticamente toda a área de soja e algodão cultivada com sementes certificadas no Brasil, segundo dados da safra 2025/2026 disponíveis no CropData, plataforma da CropLife Brasil.
O levantamento mostra que as tecnologias que combinam resistência a insetos e tolerância a herbicidas predominam nas duas culturas. O recorte, porém, considera especificamente as lavouras com sementes certificadas e não deve ser interpretado como a totalidade da área plantada no país.
Os números integram uma nova funcionalidade do portal, que permite consultar a área por biotecnologia, com detalhamento por cultura e pelas características incorporadas às sementes.
Soja tem 38 milhões de hectares com tecnologias combinadas
Na soja, as sementes que reúnem resistência a insetos e tolerância a herbicidas ocuparam 38 milhões de hectares em 2025/26, equivalentes a 78% da área total plantada, conforme o CropData.
Outros 1 milhão de hectares, cerca de 2% da área, utilizaram biotecnologia exclusivamente voltada à tolerância a herbicidas.
As características combinadas oferecem ferramentas para o controle de determinados insetos e para o manejo de plantas daninhas. Entre os exemplos está a tecnologia Bt, baseada em proteínas da bactéria Bacillus thuringiensis com ação contra insetos-alvo.
Algodão apresenta maior participação de resistência a insetos
Na cotonicultura, a combinação de resistência a insetos e tolerância a herbicidas esteve presente em 1,1 milhão de hectares, correspondentes a 55% da área cultivada na safra 2025/26.
As tecnologias exclusivamente destinadas à resistência a insetos ocuparam 800 mil hectares, ou 40% da área.
Segundo a plataforma, as lavouras convencionais, sem eventos transgênicos, têm participação praticamente inexistente entre as áreas de soja e algodão plantadas com sementes certificadas.
Área com sementes não certificadas cresce 210%
O levantamento também registra expansão da área classificada como cultivada com sementes não certificadas, categoria que reúne sementes próprias, também chamadas de salvas, e sementes identificadas como piratas.
Entre as safras 2021/22 e 2025/26, essa área aumentou 210%, segundo a série apresentada pela CropLife Brasil.
Na soja, o grupo alcançou 9,6 milhões de hectares, aproximadamente 20% da área cultivada. No algodão, foram mapeados 47 mil hectares, cerca de 2,4%.
Como o levantamento reúne sementes próprias e piratas em uma mesma categoria, os números apresentados não permitem identificar separadamente a participação de cada uma.
CropLife associa expansão produtiva à inovação nas sementes
De acordo com os dados divulgados pela entidade, entre 1998/99 e 2025/26, a produção conjunta de soja e algodão avançou, em média, 6,8% ao ano, enquanto a área plantada cresceu 5% ao ano.
Para Renato Gomides, gerente executivo da CropLife Brasil, a biotecnologia contribuiu para ampliar a produção sem exigir expansão proporcional da área agrícola.
O executivo também destaca a importância da continuidade das pesquisas diante da instabilidade climática e dos desafios relacionados à resistência de pragas. A evolução da produção apresentada no levantamento, contudo, reúne um período de mudanças em diferentes componentes dos sistemas agrícolas.
Estudo estima ganhos econômicos e menor necessidade de expansão agrícola
O material também apresenta resultados de um estudo da CropLife Brasil com a Agroconsult, publicado em 2023, sobre os primeiros 25 anos de adoção da biotecnologia no país.
Segundo essa pesquisa, a tecnologia contribuiu para evitar a necessidade de expansão sobre 21,4 milhões de hectares, considerando soja, milho, algodão, feijão e cana-de-açúcar.
Nas comparações com variedades convencionais, o estudo estimou margem por hectare até 7% superior na soja e 64% maior no algodão. A economia com defensivos químicos chegou a R$ 262 por hectare na soja e R$ 1.048 por hectare no algodão.
A pesquisa também calculou redução de 35% na dosagem de defensivos aplicada à soja e de 27,5% no algodão. Esses resultados pertencem ao estudo histórico divulgado em 2023 e são distintos dos dados de adoção de sementes referentes à safra 2025/26.
Para a CropLife Brasil, o desenvolvimento de novas biotecnologias permanece estratégico para ampliar a eficiência produtiva e oferecer alternativas de manejo aos agricultores.
Fonte: Portal do Agronegócio
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