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Algodão

Algodão sustentável: 13 fazendas de Minas Gerais conquistam certificação ABR e BCI

Com mais de 17 mil hectares certificados na safra 2025/2026, o estado amplia sua presença no mercado internacional de algodão sustentável. Reconhecimento atesta conformidade trabalhista, boas práticas ambientais, gestão eficiente e rastreabilidade da produção


Publicado em: 28/10/2026 às 09:30hs

Algodão sustentável: 13 fazendas de Minas Gerais conquistam certificação ABR e BCI

Minas Gerais fortalece sua posição no mercado global de algodão sustentável. A Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa) concluiu o ciclo de certificação da safra 2025/2026 com 13 propriedades rurais aprovadas no Programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR). As fazendas também mantêm a certificação internacional da Better Cotton Initiative (BCI), ampliando as condições de acesso a mercados que exigem transparência e responsabilidade na cadeia produtiva.

A aprovação ocorreu após as propriedades cumprirem as etapas de Verificação para Diagnóstico da Propriedade (VDP) e de implementação do Plano de Correção de Não Conformidades (PCNC), com acompanhamento técnico da Amipa.

Os reconhecimentos comprovam a adequação das fazendas a critérios relacionados às condições de trabalho, à conservação ambiental e à eficiência da gestão operacional. Esses requisitos ganham relevância na comercialização da pluma, especialmente no mercado externo.

Minas Gerais tem mais de 17 mil hectares de algodão certificados

Na safra 2025/2026, Minas Gerais ocupa a quarta posição entre os maiores produtores brasileiros de algodão, com mais de 39 mil hectares plantados. Desse total, mais de 17 mil hectares correspondem a áreas certificadas.

O estado também se destaca pela produtividade. Em 2023, registrou o maior rendimento de algodão em pluma do país, com 2.045 quilos por hectare, conforme dados citados da Abrapa e da Agência Minas.

Para Daniel Bruxel, presidente da Amipa, o avanço da certificação demonstra que os produtores mineiros estão incorporando os requisitos de sustentabilidade à administração das propriedades.

“Essas treze propriedades mostram que o produtor mineiro tem incorporado a certificação à gestão da fazenda. Além de atender às exigências do mercado, o processo melhora rotinas, amplia a segurança dos trabalhadores e torna a operação mais eficiente”, afirma.

Certificação ABR e BCI exige conformidade com critérios rigorosos

A certificação conjunta pelos programas ABR e BCI exige 90% de conformidade nos critérios estabelecidos, além do atendimento integral aos Critérios Mínimos de Produção.

De acordo com Luis André de Queiroz, consultor técnico da Amipa, a entidade fornece modelos de documentos e assessoria para orientar os produtores na adoção dos protocolos exigidos pelo mercado.

O trabalho começa antes da auditoria oficial, com diagnósticos preventivos que identificam as adequações necessárias nas propriedades. A preparação permite organizar processos, corrigir não conformidades e fortalecer os controles internos.

Programa ABR amplia exigências trabalhistas e ambientais

Criado em 2012 pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o Programa Algodão Brasileiro Responsável tem a conformidade trabalhista entre seus principais pilares.

Os requisitos incluem alinhamento à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e à Norma Regulamentadora nº 31 (NR-31), além de boas práticas agrícolas, cuidados com a saúde do solo e destinação adequada de resíduos.

O programa também considera medidas de adaptação às mudanças climáticas. Entre as iniciativas avaliadas estão a utilização de energia fotovoltaica, o cultivo de plantas de cobertura e o mapeamento das emissões de carbono, desenvolvido em parceria com a Embrapa.

Outra frente é o aprimoramento da transparência. Neste ano, o ABR lançou seu primeiro relatório de sustentabilidade baseado no padrão internacional Global Reporting Initiative (GRI).

Segundo Fábio Carneiro, gerente de Sustentabilidade da Abrapa, a iniciativa busca estruturar informações relevantes para o setor têxtil e demonstrar os avanços alcançados pelo programa.

Desde 2025, a estruturação do Instituto ABR também reúne produtores, indústria, academia, organizações não governamentais e marcas do varejo global para discutir as diretrizes estratégicas da iniciativa.

Rastreabilidade do algodão fortalece a confiança dos compradores

A certificação também contribui para demonstrar a origem da fibra e os controles adotados durante a produção. Com a evolução das exigências regulatórias da União Europeia para as cadeias de fornecimento, a rastreabilidade física e a comprovação de informações sobre origem e impactos ambientais e sociais ganham importância no comércio internacional.

O Brasil representa mais de um terço do volume global licenciado, segundo estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a safra 2024/2025.

Nesse cenário, o reconhecimento ABR permite ao produtor habilitado comercializar a safra como algodão certificado BCI, conforme as regras aplicáveis ao programa.

Grupo Farroupilha mantém cinco propriedades certificadas em Minas

A aplicação dos protocolos pode ser observada no Grupo Farroupilha, sediado em Patos de Minas (MG), que mantém cinco propriedades certificadas no estado. As unidades estão localizadas nos municípios de Coromandel, Presidente Olegário, São Gonçalo do Abaeté e Buritizeiro.

Para Carolina Lara Vasconcelos Ferreira, gerente de Saúde, Segurança e Sustentabilidade da empresa, a auditoria externa funciona como uma validação dos procedimentos adotados nas fazendas.

Segundo ela, os controles abrangem o uso de defensivos agrícolas, o fornecimento de equipamentos de proteção individual, a realização de exames médicos e os treinamentos periódicos dos trabalhadores.

A rastreabilidade acompanha o produto desde a semente até o fardo, contribuindo para preservar a qualidade da fibra processada na unidade do grupo em Patos de Minas.

Amipa trabalha para ampliar a certificação no estado

Para incorporar novas propriedades ao sistema, a Amipa adota um ciclo de adaptação de dois anos. No primeiro, são realizados o diagnóstico e a implantação das medidas necessárias. No segundo, a propriedade passa pela auditoria e pelo processo de certificação.

A entidade também atua em parceria com o governo estadual no programa Certifica Minas Algodão.

A meta, segundo Luis André de Queiroz, é ampliar a rede de propriedades certificadas e oferecer mais garantias à indústria têxtil sobre a origem e os padrões de produção da fibra mineira.

O avanço da certificação fortalece a capacidade do algodão de Minas Gerais de atender a compradores que valorizam responsabilidade socioambiental, controle operacional e rastreabilidade, fatores cada vez mais relevantes para a competitividade no mercado internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

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