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Biotecnologia

Biotecnologia no agro: benefícios ao consumidor e segurança regulatória são desafios, aponta debate no GAFFFF

Representantes do Brasil, da Argentina e dos Estados Unidos defendem comunicação mais clara sobre os efeitos da inovação na produção, no ambiente e na rotina das famílias rurais


Publicado em: 06/10/2026 às 16:30hs

Biotecnologia no agro: benefícios ao consumidor e segurança regulatória são desafios, aponta debate no GAFFFF

Mostrar como a biotecnologia agrícola beneficia a sociedade é um dos principais desafios para ampliar a confiança pública e enfrentar barreiras regulatórias internacionais. Essa foi a avaliação apresentada por especialistas do Brasil, da Argentina e dos Estados Unidos durante o GAFFFF 2026, promovido pela DATAGRO no Nubank Parque, em São Paulo.

No painel “Desafios Regulatórios Internacionais Associados à Biotecnologia”, os participantes discutiram a distância entre os avanços obtidos no campo e a compreensão desses resultados pela população. Segundo os debatedores, ganhos de produtividade, eficiência e sustentabilidade precisam ser traduzidos em benefícios que façam sentido também para quem não participa diretamente da produção agrícola.

A conversa foi moderada por Benno van der Laan, diretor executivo da Aliança de Associações de Produtores e Exportadores de Milho da Argentina, do Brasil e dos Estados Unidos (MAIZALL). Participaram Adriana Brondani, fundadora da Biofocus Hub, consultora da CropLife e integrante do Conselho Consultivo do Pacto Global da ONU no Brasil; Andrew Brandt, diretor de políticas comerciais do U.S. Grains & BioProducts Council; Manuel Ron, agricultor e conselheiro da MAIZALL; e Paulo Bertolini, presidente da ABRAMILHO e membro do Conselho de Administração da MAIZALL.

Comunicação precisa conectar biotecnologia às necessidades das pessoas

Para Adriana Brondani, a comunicação sobre organismos geneticamente modificados concentrou esforços em explicar o funcionamento da tecnologia, mas nem sempre conseguiu demonstrar sua utilidade para a sociedade.

Questões como controle de lagartas e aumento da produtividade fazem parte da realidade do agricultor. Para o público distante do campo, entretanto, esses resultados podem não representar um benefício imediatamente reconhecível.

“Nós tivemos uma preocupação muito grande de explicar a tecnologia, mais do que falar das pessoas”, afirmou.

Na avaliação da especialista, aproximar a inovação das necessidades e dos valores do público é essencial para melhorar a compreensão sobre seu papel na agricultura.

Diferenças regulatórias e confiança institucional influenciam aceitação

Adriana também destacou que interpretações regulatórias distintas entre países e a falta de confiança nas instituições contribuem para a resistência à biotecnologia.

Segundo ela, a experiência brasileira reforça a importância de regras capazes de transmitir segurança sobre os produtos desenvolvidos. A especialista citou décadas de adoção agrícola e o conjunto de dados de biossegurança acumulados nesse período como elementos relevantes para o debate.

A discussão, conforme sua avaliação, precisa combinar evidências científicas, clareza regulatória e uma comunicação acessível sobre os resultados da tecnologia.

Argentina associa adoção à expansão agrícola e às mudanças no manejo

Manuel Ron apresentou a experiência argentina, onde a adoção da soja transgênica começou em 1996, seguida pelo milho a partir dos anos 2000.

Segundo o agricultor, a incorporação dessas tecnologias modificou práticas de manejo, ampliou as janelas de plantio e contribuiu para o crescimento da produção de milho, soja e algodão.

Ron também associou a biotecnologia à redução do uso de inseticidas e herbicidas, à diminuição das operações nas lavouras e à expansão do plantio direto.

Outro efeito destacado foi a maior disponibilidade de milho para diferentes usos, incluindo a fabricação de etanol. O representante da MAIZALL lembrou que Argentina, Brasil e Estados Unidos destinam parte da produção do cereal à bioenergia.

Ao abordar a relação com a transição energética, Ron afirmou que o etanol de milho pode reduzir em mais de 70% as emissões de gases de efeito estufa. O percentual foi apresentado pelo agricultor durante o painel.

Nos Estados Unidos, redução de perdas também melhora a rotina rural

Andrew Brandt ressaltou que os efeitos da biotecnologia nos Estados Unidos vão além do aumento da produtividade. Em sua avaliação, a capacidade de limitar perdas em períodos de seca ou de maior pressão de insetos também representa uma contribuição importante.

O executivo citou o milho Bt como exemplo de tecnologia que permite maior proteção da lavoura e, conforme seu relato, oferece mais flexibilidade ao planejamento da colheita.

Para ilustrar o impacto na vida das famílias, Brandt contou a experiência de um produtor de Iowa que deixou de precisar antecipar a retirada do milho do campo e passou a acompanhar os jogos de vôlei da filha.

O caso foi apresentado como exemplo de um benefício que costuma receber menos atenção nas discussões técnicas: a possibilidade de organizar melhor o trabalho e dedicar mais tempo à família.

Plantio direto e conservação do solo integram o debate

Brandt também relacionou a expansão da biotecnologia ao avanço do plantio direto no Centro-Oeste dos Estados Unidos.

Segundo ele, a combinação dessas ferramentas ajudou a reduzir a necessidade de revolvimento do solo e a preservar sua camada superficial, importante para a produtividade das lavouras.

Os relatos apresentados no painel reforçaram a defesa de uma comunicação que conecte os resultados agronômicos aos seus efeitos práticos. Para os especialistas, explicar como a inovação altera o manejo, reduz perdas e influencia a vida de quem produz é parte central do esforço para ampliar a compreensão pública sobre a biotecnologia agrícola.

Fonte: Portal do Agronegócio

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