PIB do Rio Grande do Sul fica estagnado no 1º trimestre de 2026 após forte retração da agropecuária
Queda de 9,9% no campo limita crescimento da economia gaúcha, enquanto indústria e serviços registram desempenho positivo; exportações do agronegócio seguem em alta.
Publicado em: 04/08/2026 às 10:40hs
A economia do Rio Grande do Sul iniciou 2026 em ritmo de estabilidade, impactada principalmente pelo desempenho negativo da agropecuária. O Produto Interno Bruto (PIB) do Estado permaneceu estável no primeiro trimestre em relação aos três meses anteriores, registrando variação de 0,0% na série com ajuste sazonal. Na comparação com o mesmo período de 2025, o crescimento foi de apenas 0,4%.
Os dados integram o Boletim de Conjuntura do Rio Grande do Sul, elaborado pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), que reúne indicadores econômicos estaduais, nacionais e internacionais.
Agropecuária recua quase 10% e freia avanço da economia
A principal influência negativa sobre o PIB gaúcho foi a agropecuária, que apresentou retração de 9,9% no primeiro trimestre de 2026.
Segundo o levantamento, o desempenho foi impactado principalmente pela redução da produção de arroz e fumo, culturas que tiveram menor participação na atividade econômica do período.
Por outro lado, as perspectivas para as principais commodities agrícolas são mais favoráveis nos meses seguintes. As estimativas indicam crescimento de 21,8% na produção de milho e de 34,6% na soja, com maior impacto esperado sobre a economia estadual durante o segundo trimestre.
Outro dado que chama atenção é a redução de 23,6% na área plantada de trigo, fator que poderá influenciar a oferta do cereal na próxima safra.
Indústria e serviços sustentam o PIB gaúcho
Enquanto o setor agropecuário apresentou forte retração, a indústria e os serviços evitaram um resultado negativo para a economia estadual.
A indústria avançou 0,9% no primeiro trimestre, enquanto o setor de serviços registrou crescimento de 0,2%, compensando parcialmente as perdas observadas no campo.
O desempenho evidencia a importância da diversificação econômica do Estado, embora o agronegócio continue exercendo papel decisivo sobre a atividade econômica gaúcha.
Mercado de trabalho mantém cenário favorável
Mesmo com a desaceleração da agropecuária, o mercado de trabalho apresentou indicadores positivos.
A taxa de desocupação caiu para 4% no primeiro trimestre de 2026, redução de 1,2 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior.
O número de pessoas ocupadas permaneceu praticamente estável, totalizando 5,895 milhões de trabalhadores.
Já o rendimento médio mensal real alcançou R$ 4.127, crescimento de 5,5% na comparação anual. A massa de rendimentos somou R$ 23,9 bilhões, alta de 6,1%, refletindo maior poder de compra das famílias.
Emprego formal apresenta resultados mistos
Os dados do Novo Caged mostram que o mercado formal registrou saldo negativo de 3.474 vagas no trimestre encerrado em maio.
No entanto, considerando os últimos 12 meses, o Estado acumulou saldo positivo de 10.546 empregos com carteira assinada.
O setor de serviços foi o principal responsável pela geração de empregos, com 19.921 novas vagas, enquanto indústria, comércio e construção civil encerraram o período com resultados negativos.
Exportações do agronegócio impulsionam comércio exterior
O comércio exterior apresentou desempenho positivo no primeiro semestre de 2026.
As exportações do Rio Grande do Sul alcançaram US$ 9,844 bilhões, crescimento de 4,9% em relação ao mesmo período do ano passado.
O destaque ficou para os produtos alimentícios e agropecuários, que registraram expansão de 22,3%, reforçando a importância do agronegócio para a balança comercial gaúcha.
Em sentido contrário, as exportações de produtos derivados do tabaco recuaram 25,2%, reduzindo parte do avanço das vendas externas.
Arrecadação de ICMS recua no semestre
A arrecadação estadual de ICMS totalizou R$ 27,54 bilhões no primeiro semestre de 2026, valor 3,2% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior.
Segundo o boletim, a comparação é influenciada pelo programa extraordinário de regularização fiscal realizado entre março e junho de 2025, que acrescentou aproximadamente R$ 1,44 bilhão à arrecadação daquele período.
Economia brasileira cresce acima do Rio Grande do Sul
Enquanto a economia gaúcha permaneceu estável, o Brasil apresentou desempenho mais robusto.
O PIB nacional avançou 1,1% no primeiro trimestre de 2026 frente ao trimestre anterior e 1,8% na comparação anual.
Entre os setores, a agropecuária cresceu 2%, a indústria avançou 1% e os serviços registraram expansão de 0,5%.
Nos componentes da demanda, a Formação Bruta de Capital Fixo aumentou 3,5%, as importações cresceram 4,4% e as exportações recuaram 1,7%.
No mercado de trabalho brasileiro, a taxa de desocupação ficou em 5,6%, enquanto o rendimento médio real atingiu R$ 3.726. Já a inflação acumulada em 12 meses, medida pelo IPCA até junho, alcançou 4,64%, com a taxa Selic mantida em 14,25% ao ano.
Cenário internacional mantém desafios para o agronegócio
O Boletim de Conjuntura também destaca que a economia global segue marcada por desempenhos distintos entre as principais economias e pela influência das tensões geopolíticas no Oriente Médio sobre os preços das commodities e as expectativas de inflação.
De acordo com as projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), a economia mundial deverá crescer 3% em 2026.
Para o agronegócio brasileiro, a combinação entre cenário externo, comportamento das commodities e evolução da produção agrícola continuará sendo determinante para o desempenho econômico dos próximos trimestres, especialmente em estados com forte dependência da atividade rural, como o Rio Grande do Sul.
Fonte: Portal do Agronegócio
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