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Crédito Rural

Crédito rural empresarial soma R$ 65,7 bilhões e CPR lidera contratações na safra 2026/27

Cédulas de Produto Rural movimentaram R$ 32,4 bilhões entre julho e agosto, superando o custeio convencional; recursos para financiamento da produção concentraram 84,1% do total


Publicado em: 10/09/2026 às 11:00hs

Crédito rural empresarial soma R$ 65,7 bilhões e CPR lidera contratações na safra 2026/27

O crédito rural destinado à agricultura empresarial alcançou R$ 65,7 bilhões nos dois primeiros meses da safra 2026/2027. O volume foi contratado entre julho e agosto de 2026 por médios e grandes produtores, incluindo beneficiários do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp).

Os dados fazem parte do segundo Boletim de Desempenho do Plano Safra 2026/2027, elaborado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) a partir das informações do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central.

O levantamento exclui as operações contratadas pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Os números são provisórios e foram extraídos em 3 de setembro de 2026.

CPR movimenta R$ 32,4 bilhões e lidera crédito rural

As Cédulas de Produto Rural (CPRs) consolidaram-se como o principal instrumento de financiamento da agricultura empresarial no início da safra.

Entre julho e agosto, as CPRs movimentaram R$ 32,4 bilhões, equivalentes a 49,2% de todo o crédito contratado no período.

O valor superou os R$ 23 bilhões aplicados por meio das operações convencionais de custeio, que responderam por 34,9% do total.

Somadas, CPRs e linhas de custeio mobilizaram R$ 55,3 bilhões, representando 84,1% do crédito rural empresarial concedido no bimestre. Essa concentração é característica do início da safra de verão, quando aumenta a demanda por recursos para a compra de sementes, fertilizantes, defensivos, combustíveis e outros insumos.

A CPR permite ao produtor captar recursos mediante o compromisso de entregar produtos agropecuários ou realizar a liquidação financeira da operação em uma data futura. O avanço desse instrumento evidencia sua crescente participação no financiamento da produção rural.

Custeio convencional alcança R$ 23 bilhões

Nas operações tradicionais de custeio, os produtores classificados pelo Mapa como “Demais Empresarial” — grupo formado por médios e grandes produtores fora do Pronamp — contrataram aproximadamente R$ 12 bilhões.

Esse segmento respondeu por 52,2% dos R$ 23 bilhões destinados ao custeio convencional.

Os produtores enquadrados no Pronamp contrataram cerca de R$ 11 bilhões, correspondentes a 47,8% do total. A distribuição mostra uma participação equilibrada entre os médios produtores atendidos pelo programa e os demais empreendimentos empresariais.

Na divisão geral por segmento, sem considerar a classificação individual das CPRs, o grupo Demais Empresarial respondeu por R$ 22 bilhões, ou 33,5% das concessões. O Pronamp somou R$ 11,4 bilhões, equivalentes a 17,3%.

Comercialização e industrialização recebem R$ 6,9 bilhões

As operações voltadas à comercialização da produção agropecuária movimentaram pouco mais de R$ 4 bilhões nos dois primeiros meses da safra, o equivalente a 6,1% do crédito concedido.

Para a industrialização foram direcionados R$ 2,9 bilhões, correspondentes a 4,5% do total. As duas modalidades ficaram concentradas entre os produtores e empreendimentos classificados no grupo Demais Empresarial.

O crédito de comercialização pode ser utilizado para armazenar a produção e evitar vendas em momentos de preços desfavoráveis. Já as linhas de industrialização financiam o processamento, o beneficiamento e a agregação de valor aos produtos agropecuários.

Investimentos somam R$ 3,5 bilhões

As contratações destinadas a investimentos totalizaram R$ 3,49 bilhões entre julho e agosto, representando 5,3% de todo o crédito rural empresarial concedido.

Esses recursos são utilizados na aquisição de máquinas e equipamentos, implantação de sistemas de irrigação, construção e modernização de armazéns, recuperação ambiental e adoção de novas tecnologias.

Entre os programas específicos, o Pronamp Investimento registrou o maior volume, com R$ 428 milhões. Em seguida apareceu o RenovAgro, com R$ 413 milhões.

O Moderfrota movimentou R$ 250 milhões; o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), R$ 227 milhões; e o Inovagro, R$ 164 milhões.

O Mapa ressalta que o volume de investimento ainda é reduzido em relação à programação anual porque julho e agosto representam apenas o início do ciclo de contratação.

Agricultura empresarial registra mais de 70 mil contratos

A agricultura empresarial contabilizou 70.657 contratos de crédito rural no bimestre.

Desse total, 23.478 foram operações de CPR. O custeio convencional respondeu por 38.956 contratos, sendo 29.712 vinculados ao Pronamp e 9.244 contratados pelos demais produtores empresariais.

As operações de investimento somaram 7.325 contratos. O grupo Demais Empresarial foi responsável por 5.478 operações, enquanto o Pronamp contabilizou 1.847.

O valor médio considerando todas as modalidades ficou próximo de R$ 930 mil por contrato. Nas CPRs, o tíquete médio alcançou aproximadamente R$ 1,38 milhão.

Sul lidera em volume e número de operações

Na distribuição regional das concessões sem considerar as CPRs, o Sul concentrou o maior volume de crédito e o maior número de contratos.

A região registrou 22.631 operações, que movimentaram R$ 11,7 bilhões. O Paraná respondeu por 49% desse volume regional, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 36%, e por Santa Catarina, com 15%.

O Sudeste ocupou a segunda posição, com R$ 9,6 bilhões distribuídos em 12.771 contratos. Minas Gerais concentrou 56% do crédito concedido na região, enquanto São Paulo respondeu por 34%.

No Centro-Oeste, foram contratados R$ 7,2 bilhões em 7.035 operações. Mato Grosso respondeu por 39% do valor regional, Goiás por 35% e Mato Grosso do Sul por 26%.

O Nordeste somou R$ 3,2 bilhões em 3.006 contratos. A Bahia concentrou 46% do total da região, seguida por Maranhão, com 20%, e Piauí, com 14%.

No Norte, as concessões atingiram R$ 1,7 bilhão, distribuídas em 1.736 contratos. Tocantins respondeu por 41% do crédito regional, o Pará por 35% e Rondônia por 21%.

Nordeste tem maior valor médio por contrato

Apesar de o Sul liderar em volume e número de operações, o Nordeste apresentou o maior tíquete médio entre as concessões regionais sem CPR, com aproximadamente R$ 1,05 milhão por contrato.

O Centro-Oeste apareceu logo depois, com valor médio de R$ 1,03 milhão, seguido pelo Norte, com R$ 980,4 mil.

O resultado do Nordeste está relacionado ao porte das contratações realizadas principalmente na Bahia, no Maranhão e no Piauí, estados que integram importantes áreas de expansão e consolidação da produção de grãos.

No Sul, o valor médio foi de R$ 516,5 mil, o menor entre as regiões. O número reflete uma distribuição mais pulverizada do crédito entre produtores de menor porte relativo.

Recursos obrigatórios lideram fontes controladas

As fontes controladas responderam por R$ 24,5 bilhões das concessões realizadas sem CPR.

Os Recursos Obrigatórios, formados pela parcela dos depósitos à vista que as instituições financeiras devem direcionar ao crédito rural, foram a principal fonte controlada. A modalidade disponibilizou R$ 9,9 bilhões, equivalentes a 41% do grupo.

A Letra de Crédito do Agronegócio na modalidade controlada respondeu por R$ 6,7 bilhões, ou 28%. A Poupança Rural Controlada movimentou R$ 3,1 bilhões, enquanto os Fundos Constitucionais somaram R$ 2,6 bilhões.

Entre as fontes não controladas, a LCA Livre liderou com R$ 7,6 bilhões. As fontes livres totalizaram aproximadamente R$ 8,9 bilhões, equivalentes a 14% do crédito empresarial concedido no período.

Segundo o boletim, a maior participação das fontes controladas significa, na prática, uma presença mais elevada de financiamentos contratados com taxas de juros inferiores às cobradas livremente pelo mercado.

Recursos equalizados chegam a R$ 10,9 bilhões

A programação de recursos equalizáveis para a safra 2026/2027 totaliza R$ 97,6 bilhões, conforme a Portaria nº 2.170 do Ministério da Fazenda, publicada em 22 de julho de 2026.

Nas operações equalizadas, o governo cobre parte da diferença entre a taxa cobrada do produtor e o custo de captação das instituições financeiras.

Nos dois primeiros meses da safra, foram concedidos R$ 10,9 bilhões, cerca de 11% da programação. Desse montante, R$ 9,1 bilhões foram destinados ao custeio, R$ 1,69 bilhão aos investimentos e R$ 170 milhões à comercialização.

O Mapa alerta que os percentuais iniciais de execução não devem ser interpretados como projeção para toda a safra, uma vez que as contratações avançam gradualmente ao longo do ciclo.

Banco do Brasil e BNDES concentram crédito para investimento

Nas linhas equalizáveis de investimento, o Banco do Brasil respondeu por 39,8% das concessões, com R$ 671,9 milhões. O BNDES ficou com 36,8%, totalizando R$ 621,6 milhões.

Juntas, as duas instituições concentraram quase 77% dos financiamentos equalizados para investimento. O Sicredi apareceu na sequência, com participação de 11,1%.

No custeio e na comercialização com recursos equalizados, o Banco do Brasil liderou com R$ 4,2 bilhões, correspondentes a 45,6% do total.

O Sicredi respondeu por 16,7%, com R$ 1,55 bilhão, enquanto a Cresol participou com 12,9%, ou R$ 1,19 bilhão.

Os dados dos primeiros dois meses da safra mostram que CPRs, linhas de custeio e fontes com juros controlados são os principais pilares do financiamento da agricultura empresarial neste início do ciclo 2026/2027.

Fonte: Portal do Agronegócio

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