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Crédito Rural

Crédito cooperativo transforma aviário familiar em Chapecó e abre caminho para alojar 100 mil aves por lote

Após anos de dificuldades para conseguir financiamento bancário, casal de avicultores de Santa Catarina viabiliza a construção de um aviário climatizado com apoio da Cresol e assistência técnica da Aurora Coop.


Publicado em: 29/10/2026 às 08:30hs

Crédito cooperativo transforma aviário familiar em Chapecó e abre caminho para alojar 100 mil aves por lote

O acesso ao crédito rural pode determinar o futuro de uma propriedade e a capacidade de uma família de ampliar sua produção. Em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, a trajetória dos avicultores Leandro Juriatti e Simone da Silva mostra como o financiamento cooperativo, aliado à assistência técnica, pode abrir novas oportunidades para a agricultura familiar.

Depois de anos tentando viabilizar a construção de uma estrutura moderna para a criação de frangos, o casal conseguiu avançar no projeto com o apoio da Cresol. A obra permitirá que a propriedade alcance capacidade para alojar quase 100 mil aves por lote, ampliando a estrutura produtiva e as perspectivas de renda da família.

A história dos Juriatti também evidencia o papel das cooperativas de crédito no financiamento do agronegócio, especialmente para produtores que encontram dificuldades para acessar recursos nas instituições financeiras tradicionais.

De empregado em aviários a produtor rural com projeto de expansão

A relação de Leandro com a avicultura começou ainda na infância, acompanhando a trajetória do pai, que trabalhou durante décadas como empregado no cuidado de aviários de terceiros.

O próprio produtor seguiu esse caminho por aproximadamente quatro a cinco anos, antes de iniciar uma nova etapa profissional com a família. No começo dos anos 2000, eles se estabeleceram na propriedade atual, em Linha Vila Nova, em Chapecó. Em 2002, construíram o primeiro aviário convencional, com 100 metros de comprimento.

Desde então, o casal manteve o objetivo de modernizar a estrutura e investir em um sistema climatizado, capaz de oferecer melhores condições de manejo e ampliar a capacidade de produção.

“Eu amo o que eu faço, sou muito feliz no que eu faço. É um orgulho para a gente. Muitas vezes eu entro dentro do aviário, me encanto, sento na mureta na lateral, faço foto pra mim mesmo, fico cuidando e olhando como os frangos estão se desenvolvendo”, conta Leandro.

Apesar da experiência acumulada, a expansão esbarrou durante anos na dificuldade de obter financiamento.

“O meu sonho, os meus projetos começaram há muito tempo. Várias tentativas, e o obstáculo maior sempre foi o banco”, relembra o avicultor.

Cresol viabiliza financiamento para construção de aviário climatizado

A mudança começou após indicações de vizinhos, que recomendaram à família procurar a Cresol para apresentar o projeto de expansão.

Segundo Leandro, a cooperativa ofereceu o apoio necessário para avançar com o financiamento, além de estabelecer uma relação próxima com a família durante o processo.

“A cooperativa nos acolheu de braços abertos, a gerente abraçou a minha causa do fundo do coração, com toda a força. Para mim, hoje, ela é uma segunda mãe. É um tratamento diferenciado que não se encontra em qualquer agência”, afirma.

O caso ilustra como o relacionamento entre cooperativa e produtor pode contribuir para a estruturação de investimentos rurais. Além das condições financeiras, a análise das necessidades da propriedade e o acompanhamento do projeto podem ajudar a transformar planos de expansão em investimentos concretos.

A Cresol informa reunir mais de 1 milhão de associados e contar com mais de mil agências distribuídas em 20 estados brasileiros.

Cooperativas ampliam participação no crédito rural brasileiro

A experiência da família de Chapecó ocorre em um cenário de expansão do cooperativismo financeiro no país.

Dados do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central, indicam que a participação das cooperativas nas operações de crédito rural passou de 13% para 25% em dez anos. Entre os médios produtores atendidos pelo Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), essa participação alcançou 50% em 2025.

A presença regional também é relevante. Segundo o Banco Central, 1.072 municípios brasileiros contavam com cooperativas de crédito, mas não tinham agências bancárias tradicionais.

No panorama nacional, o cooperativismo financeiro reuniu 21,2 milhões de associados ao fim de 2025, crescimento de 10,4% em um ano, e superou R$ 1 trilhão em ativos. No mesmo período, a carteira de crédito das cooperativas avançou 13,1%, ante 8,5% no restante do sistema financeiro.

Os números ajudam a dimensionar a presença crescente dessas instituições no financiamento da economia, inclusive em localidades onde a oferta de serviços bancários é mais limitada.

Crédito rural e Pronaf impulsionam investimentos na agricultura familiar

A agricultura familiar está entre os segmentos atendidos pelo crédito cooperativo. De acordo com dados divulgados pela Cresol, a instituição liberou R$ 16,8 bilhões em crédito rural na safra 2025/26, volume 40% superior ao do ciclo anterior.

Desse total, R$ 6,9 bilhões foram destinados ao Pronaf, principal linha de financiamento voltada à agricultura familiar dentro da carteira rural informada pela cooperativa. Para a safra 2026/27, a meta anunciada pela instituição é alcançar R$ 18 bilhões em crédito rural.

O Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/27, por sua vez, prevê R$ 97,3 bilhões para o segmento, incluindo R$ 85,2 bilhões em recursos para o Pronaf, conforme os dados apresentados no material de referência.

A disponibilidade de financiamento é um dos fatores que podem viabilizar investimentos em instalações, equipamentos e modernização das propriedades. A aprovação de cada operação, entretanto, depende dos critérios da linha de crédito, da análise financeira e das condições aplicáveis ao projeto.

No caso dos Juriatti, o financiamento permitiu avançar com a construção do aviário climatizado, uma mudança estrutural para a atividade desenvolvida pela família.

Assistência técnica da Aurora Coop acompanha a modernização

A obtenção do crédito representou apenas uma etapa do processo. Com a nova estrutura, o casal também precisou se adaptar à automação e aos equipamentos do sistema climatizado, diferentes daqueles utilizados no aviário convencional.

“A nossa maior dificuldade foi entender o sistema elétrico trabalhando em si, porque é completamente diferente”, explica Leandro.

Nesse período, a Aurora Coop forneceu assistência técnica e veterinária, orientando a família sobre o manejo da criação e o funcionamento do novo sistema.

O suporte também incluiu visitas a outras instalações climatizadas antes da conclusão da obra, permitindo que os produtores conhecessem na prática as características da estrutura e as rotinas necessárias para operá-la.

A combinação entre financiamento e acompanhamento técnico é importante em projetos de modernização, nos quais o desempenho depende não apenas do investimento inicial, mas também da capacidade de utilizar adequadamente os equipamentos e manter as condições de manejo.

Durante a construção, a família viveu ainda uma mudança pessoal: Simone descobriu que estava grávida. Hoje, a pequena Maria Luiza integra a rotina da propriedade ao lado dos pais e do irmão Henrique.

Aviário familiar integra uma das principais cadeias exportadoras do Brasil

A ampliação da capacidade produtiva coloca a propriedade em uma cadeia de grande relevância para o agronegócio brasileiro: a produção de carne de frango.

Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o Brasil produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e exportou 5,3 milhões de toneladas para 153 países, gerando receita de US$ 9,8 bilhões. O valor bruto da produção do setor chegou a R$ 112,6 bilhões, conforme os números apresentados no material de referência.

A Região Sul concentra parcela expressiva da atividade. Os dados citados indicam que a região responde por 65,7% do abate nacional, enquanto Santa Catarina ocupa a segunda posição entre os estados, com participação de 13,65%, atrás do Paraná.

Nesse contexto, os investimentos realizados por produtores integrados contribuem para a estrutura de uma cadeia que conecta propriedades rurais, cooperativas, agroindústrias, fornecedores de insumos e mercados consumidores.

Para a família Juriatti, a nova instalação representa a possibilidade de ampliar a capacidade de alojamento e buscar melhores resultados produtivos. O desempenho efetivo, contudo, dependerá de fatores como manejo, condições sanitárias, eficiência operacional e regras do sistema de integração.

Sucessão familiar mantém perspectiva de continuidade no campo

Os planos da família vão além da conclusão das obras. Leandro e Simone projetam quitar os aviários ao longo de aproximadamente dez anos e esperam ampliar gradualmente a participação do filho Henrique na condução dos negócios.

A perspectiva de continuidade familiar ganha importância diante dos desafios de renovação geracional no meio rural.

Segundo o Censo Agropecuário de 2017, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a agricultura familiar representava 77% dos estabelecimentos agropecuários brasileiros e ocupava 67% das pessoas que trabalhavam no campo.

O mesmo levantamento apontou mudanças no perfil etário dos produtores entre 2006 e 2017. A participação daqueles com 65 anos ou mais aumentou de 17,5% para 23,2%, enquanto a proporção de produtores entre 25 e 34 anos caiu de 13,6% para 9,3%. Entre os menores de 25 anos, a participação recuou de 3,3% para 2%.

Nesse cenário, a possibilidade de manter o negócio dentro da família e preparar a próxima geração representa uma dimensão importante do investimento realizado pelos Juriatti.

Ao avaliar a trajetória percorrida, Leandro destaca o papel da parceria entre as instituições envolvidas.

“O cooperativismo para nós é uma união, uma força a mais. Se não fosse essa ajuda da Cresol e da Aurora Coop, a gente não estaria aonde chegou”, conclui.

Cooperativismo de crédito reforça oportunidades para o agronegócio

A trajetória da família de Chapecó mostra como o acesso ao financiamento pode contribuir para a modernização de uma propriedade rural, especialmente quando combinado com assistência técnica e planejamento de longo prazo.

Com o novo aviário climatizado e capacidade projetada para quase 100 mil aves por lote, Leandro e Simone avançam em um projeto construído ao longo de anos, com a expectativa de ampliar a produção e fortalecer a continuidade do negócio familiar.

A experiência também evidencia a importância do crédito rural para a competitividade da avicultura e para a permanência de famílias produtoras no campo. Em um setor integrado a mercados nacionais e internacionais, o acesso a recursos e a orientação técnica são fatores relevantes para viabilizar investimentos e sustentar a atividade ao longo das próximas gerações.

Fonte: Portal do Agronegócio

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