Preço do suíno sobe em setembro, mas alta dos insumos reduz poder de compra do produtor
Menor oferta e demanda doméstica mais firme sustentam suíno vivo e carcaça; exportações alcançam 133,5 mil toneladas, com avanço mensal de 3%
Publicado em: 22/10/2026 às 10:10hs
Os preços do suíno vivo e da carcaça suína registraram, em setembro, a primeira alta mensal de 2026. Segundo o Boletim do Suíno do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a valorização foi sustentada pela redução da oferta de carne e pelo fortalecimento da demanda doméstica, principalmente a partir do dia 10.
Apesar da recuperação das cotações, o poder de compra do suinocultor paulista caiu pelo terceiro mês consecutivo. O milho e o farelo de soja, principais insumos utilizados na alimentação dos animais, tiveram aumentos mais intensos que os registrados pelo suíno vivo.
O desempenho também foi desigual ao longo da cadeia: enquanto o animal vivo e a carcaça se valorizaram, os cortes suínos apresentaram queda nos preços durante o mês.
Suíno vivo tem alta de 1,9% em São Paulo
Na região paulista SP-5, que abrange Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba, o suíno vivo posto na indústria foi negociado, em média, a R$ 5,06 por quilo em setembro.
O valor representa alta de 1,9% em relação a agosto, quando a média havia sido de R$ 4,96 por quilo.
A menor disponibilidade de animais e a melhora nas compras no mercado interno contribuíram para a recuperação. Entretanto, a valorização não foi suficiente para acompanhar o encarecimento dos ingredientes da ração.
Milho e farelo de soja pressionam a relação de troca
A alta mais acentuada dos insumos reduziu a quantidade de milho e de farelo de soja que o produtor conseguiu adquirir com a venda dos animais.
Com isso, a relação de troca voltou a se deteriorar em setembro, acumulando três meses consecutivos de perda no poder de compra do suinocultor paulista.
O resultado mostra que a recuperação do preço de venda, isoladamente, não assegura melhora das condições econômicas da atividade. O comportamento dos custos de alimentação permanece decisivo para avaliar o desempenho da produção.
Exportações de carne suína crescem sobre agosto
As exportações brasileiras de carne suína somaram 133,5 mil toneladas em setembro, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apresentados pelo Cepea.
O volume foi 3% superior ao de agosto, mas ficou 11,1% abaixo do registrado em setembro de 2025.
A comparação anual ocorre sobre uma base elevada. Em setembro do ano passado, os embarques haviam alcançado o maior volume da série histórica da Secex, iniciada em 1997. Esse patamar foi superado apenas em março de 2026, quando as vendas externas atingiram 152,2 mil toneladas.
Assim, o resultado de setembro combina recuperação na comparação mensal com retração diante de um dos maiores volumes já exportados pelo país.
Carcaça suína sobe 4,4%, mas cortes recuam
No atacado da Grande São Paulo, a carcaça especial suína teve preço médio de R$ 7,73 por quilo, aumento de 4,4% em relação a agosto.
Segundo o Cepea, a demanda firme e a oferta restrita de animais deram sustentação às cotações. Os cortes suínos, porém, se desvalorizaram no período, evidenciando diferenças na formação de preços entre os produtos acompanhados.
Carne suína ganha competitividade frente ao frango
A relação de preços com as proteínas concorrentes também apresentou movimentos distintos em setembro.
A carcaça especial suína ganhou competitividade em relação ao frango inteiro resfriado, mas perdeu vantagem diante da carcaça casada bovina. A comparação considera os preços praticados no atacado da Grande São Paulo.
O balanço do mês aponta, portanto, uma recuperação das cotações do suíno vivo e da carcaça, acompanhada por desafios nos custos de produção. Para o produtor, a evolução do milho e do farelo de soja continua sendo um fator central na avaliação das condições de comercialização.
Fonte: Portal do Agronegócio
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