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Suíno

Preço da carne suína cai com excesso de oferta, apesar do avanço das exportações brasileiras

Suíno vivo recua para média de R$ 4,85 por quilo e cortes perdem valor no atacado, enquanto embarques crescem 10,5% em agosto e sustentam as perspectivas do setor


Publicado em: 21/08/2026 às 14:30hs

Preço da carne suína cai com excesso de oferta, apesar do avanço das exportações brasileiras
Foto: José Fernando Ogura

O mercado brasileiro de carne suína permanece pressionado pelo excesso de oferta e pela dificuldade de reação da demanda doméstica. Ao longo da semana, os preços do suíno vivo e dos principais cortes comercializados no atacado registraram queda, ampliando a preocupação dos produtores com a rentabilidade da atividade.

Segundo Allan Maia, analista da Safras & Mercado, as negociações de animais vivos continuam travadas. Os frigoríficos adotam cautela na formação dos preços diante de uma disponibilidade considerada confortável para atender às atuais necessidades de abate.

As exportações seguem como principal fator positivo da suinocultura em 2026 e podem alcançar um novo recorde. O ritmo dos embarques, entretanto, ainda não foi suficiente para reduzir significativamente a oferta no mercado interno e criar condições para uma recuperação mais consistente das cotações.

Suíno vivo cai para R$ 4,85 por quilo

Levantamento da Safras & Mercado mostra que o preço médio nacional do suíno vivo recuou de R$ 4,87 para R$ 4,85 por quilo durante a semana.

No atacado, a média dos cortes de carcaça caiu de R$ 7,73 para R$ 7,61 por quilo. O pernil foi negociado, em média, a R$ 9,59, sem alteração em relação ao levantamento anterior.

A dificuldade de valorização dos principais cortes reflete o excedente ainda presente no mercado doméstico. Sem uma aceleração do consumo, os frigoríficos evitam ampliar os preços pagos pelos animais.

Arroba suína recua em São Paulo

Em São Paulo, a arroba do suíno caiu de R$ 97 para R$ 96. O movimento confirma a fragilidade do mercado e a cautela das indústrias nas compras.

No Rio Grande do Sul, o quilo vivo permaneceu em R$ 4,90 no sistema de integração. No interior gaúcho, a cotação ficou estável em R$ 4,70.

Santa Catarina também registrou estabilidade, com o quilo do suíno negociado a R$ 4,80 na integração e a R$ 4,60 no interior.

No Paraná, o mercado livre manteve a referência de R$ 4,65 por quilo. Na integração, o preço permaneceu em R$ 5,15.

Preços caem em Minas Gerais e Mato Grosso

Em Minas Gerais, as cotações apresentaram novas quedas. No interior do estado, o preço do quilo vivo recuou de R$ 5,15 para R$ 5. No mercado independente, a referência passou de R$ 5,30 para R$ 5,20.

Em Mato Grosso, o quilo vivo negociado em Rondonópolis caiu de R$ 5,10 para R$ 5,05. Na integração estadual, o preço permaneceu em R$ 4,80.

No Mato Grosso do Sul, tanto Campo Grande quanto o sistema de integração mantiveram a cotação de R$ 4,80 por quilo. Em Goiânia, o preço continuou em R$ 5.

As variações regionais mostram que as quedas ainda são pontuais, mas a ausência de uma reação mais ampla reforça o ambiente desfavorável para o produtor.

Margens negativas preocupam suinocultores

A combinação entre preços baixos e custos de produção mantém parte dos suinocultores operando com margens negativas.

O cenário é mais delicado para os produtores independentes, que estão diretamente expostos às oscilações do mercado e precisam negociar os animais conforme as condições definidas pelos frigoríficos.

A rentabilidade também depende do comportamento do milho e do farelo de soja, principais componentes da alimentação dos suínos. Qualquer valorização desses insumos pode aumentar ainda mais a pressão financeira sobre as propriedades.

Exportações de carne suína crescem 10,5% em agosto

Apesar das dificuldades no mercado interno, as exportações brasileiras continuam em ritmo positivo. Nos primeiros dez dias úteis de agosto, os embarques de carne suína in natura alcançaram 56,568 mil toneladas, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A média diária foi de 5,657 mil toneladas, crescimento de 10,5% em relação a agosto de 2025.

A receita atingiu US$ 134,893 milhões no período, equivalente a uma média de US$ 13,489 milhões por dia. O valor médio diário aumentou 2,1% na comparação anual.

Preço médio das exportações recua 7,6%

O preço médio da carne suína exportada pelo Brasil ficou em US$ 2.384,60 por tonelada, queda de 7,6% frente ao mesmo mês de 2025.

Os números mostram que o crescimento da receita está sendo sustentado principalmente pelo aumento do volume embarcado. A redução do valor por tonelada, porém, limita os ganhos econômicos obtidos com a expansão das vendas internacionais.

Para o setor, a continuidade do bom desempenho externo será importante para reduzir a disponibilidade doméstica e evitar uma pressão ainda maior sobre os preços.

Embarques ainda não aliviam oferta interna

Embora as exportações possam estabelecer um novo recorde em 2026, os embarques ainda não retiraram do mercado doméstico volume suficiente para alterar o ambiente de negócios.

A oferta de animais permanece confortável diante da atual demanda dos frigoríficos, enquanto os cortes encontram dificuldades para avançar no atacado.

Uma recuperação mais consistente dependerá da combinação entre aumento do consumo interno, manutenção das exportações e maior equilíbrio na disponibilidade de animais para abate.

No curto prazo, o mercado de carne suína deve continuar marcado por negociações cautelosas, preços pressionados e atenção redobrada dos produtores aos custos de alimentação e às margens da atividade.

Fonte: Portal do Agronegócio

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