Manejo pré-abate de suínos reduz perdas e preserva a qualidade da carne
Cuidados no embarque, transporte e desembarque favorecem o bem-estar animal, evitam lesões e ajudam a proteger a rentabilidade de produtores e frigoríficos
Publicado em: 27/10/2026 às 15:30hs
O manejo pré-abate de suínos é uma etapa decisiva para preservar a qualidade da carne e o resultado econômico da cadeia produtiva. Falhas na condução dos animais, no transporte e na chegada ao frigorífico podem provocar estresse, lesões e perdas que comprometem o valor gerado durante todo o ciclo de criação.
Quedas, escorregões, brigas, hematomas, contusões e fraturas estão entre as ocorrências que exigem atenção. Além de prejudicar o bem-estar animal, esses problemas podem resultar no descarte parcial ou total de carcaças e cortes, reduzindo o aproveitamento industrial.
Segundo Filipe Dalla Costa, coordenador técnico de Bem-Estar Animal na MSD Saúde Animal, o planejamento dessa fase deve integrar as estratégias de eficiência da suinocultura. A organização das operações contribui para proteger os animais, aumentar a segurança dos trabalhadores e reduzir prejuízos no campo e na indústria.
Como o estresse pré-abate afeta a carne suína
As horas anteriores ao abate concentram situações capazes de elevar o estresse dos suínos. Entre elas estão esforço físico excessivo, condução inadequada, desconforto térmico, densidade incorreta no transporte e períodos prolongados de espera.
O estresse intenso imediatamente antes do abate pode interferir no metabolismo muscular e alterar características da carne, como pH, cor e capacidade de retenção de água.
Uma das consequências possíveis é a ocorrência de carne PSE, caracterizada pelo aspecto pálido, textura flácida e maior liberação de líquidos. Essas alterações prejudicam a qualidade do produto e podem reduzir seu rendimento no processamento.
Para os produtores, os impactos incluem perda de peso, lesões e mortalidade durante o transporte. Nos frigoríficos, os prejuízos aparecem no menor aproveitamento das carcaças, nas perdas de água e na desclassificação de produtos.
Embarque e transporte exigem planejamento
A prevenção começa antes da saída dos animais da propriedade. Instalações adequadas, equipes preparadas e organização dos lotes ajudam a tornar o embarque mais seguro e a reduzir situações de agitação.
Durante o transporte, a densidade deve ser compatível com as condições da operação, com atenção à temperatura e à ventilação. Na chegada ao frigorífico, o desembarque e a espera também precisam seguir procedimentos que evitem esforço desnecessário, quedas e conflitos entre os animais.
Entre os principais cuidados destacados pelo especialista estão:
- Planejar o fluxo de embarque e desembarque, reduzindo atrasos e tempos desnecessários;
- Conduzir os suínos em grupos de tamanho adequado, com controle da velocidade e da pressão exercida sobre os animais;
- Utilizar corretamente os equipamentos de manejo e reduzir intervenções aversivas;
- Manter pisos e estruturas em condições que minimizem escorregões e quedas;
- Organizar os lotes para diminuir o risco de brigas e lesões;
- Monitorar temperatura, ventilação e condições de transporte e descanso;
- Adotar procedimentos seguros de insensibilização e sangria;
- Acompanhar indicadores e atualizar periodicamente o treinamento das equipes.
Bem-Estar Único conecta animais, trabalhadores e ambiente
A abordagem de Bem-Estar Único considera a relação entre as condições dos animais, a segurança das pessoas e o ambiente em que as operações acontecem.
No manejo pré-abate, essa integração envolve instalações, equipamentos, rotinas e capacitação profissional. Um fluxo bem organizado favorece a movimentação dos suínos e reduz a exposição dos trabalhadores a situações de risco.
Dalla Costa destaca que o bem-estar animal faz parte da eficiência produtiva. Por isso, os cuidados nessa etapa precisam estar incorporados à rotina de produtores, transportadores e frigoríficos.
Capacitação ajuda a prevenir falhas no manejo
O treinamento contínuo de manejadores e motoristas é um dos pontos centrais para aplicar os protocolos de forma consistente. Conhecer o comportamento dos suínos permite reconhecer sinais de estresse, identificar riscos e ajustar a condução conforme a situação.
Segundo o especialista, compreender a finalidade de cada procedimento ajuda as equipes a antecipar problemas e tomar decisões mais seguras. A capacitação, portanto, deve fazer parte de um processo permanente de melhoria.
Com menos lesões, melhores condições de transporte e uma condução tranquila, a cadeia suinícola amplia as condições de preservar a qualidade da carne e o rendimento industrial. Conforme Dalla Costa, ganhos de aproveitamento, mesmo pequenos por animal, podem representar resultados econômicos relevantes quando considerados os volumes processados por produtores e frigoríficos.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias