Publicado em: 19/06/2026 às 16:30hs
O mercado brasileiro de carne suína atravessou a semana com comportamento misto nos preços do quilo vivo e dos principais cortes no atacado. O cenário é marcado por um equilíbrio entre oferta e demanda em algumas regiões, enquanto em outras a disponibilidade de animais ainda pressiona as negociações e limita avanços mais consistentes nas cotações.
De acordo com o analista da Safras & Mercado, Allan Maia, o ambiente de negócios segue regionalmente desigual. Em Minas Gerais, por exemplo, o maior equilíbrio entre oferta e demanda permitiu leves avanços nos preços. No entanto, em boa parte do país, a indústria mantém postura cautelosa nas compras.
Segundo o analista, a oferta de animais vivos ainda é suficiente para atender a demanda com tranquilidade em diversas regiões, o que reduz a necessidade de disputa por matéria-prima entre os frigoríficos.
Esse cenário tem levado a indústria a adotar uma postura mais conservadora nas negociações, principalmente diante de um mercado atacadista que segue com preços relativamente estáveis e sem força para sustentar altas mais expressivas.
No atacado, foram registradas apenas elevações pontuais ao longo da semana. Ainda assim, o ambiente geral permanece pressionado, especialmente para os cortes suínos.
Apesar das limitações no mercado, há expectativa de melhora no consumo interno. Dois fatores são destacados como potenciais impulsionadores da demanda: os preços mais competitivos da carne suína, após recuos ao longo do semestre, e eventos sazonais que estimulam o consumo, como grandes competições esportivas e reuniões sociais.
Esse movimento pode contribuir para sustentar o escoamento da produção no mercado doméstico nas próximas semanas.
No mercado externo, as exportações continuam sendo o principal pilar de sustentação do setor. A demanda internacional segue firme, com destaque para as Filipinas, que vêm ampliando as compras de carne suína brasileira e impulsionando os embarques.
Esse fluxo externo ajuda a compensar parcialmente a limitação de ganhos no mercado interno e mantém o setor com desempenho relativamente estável no comércio exterior.
De acordo com levantamento da Safras & Mercado, a média nacional do preço do quilo do suíno vivo subiu de R$ 5,33 para R$ 5,34 na semana, mostrando estabilidade com leve viés de alta.
No atacado, a média dos cortes de carcaça ficou em R$ 8,88, enquanto o pernil registrou média de R$ 11,18.
Em São Paulo, a arroba suína permaneceu estável em R$ 101,00. No Rio Grande do Sul, o quilo vivo recuou na integração de R$ 5,70 para R$ 5,55, enquanto no interior ficou estável em R$ 5,10.
Em Santa Catarina, a integração também caiu de R$ 5,70 para R$ 5,55, enquanto o interior apresentou alta de R$ 4,95 para R$ 5,05. No Paraná, o mercado livre manteve estabilidade em R$ 4,90, e a integração recuou de R$ 5,75 para R$ 5,60.
No Mato Grosso do Sul, a cotação em Campo Grande permaneceu em R$ 5,10, enquanto a integração caiu de R$ 5,65 para R$ 5,55. Em Goiás, houve alta de R$ 5,25 para R$ 5,40. Já em Minas Gerais, os preços avançaram de forma mais expressiva, com o interior subindo de R$ 5,60 para R$ 6,00 e o mercado independente de R$ 5,80 para R$ 6,10. No Mato Grosso, o preço em Rondonópolis ficou estável em R$ 5,50, enquanto a integração recuou de R$ 5,70 para R$ 5,55.
As exportações brasileiras de carne suína in natura somaram US$ 135,892 milhões em junho (nove dias úteis), com média diária de US$ 15,099 milhões, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
O volume total exportado no período foi de 54,717 mil toneladas, com média diária de 6,079 mil toneladas, enquanto o preço médio ficou em US$ 2.483,5 por tonelada.
Na comparação com junho de 2025, houve recuo de 5,9% no valor médio diário, queda de 0,4% no volume médio diário e baixa de 5,4% no preço médio, indicando leve perda de desempenho no período, apesar da manutenção de embarques relevantes.
Fonte: Portal do Agronegócio
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