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Saúde Animal

Genética acelera ganho de produção de leite em búfalos e avanço chega a 116% entre gerações

Relatório da ABCB mostra que o ritmo de evolução genética para produção de leite passou de 7,01 para 15,17 quilos por ano entre animais nascidos a partir de 2022


Publicado em: 12/08/2026 às 12:00hs

Genética acelera ganho de produção de leite em búfalos e avanço chega a 116% entre gerações

A genética de búfalos para produção de leite apresentou forte aceleração nas gerações mais recentes avaliadas no Brasil. Dados do Programa de Avaliação Genética de Búfalos da Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB) mostram que o ritmo estimado de evolução passou de 7,01 quilos por ano, entre animais nascidos de 2015 a 2021, para 15,17 quilos anuais entre aqueles nascidos de 2022 a 2025.

O resultado representa uma aceleração de aproximadamente 116% no ganho genético estimado para produção de leite.

Os números fazem parte do relatório anual do programa, elaborado com informações contabilizadas até o final de 2025. O estudo acompanha a evolução genética e produtiva dos rebanhos participantes e permite identificar tendências na seleção de animais com características de interesse para a bubalinocultura leiteira.

Avaliação genética aponta avanço na produção de leite

O indicador utilizado para medir a evolução é a PTA para P305, que estima o potencial genético de um animal para produção de leite em uma lactação padronizada de até 305 dias.

Na prática, a PTA indica o potencial que o animal pode transmitir geneticamente às suas filhas. Por isso, o indicador é uma ferramenta importante para programas de melhoramento genético e para a escolha de animais utilizados na reprodução.

A PTA, no entanto, não corresponde diretamente à quantidade de leite produzida na propriedade. O desempenho observado no rebanho também é influenciado por fatores como alimentação, clima, sanidade, manejo e condições ambientais.

Ganho genético acelera a partir de 2022

O período de maior evolução coincide com o início do Programa de Avaliação Genética de Búfalos, em 2022.

Entre os animais nascidos de 2015 a 2021, a taxa estimada de progresso para produção de leite era de 7,01 quilos por ano.

Já na geração mais recente, formada por animais nascidos entre 2022 e 2025, o avanço chegou a 15,17 quilos por ano.

Na comparação entre os dois períodos, o ritmo de evolução genética aumentou aproximadamente 116%.

Os resultados indicam uma mudança positiva na trajetória genética da população avaliada, embora a continuidade desse avanço ainda precise ser acompanhada pelas próximas edições do programa.

Isso ocorre porque parte dos animais nascidos nos anos mais recentes ainda é jovem e possui poucas informações acumuladas durante sua vida produtiva.

Próximas avaliações serão importantes

Segundo a ABCB, os dados registrados até 2025 apontam avanço na direção estabelecida pelo programa de seleção para produção de leite.

No entanto, o acompanhamento das próximas gerações será fundamental para confirmar se o ritmo observado entre os animais mais jovens será mantido ao longo do tempo.

A avaliação genética permite justamente acompanhar esse processo de forma contínua, combinando informações de desempenho produtivo e dados relacionados à genética dos animais.

Dados genéticos ajudam a separar genética e ambiente

A coordenadora do Programa de Avaliação Genética de Búfalos da ABCB, Gabriela Stefani, destaca que o relatório permite acompanhar as transformações ocorridas nos rebanhos participantes.

Segundo a coordenadora, a reunião de informações fenotípicas e genéticas possibilita observar tendências ao longo do tempo, compreender os resultados da seleção realizada nos rebanhos participantes e acompanhar a evolução da população avaliada.

Os dados fenotípicos correspondem às características observadas nos animais, como a quantidade de leite produzida durante uma lactação.

Ao cruzar essas informações com os dados genéticos, a avaliação consegue ajudar a distinguir aquilo que está relacionado ao potencial hereditário do animal dos efeitos provocados pelo ambiente e pelo sistema de produção.

Essa diferenciação é importante porque animais submetidos a condições distintas de alimentação, clima, manejo e sanidade podem apresentar desempenhos diferentes mesmo quando possuem características genéticas semelhantes.

Programa também avalia curva de lactação

O relatório da ABCB não se limita ao volume potencial de produção de leite.

A avaliação também considera as curvas de lactação, permitindo analisar o comportamento da produção ao longo do período produtivo e a capacidade das búfalas de manter o desempenho após atingir o pico de produção.

Essa característica é relevante para o produtor porque animais capazes de sustentar a produção por mais tempo podem apresentar maior eficiência ao longo da lactação.

A análise das curvas também contribui para compreender de maneira mais ampla o desempenho produtivo das búfalas e orientar estratégias de seleção genética dentro dos rebanhos.

Herdabilidade orienta seleção dos melhores animais

Outro ponto analisado pelo programa é a herdabilidade, indicador que ajuda a estimar quanto das diferenças observadas entre os animais está associado à genética.

A informação é importante para programas de melhoramento porque permite avaliar o potencial de determinadas características serem transmitidas às próximas gerações.

Quanto mais confiável for a identificação dos animais geneticamente superiores, maior pode ser a eficiência da seleção e dos acasalamentos direcionados.

Dessa maneira, os produtores podem utilizar informações genéticas como apoio à tomada de decisão na escolha de animais para reprodução.

Controle da endogamia preserva diversidade genética

O relatório também acompanha a endogamia, relacionada ao grau de parentesco existente entre os animais utilizados na reprodução.

O monitoramento dessa característica é importante para evitar concentração excessiva de parentesco no rebanho e contribuir para a manutenção da diversidade genética.

O controle da endogamia faz parte de uma estratégia de melhoramento de longo prazo, permitindo buscar ganhos produtivos sem comprometer a variabilidade genética da população.

Dessa forma, o melhoramento genético busca não apenas aumentar características produtivas, mas também preservar uma população saudável e geneticamente equilibrada ao longo das gerações.

Base reúne mais de 35 mil lactações

A avaliação realizada pela ABCB possui uma ampla base histórica de informações.

Os dados analisados abrangem 25 rebanhos distribuídos por sete estados brasileiros.

Após a aplicação dos critérios de consistência, foram consideradas 35.850 lactações de 11.438 animais, com registros realizados entre 1987 e 2025.

A base utilizada para avaliar o parentesco foi ainda mais ampla e reuniu 23.481 búfalos.

O levantamento, portanto, reúne informações de quase quatro décadas de produção e acompanhamento dos animais, permitindo observar mudanças na população bubalina ao longo do tempo.

A quantidade de dados também contribui para aumentar a robustez das análises genéticas e para identificar tendências de evolução nas características avaliadas.

Melhoramento genético ganha espaço na bubalinocultura leiteira

O avanço registrado nas gerações mais recentes reforça a importância da avaliação genética de búfalos para aumentar a eficiência da produção de leite no Brasil.

Ao identificar animais com maior potencial genético e orientar decisões de reprodução, os programas de melhoramento podem contribuir para a formação de rebanhos mais produtivos e eficientes.

Os dados de 2025 mostram uma aceleração expressiva no ganho genético estimado para produção de leite. O ritmo passou de 7,01 quilos por ano entre animais nascidos de 2015 a 2021 para 15,17 quilos por ano entre aqueles nascidos de 2022 a 2025, uma evolução de aproximadamente 116%.

A manutenção dessa trajetória, contudo, dependerá do acompanhamento das próximas gerações e da continuidade da coleta de informações produtivas e genealógicas.

Como parte dos animais das gerações mais recentes ainda não atingiu toda a sua vida produtiva, novas avaliações serão importantes para confirmar a consistência do avanço observado.

Para a bubalinocultura brasileira, a combinação entre genética, dados produtivos, manejo e seleção criteriosa tende a ganhar importância na busca por maior produtividade, eficiência e competitividade da atividade leiteira.

Fonte: Portal do Agronegócio

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