Pasto verde não garante ganho de peso: recria exige equilíbrio nutricional nas águas
Oferta de matéria seca, qualidade da forragem e suplementação precisam ser avaliadas em conjunto para aproveitar o crescimento dos bovinos e melhorar o retorno econômico.
Publicado em: 21/10/2026 às 14:00hs
A presença de pasto verde na fazenda pode transmitir uma impressão de abundância, mas não garante uma dieta equilibrada para os bovinos em recria. Mesmo com a rebrota do capim, o desempenho dos animais depende da quantidade de forragem disponível, do consumo de matéria seca e do equilíbrio entre energia e proteína.
Em algumas regiões brasileiras, as chuvas durante o inverno mantiveram as pastagens verdes ao longo do período normalmente mais seco. Segundo Bruno Marson, zootecnista e diretor técnico industrial da Connan, esse cenário exige uma avaliação das condições de cada propriedade antes de alterar a estratégia de suplementação na entrada das águas.
A decisão deve considerar tanto a capacidade da pastagem de alimentar o rebanho quanto as metas de ganho de peso estabelecidas para cada lote.
Capim em rebrota exige atenção ao consumo de matéria seca
A coloração da pastagem, isoladamente, não revela se o alimento disponível atende às necessidades nutricionais dos animais. De acordo com Marson, pasto verde não significa, necessariamente, uma área recuperada ou capaz de sustentar o desempenho esperado.
O capim em rebrota pode apresentar elevados teores de água e proteína. Essas características, porém, não asseguram ingestão suficiente de matéria seca nem uma proporção adequada dos nutrientes da dieta.
Por isso, a transição para o período das águas exige cautela. A mudança da suplementação sem avaliar a condição real da forragem pode comprometer o ganho de peso e, em situações de inadequação alimentar, levar à perda de peso dos animais.
Suplementação energética deve acompanhar a qualidade do pasto
Segundo o especialista, a suplementação energética pode contribuir para o desempenho durante as águas ao complementar a proteína disponível nas pastagens.
O objetivo é ajustar a relação entre energia e proteína da dieta, favorecendo a produção de proteína microbiana no rúmen. A estratégia, entretanto, precisa estar associada à oferta de forragem e às exigências do lote.
A escolha do suplemento e da quantidade fornecida deve considerar:
- Disponibilidade e qualidade da pastagem;
- Peso dos animais e fase da recria;
- Meta de ganho de peso de cada lote;
- Resposta produtiva e custo do ganho obtido.
Assim, o fornecimento deve ser definido a partir das condições da fazenda, com ajustes conforme a evolução do pasto e do desempenho animal.
Adaptação e manejo de cocho influenciam o resultado da recria
O período das águas oferece uma oportunidade para aproveitar o potencial de crescimento dos bovinos. Para transformar essa condição em ganho de peso, o planejamento nutricional precisa incluir a adaptação dos animais e a regularidade no fornecimento do suplemento.
Outro ponto é o espaço de cocho, que deve ser compatível com o nível de suplementação e a forma de distribuição. O manejo adequado ajuda a reduzir a competição e as diferenças de consumo entre os animais do mesmo lote.
Esses cuidados permitem maior controle sobre a ingestão e ajudam a avaliar se a estratégia está entregando o desempenho previsto.
Mais suplemento exige avaliação do custo por quilo ganho
Marson destaca que, em níveis mais elevados de fornecimento, parte do suplemento pode substituir o consumo de capim. Por isso, aumentar a quantidade ofertada exige análise da resposta em ganho de peso e do custo desse resultado.
O acompanhamento do consumo no cocho e as pesagens periódicas são ferramentas para identificar a necessidade de ajustes e verificar o retorno econômico da suplementação.
Na recria a pasto, olhar além da cor do capim é essencial: a estratégia precisa combinar manejo da pastagem, equilíbrio nutricional e monitoramento do desempenho para aproveitar o período das águas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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