Adubação de pastagens: análise de solo e manejo ajudam a ampliar produção de forragem
Reposição planejada de nutrientes favorece o desenvolvimento do capim; resposta produtiva depende da espécie forrageira, do clima e do controle da lotação
Publicado em: 13/10/2026 às 14:30hs
A adubação de pastagens pode aumentar a oferta de forragem e melhorar o aproveitamento das áreas destinadas à pecuária. Para transformar o investimento em resultados, porém, a reposição de nutrientes precisa considerar a fertilidade do solo, as exigências do capim, as condições climáticas e o manejo dos animais.
Segundo Robson Slivinski Dantas, técnico em agricultura e vendedor externo da Nossa Lavoura, uma pastagem bem nutrida tem melhores condições de produzir folhas e oferecer alimento de qualidade ao rebanho. A resposta dos animais também depende de fatores como genética, sanidade e disponibilidade de água.
Análise de solo orienta escolha do fertilizante e das doses
O ponto de partida é conhecer as condições de cada área. A análise de solo fornece informações sobre pH, acidez e disponibilidade de nutrientes, permitindo identificar necessidades de correção e planejar a adubação.
Com esse diagnóstico, o pecuarista pode definir fertilizantes e doses de acordo com a espécie forrageira, a meta de produção e a lotação pretendida. Conforme Dantas, essa combinação ajuda a direcionar os recursos e reduzir aplicações inadequadas.
Para iniciar o planejamento, a orientação é dividir a propriedade em áreas uniformes e coletar amostras representativas. Os resultados devem ser interpretados junto às características da pastagem e aos objetivos produtivos da fazenda.
Nitrogênio, fósforo e potássio têm funções diferentes no capim
Entre os nutrientes destacados pelo técnico, o nitrogênio estimula a formação de folhas e pode elevar o teor de proteína da forragem quando os demais nutrientes estão disponíveis.
O fósforo contribui para o desenvolvimento das raízes e o estabelecimento da pastagem. Já o potássio participa do aproveitamento da água e da resistência das plantas à seca e às doenças.
Cálcio, magnésio e enxofre também integram a nutrição das forrageiras. A necessidade de reposição deve ser avaliada conforme o diagnóstico do solo, evitando decisões baseadas apenas na aparência do capim.
Crescimento lento e baixa rebrota exigem avaliação
Folhas amareladas, desenvolvimento lento, baixa rebrota, falhas na cobertura do solo e maior presença de plantas invasoras estão entre os sinais que merecem atenção.
A queda na produção de forragem, mesmo com chuvas favoráveis, também pode indicar problemas na área. Esses sintomas, entretanto, precisam ser analisados em conjunto com os resultados do solo e uma avaliação técnica.
Segundo Dantas, observar os sinais é importante para identificar limitações, mas a definição da estratégia de adubação exige compreender o conjunto de condições da pastagem.
Período chuvoso favorece resposta à adubação nitrogenada
O momento da aplicação influencia a eficiência dos nutrientes. Conforme o técnico, a maior parte das doses de nitrogênio deve ser distribuída no período chuvoso, quando umidade e temperatura favorecem a absorção e o crescimento das plantas.
Em solos arenosos, o parcelamento das aplicações pode ajudar a reduzir perdas. O planejamento também deve respeitar as diferenças entre espécies de capim, que apresentam exigências nutricionais e respostas distintas à adubação.
Controle da lotação permite aproveitar a forragem produzida
O aumento da produção de capim precisa ser acompanhado de ajustes no manejo. Sem controle da utilização da área, a maior oferta de forragem pode não se traduzir em melhor desempenho do sistema.
Dantas destaca a importância de adequar a taxa de lotação e respeitar as alturas recomendadas de entrada e saída dos animais para cada forrageira.
A integração entre fertilidade e manejo permite aproveitar a produção adicional e preservar as condições de desenvolvimento da pastagem.
Indicadores ajudam a avaliar o retorno do investimento
O resultado da adubação deve ser acompanhado por indicadores como ganho de peso por hectare, taxa de lotação, produção de leite e custo por arroba produzida.
Essas informações permitem comparar o investimento com a resposta produtiva e verificar sua contribuição para a rentabilidade da propriedade.
Para Dantas, a adubação deve fazer parte do sistema de produção. O acompanhamento periódico ajuda a identificar respostas, corrigir limitações e ajustar o planejamento às condições de cada área.
Fonte: Portal do Agronegócio
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