Pastagens

Digitalização das Pastagens Impulsiona Nova Era da Pecuária de Corte no Brasil

Tecnologia de monitoramento da JetBov utiliza inteligência artificial e dados climáticos para aumentar produtividade e sustentabilidade nas fazendas


Publicado em: 04/03/2026 às 08:00hs

Digitalização das Pastagens Impulsiona Nova Era da Pecuária de Corte no Brasil

A transformação digital chegou de vez à pecuária de corte brasileira. Em um setor cada vez mais pressionado por eficiência, produtividade e sustentabilidade, o monitoramento inteligente das pastagens tem se tornado peça-chave para a gestão moderna das fazendas.

De acordo com a JetBov, empresa de tecnologia para o agronegócio, a alimentação representa mais de 70% do custo total de produção nas propriedades de gado de corte — e entender o comportamento do pasto com precisão é essencial para garantir rentabilidade e previsibilidade.

Gestão de pastagens ganha protagonismo com apoio da tecnologia

Tradicionalmente, o manejo forrageiro era conduzido com base na observação visual e na experiência dos pecuaristas. Esse método, embora prático, mostra-se limitado diante da complexidade climática e econômica atual.

“Oscilações de mercado, eventos climáticos extremos e a necessidade de produzir mais em áreas já consolidadas exigem controle, previsibilidade e capacidade de antecipação. Além disso, a pessoa com o conhecimento prático necessário muitas vezes não está mais lá”, afirma Xisto Alves, CEO da JetBov.

Segundo ele, a digitalização tem papel fundamental ao transformar dados dispersos em inteligência prática para o dia a dia da fazenda, permitindo uma gestão mais técnica e menos dependente da intuição.

Inteligência artificial e dados satelitais revolucionam o manejo do pasto

O uso de sensoriamento remoto por satélite, dados climáticos integrados e algoritmos de machine learning permite acompanhar a qualidade das pastagens de forma contínua, por área e ao longo do tempo. Com base nessas informações, o produtor pode definir momentos ideais de entrada e saída dos animais, intervalos de descanso, adubação e áreas para conservação de volumoso.

“Substituir o ‘achismo’ por indicadores técnicos é o que garante segurança na tomada de decisão e maior eficiência no uso da pastagem”, explica Xisto.

Monitoramento de Pasto Inteligente: dados que viram estratégia

Dentro dessa proposta, a JetBov desenvolveu o Monitoramento de Pasto Inteligente, uma tecnologia que integra o Índice SmartNDVI — ferramenta própria que combina dados vegetativos, climáticos e operacionais para avaliar a condição do pasto por piquete.

O sistema faz parte da plataforma de gestão JetBov e foi desenvolvido com apoio financeiro da Finep e uso da base de dados da AgroAPI da Embrapa Agricultura Digital. A tecnologia foi desenhada para otimizar o manejo e oferecer ao pecuarista uma visão precisa do comportamento da pastagem durante as diferentes estações, como águas e seca.

“Até então, o manejo de troca de piquete era feito de forma empírica, limitando o potencial produtivo da fazenda. A ferramenta surgiu para transformar dados complexos em informações práticas e aplicáveis, permitindo que o produtor antecipe decisões e atue de forma estratégica”, destaca o CEO da JetBov.

Mais produtividade sem abrir novas áreas

A digitalização do pasto também representa um avanço ambiental e econômico. O monitoramento contínuo ajuda a aumentar a produção de carne por hectare, sem a necessidade de abertura de novas áreas de pastagem. Além disso, o sistema oferece análises históricas e comparativas, que favorecem o planejamento de médio e longo prazo e integram a gestão zootécnica à gestão financeira da propriedade.

De acordo com Xisto, essa visão integrada é essencial para tornar o negócio mais previsível e sustentável. “O produtor passa a ter clareza sobre o desempenho da fazenda e pode agir antes que os problemas ocorram, ajustando o manejo de forma precisa e eficiente.”

Mudança cultural: do manejo extensivo ao intensivo digital

Mais do que adotar tecnologia, a digitalização das pastagens representa uma mudança de mentalidade na pecuária brasileira. A transição de sistemas extensivos para modelos intensivos exige organização de dados, disciplina de monitoramento e controle de manejo, além de uma compreensão mais ampla sobre riscos e oportunidades.

“No Brasil, ainda há muito espaço para intensificação. A maioria das fazendas ainda não trabalha com piqueteamento nem com nutrição planejada. O desafio é abandonar o modelo extensivo e adotar práticas mais intensivas, baseadas em gestão e informação. É nesse ponto que a digitalização entra como aliada”, conclui Xisto Alves.

Fonte: Portal do Agronegócio

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