Jegue Land inaugura polo de ciência e tecnologia para jumentos Nordestinos na Bahia
Projeto reúne universidades para pesquisar conservação genética, reprodução, nutrição e bem-estar animal, com foco no desenvolvimento sustentável da pecuária asinina
Publicado em: 13/10/2026 às 13:30hs
A Jegue Land, instalada no sertão baiano, foi inaugurada com a proposta de integrar pesquisa científica, conservação genética e produção sustentável de asininos no Semiárido. Apresentada pelos responsáveis como o primeiro polo brasileiro de ciência e tecnologia dedicado ao ecótipo Nordestino, a iniciativa busca desenvolver práticas de criação adaptadas às condições da Caatinga.
O projeto conta com a participação de pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV), da Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE) e da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).
Concebida como um laboratório a céu aberto, a fazenda pretende aproximar o conhecimento das universidades dos saberes tradicionais dos criadores. As pesquisas também avaliarão possibilidades de geração de renda com leite e derivados, cosméticos, alimentos, carne e outros produtos da cadeia asinina.
Pesquisa acompanhará todas as etapas de criação
As atividades estão organizadas em cinco frentes: conservação e genética, nutrição, manejo reprodutivo e sanitário, bem-estar animal e viabilidade econômica.
O acompanhamento abrangerá as fases de criação, recria e engorda. Serão produzidos indicadores de fertilidade, nascimento, crescimento, ganho de peso, conversão alimentar, qualidade da produção e custos.
Segundo o administrador e zootecnista Alex Bastos, a iniciativa associa a valorização da cultura nordestina à investigação do potencial produtivo do Semiárido. Entre os objetivos estão avaliar dietas com recursos acessíveis aos produtores e estabelecer padrões de manejo compatíveis com as características dos animais.
Conservação genética e reprodução integram os estudos
Na área reprodutiva, estão previstos trabalhos com inseminação artificial, produção de embriões in vitro, criopreservação de sêmen e embriões e transferência de embriões.
A proposta é conservar a diversidade genética do ecótipo Nordestino e ampliar a participação de animais com características zootécnicas de interesse nas próximas gerações.
Para Yamê Fabres, médica-veterinária e pesquisadora da UFV, a reprodução de asininos ainda demanda mais investigação científica. Segundo ela, o trabalho pretende contribuir para a preservação e o melhoramento dos rebanhos diante da procura por animais e produtos como leite, queijo, cosméticos, carne e pele.
Nutrição e bem-estar orientam modelos para o Semiárido
A disponibilidade de alimentos nas condições do Semiárido será uma das bases das pesquisas nutricionais. O projeto avaliará o uso de forragens e outros recursos que possam ser incorporados à rotina dos criadores.
Esses estudos serão associados ao acompanhamento sanitário e comportamental, com o bem-estar animal entre os eixos centrais da iniciativa.
A avaliação conjunta do desempenho dos animais e dos custos permitirá analisar a viabilidade dos modelos de produção, evitando que as decisões sejam orientadas apenas pelo volume produzido.
Universidades buscam levar tecnologias aos criadores
Gustavo Carneiro, professor e pesquisador da UFRPE, destaca que o polo pretende ampliar o reconhecimento do valor genético, científico, econômico e social dos jumentos.
Além das pesquisas em reprodução, genética, sanidade, nutrição e comportamento, a parceria prevê estudos sobre o desenvolvimento de produtos derivados do leite.
Para Jorge Lucena, docente e pesquisador da UFAPE, a fazenda poderá demonstrar práticas de reprodução, alimentação, ordenha e manejo aos profissionais da cadeia.
Segundo o pesquisador, a extensão será fundamental para que os resultados cheguem aos produtores. A intenção é transformar o conhecimento gerado em alternativas aplicáveis às propriedades, apoiando novas atividades econômicas e o desenvolvimento sustentável da pecuária asinina no Nordeste.
Fonte: Portal do Agronegócio
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