Preço do leite ao produtor se estabiliza, exportações caem e mercado de lácteos segue pressionado, aponta Cepea
Boletim do Cepea revela estabilidade no preço do leite, retração das exportações, queda do leite UHT no atacado e custos de produção praticamente estáveis no primeiro semestre de 2026
Publicado em: 23/07/2026 às 10:50hs
O mercado brasileiro de lácteos apresentou sinais de acomodação em junho, refletindo uma combinação de demanda interna enfraquecida, estabilidade nos preços ao produtor e forte retração das exportações. É o que aponta a edição de julho do Boletim do Leite, divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
O levantamento mostra que o preço do leite captado em maio praticamente não sofreu alterações, enquanto os derivados apresentaram comportamentos distintos no atacado. Ao mesmo tempo, o comércio exterior registrou queda expressiva nos embarques e os custos de produção permaneceram controlados, apesar do aumento nas despesas com alimentação do rebanho.
Preço do leite ao produtor mantém estabilidade em maio
Segundo levantamento do Cepea, o preço médio do leite pago ao produtor em maio de 2026 ficou em R$ 2,6617 por litro na chamada "Média Brasil", registrando leve recuo de 0,45% em relação ao mês anterior.
Na comparação com maio de 2025, o valor apresenta queda real de 3,8%, considerando a atualização monetária pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
De acordo com os pesquisadores, a estabilidade reflete o equilíbrio momentâneo entre oferta e demanda, em um cenário de consumo ainda moderado e mercado mais cauteloso.
Mercado de derivados mostra comportamentos diferentes
No atacado paulista, os principais derivados lácteos seguiram trajetórias distintas durante junho.
Pesquisa realizada pelo Cepea, com apoio da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), indica que o queijo muçarela permaneceu praticamente estável, registrando leve alta de 0,08%, enquanto o leite em pó avançou 0,38%.
O destaque negativo ficou para o leite UHT, cujo preço recuou 3,07% no período, refletindo a menor demanda do consumidor e maior dificuldade de repasse de preços pela indústria.
O comportamento evidencia um mercado ainda pressionado pelo consumo enfraquecido, especialmente nos produtos de maior giro no varejo.
Exportações de lácteos registram forte retração
O comércio exterior brasileiro de lácteos também apresentou desempenho negativo em junho.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que tanto as importações quanto as exportações diminuíram na comparação com maio, mas a queda foi significativamente mais intensa nas vendas externas.
As importações recuaram 4,17%, totalizando 216,76 milhões de litros equivalentes de leite (EqL).
Já as exportações sofreram retração de 22,75%, encerrando o mês com apenas 4,49 milhões de litros equivalentes de leite embarcados.
Na comparação com junho de 2025, o cenário permanece desafiador. Enquanto as importações cresceram 35,11%, as exportações diminuíram 12,92%, reforçando o aumento da dependência brasileira de produtos lácteos importados.
Custos de produção permanecem praticamente estáveis
Mesmo com o aumento das despesas relacionadas à alimentação animal, os custos de produção apresentaram pouca variação em junho.
O Custo Operacional Efetivo (COE) da atividade leiteira avançou apenas 0,24% na Média Brasil.
No acumulado do primeiro semestre de 2026, a alta foi de 2,04%, indicando relativa estabilidade para os produtores.
Entre os estados monitorados pelo Cepea, os maiores aumentos ocorreram em:
- Bahia: +3,0%;
- Goiás: +2,6%;
- São Paulo: +2,56%;
- Minas Gerais: +2,5%;
- Paraná: +1,31%.
Por outro lado, Santa Catarina encerrou o semestre praticamente sem alterações nos custos, enquanto o Rio Grande do Sul foi o único estado a registrar redução no COE, com queda de 0,35%.
Mercado deve seguir atento ao comportamento da demanda
Os dados reunidos pelo Cepea indicam que o setor lácteo inicia o segundo semestre em um ambiente de maior estabilidade na produção, mas ainda cercado por desafios importantes.
A recuperação do consumo doméstico, o desempenho das exportações e a evolução dos custos de alimentação do rebanho continuarão sendo fatores determinantes para a rentabilidade dos produtores e para a formação dos preços do leite e de seus derivados nos próximos meses.
Com demanda ainda enfraquecida e maior concorrência dos produtos importados, o mercado deverá permanecer atento aos movimentos da indústria, do varejo e do comércio internacional, que poderão definir a trajetória dos preços ao longo do restante de 2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
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