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Bovinos Leite

Brasil realiza primeira exportação de gado Girolando para Botswana e amplia presença da genética leiteira na África

Embarque de 189 novilhas prenhes marca a abertura de um novo mercado para a genética bovina brasileira e integra projeto que prevê a importação de mil animais para fortalecer a produção de leite no país africano


Publicado em: 23/07/2026 às 08:30hs

Brasil realiza primeira exportação de gado Girolando para Botswana e amplia presença da genética leiteira na África

O Brasil alcançou um novo marco nas exportações da pecuária leiteira com o envio do primeiro lote de bovinos da raça Girolando para Botswana, na África. A operação representa a abertura de um novo mercado para a genética leiteira brasileira e reforça o reconhecimento internacional da qualidade dos animais desenvolvidos no país.

Ao todo, 189 novilhas prenhes foram embarcadas neste mês de julho pela Fazenda Floresta, localizada em Lins (SP) e associada da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando. Os animais seguiram por via aérea no dia 11 de julho e já estão na Fazenda Milk Valley, em Lobatse, no sudeste de Botswana.

Genética brasileira impulsionará produção de leite em Botswana

A Fazenda Milk Valley pertence à Botswana Development Corporation (BDC), agência do governo responsável pelo desenvolvimento comercial e industrial do país.

Segundo a instituição, a escolha da raça Girolando ocorreu devido ao elevado potencial de produção leiteira, além da reconhecida rusticidade, resistência e capacidade de adaptação a regiões tropicais e semiáridas — características consideradas fundamentais para as condições climáticas de Botswana.

Este é apenas o primeiro embarque de um programa mais amplo que prevê a importação de 1.000 vacas leiteiras de alto desempenho, formando a base para a expansão da atividade leiteira nacional.

Projeto busca ampliar segurança alimentar

De acordo com o diretor-geral da BDC, Oteng Keabetswe, a introdução da genética brasileira representa um passo estratégico para transformar a cadeia leiteira do país.

O investimento tem como objetivo aumentar a produção nacional de leite, reduzir a dependência das importações de produtos lácteos, gerar empregos, desenvolver mão de obra especializada e fortalecer a segurança alimentar, além de contribuir para a diversificação da economia de Botswana.

Exportação abre nova fronteira para a pecuária brasileira

Para a criadora Roberta Bertin, responsável pelo lote exportado, a operação possui importância histórica para a pecuária nacional.

Segundo ela, trata-se da primeira exportação de material genético bovino brasileiro para Botswana, consolidando uma nova fronteira para a genética leiteira nacional no continente africano.

Os animais enviados apresentam elevado mérito genético, produtividade comprovada, eficiência reprodutiva e excelente adaptação ao clima tropical, características que fazem do Girolando uma das principais referências mundiais na produção de leite em regiões de clima quente.

Associação Girolando participou da abertura do mercado

As negociações para viabilizar a exportação começaram em maio de 2025 e foram concluídas em março de 2026, após acordos sanitários e técnicos entre os dois países.

O projeto Brazilian Girolando, iniciativa de promoção internacional da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, participou ativamente do processo, fornecendo informações técnicas e documentação necessária para a certificação dos animais.

Segundo o gestor do programa, Marcello Cembranelli, todos os exemplares exportados possuem registro genealógico oficial emitido pela associação, garantindo origem comprovada e elevado padrão genético.

Essa certificação será essencial para o programa de multiplicação do rebanho leiteiro que será desenvolvido pela Fazenda Milk Valley.

Expansão prevê rebanho com 3 mil vacas leiteiras

O governo de Botswana optou por uma estratégia de implantação gradual do projeto.

Inicialmente, as novilhas prenhes permitirão acompanhar o processo de adaptação ao novo ambiente, avaliar indicadores sanitários, produtividade e bem-estar animal, além de possibilitar a estruturação da fazenda para receber os próximos embarques.

Ao final do programa de expansão, a expectativa é que a propriedade alcance aproximadamente 3.000 vacas leiteiras, elevando significativamente a produção nacional de leite.

Projeto deve impulsionar toda a cadeia do leite

Além do aumento da produção leiteira, a iniciativa deverá estimular diversos segmentos da economia local.

Entre os setores beneficiados estão:

  • produção de forragens;
  • serviços veterinários;
  • reprodução animal;
  • transporte e logística;
  • manutenção de equipamentos;
  • processamento industrial de leite;
  • embalagem;
  • cadeia de frio;
  • distribuição;
  • comércio varejista.

A expectativa do governo de Botswana é que o projeto fortaleça toda a cadeia produtiva do leite, aumente a competitividade do agronegócio local e reduza a necessidade de importação de derivados lácteos.

Genética Girolando amplia protagonismo internacional

A primeira exportação de bovinos Girolando para Botswana reforça o avanço da genética brasileira nos mercados internacionais e evidencia o reconhecimento global da pecuária nacional.

Com elevada produtividade, adaptação aos trópicos e ganhos consistentes em eficiência leiteira, a raça Girolando consolida sua posição como uma das principais vitrines da pecuária brasileira, abrindo novas oportunidades de negócios para exportadores de genética bovina e fortalecendo a presença do Brasil no mercado mundial de leite.

Fonte: Portal do Agronegócio

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