Publicado em: 08/06/2026 às 10:00hs
O projeto Vozes da Pecuária iniciou uma nova etapa de atuação no Brasil com foco na construção de agendas territoriais capazes de subsidiar políticas públicas e orientar propostas voltadas ao desenvolvimento da pecuária brasileira. A iniciativa, liderada pelo Instituto Pecuária Tropical pelo Clima, amplia agora sua atuação para regiões estratégicas dos principais biomas produtores do país, fortalecendo a participação direta dos pecuaristas na definição das prioridades do setor.
A proposta é promover um amplo processo de escuta estruturada junto aos produtores rurais, lideranças regionais, entidades setoriais e representantes do mercado, identificando desafios, oportunidades e demandas específicas de cada território pecuário.
Segundo os organizadores, o objetivo é consolidar diagnósticos regionais que possam servir de base para investimentos, programas governamentais e ações estratégicas voltadas à evolução sustentável da atividade.
A nova fase do projeto parte do princípio de que a pecuária brasileira é marcada por diferentes realidades produtivas, ambientais, sociais e econômicas, exigindo soluções adaptadas às características de cada região.
De acordo com Raul Moraes, diretor do Instituto Pecuária Tropical pelo Clima, a iniciativa pretende organizar as demandas locais e transformá-las em instrumentos concretos de apoio à formulação de políticas públicas.
“Além de dar voz aos produtores, o projeto busca estruturar as demandas territoriais, fortalecer lideranças regionais e transformar essas contribuições em pactos capazes de orientar decisões estratégicas para a pecuária brasileira”, destaca.
Nesta fase, o Vozes da Pecuária atuará em sete territórios considerados prioritários, distribuídos pelos biomas Cerrado, Pantanal e Amazônia, regiões responsáveis por parcela significativa da produção pecuária nacional.
Os territórios abrangem 15 municípios localizados nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Pará. Juntas, essas regiões concentram um rebanho superior a 10,8 milhões de bovinos.
A iniciativa também adota uma abordagem diferenciada ao definir os territórios não apenas por limites geográficos ou administrativos, mas pela vocação produtiva e pelas características próprias de cada região.
Segundo Amanda Purger, coordenadora dos embaixadores territoriais, a proposta valoriza a identidade produtiva de cada localidade.
“Os territórios passam a ter uma identidade construída a partir da sua vocação, da história local e da forma como a pecuária se organiza em cada região”, afirma.
Os sete territórios definidos para esta etapa são:
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A execução das atividades ocorre entre maio e novembro de 2026 e contará com a atuação de embaixadores territoriais, responsáveis por mobilizar produtores, estimular debates regionais e coordenar a construção das agendas locais.
O trabalho envolverá diagnósticos participativos, reuniões técnicas e articulação com diferentes segmentos ligados à cadeia pecuária.
Ao final do processo, os resultados serão consolidados em documentos estratégicos que deverão ser apresentados a representantes do poder público e aos candidatos das eleições de 2026.
O Vozes da Pecuária foi lançado em setembro de 2025, durante um encontro nacional realizado em Brasília. Na ocasião, produtores rurais apresentaram uma carta aberta contendo as principais reivindicações e diretrizes para o fortalecimento da atividade pecuária no país.
Agora, a iniciativa avança para uma etapa mais aprofundada, levando o debate diretamente aos territórios produtivos.
“A proposta é fazer com que as prioridades sejam construídas por quem vive a realidade da pecuária no campo. Cada território possui desafios e oportunidades próprios, e isso precisa ser considerado na elaboração das políticas públicas”, ressalta Raul Moraes.
Além do Instituto Pecuária Tropical pelo Clima, o movimento conta com o apoio da Terra Adorada, organização integrante da rede internacional Our Common Home, dedicada à promoção de iniciativas voltadas ao desenvolvimento sustentável e ao bem comum.
A ação também tem parceria da União Nacional da Pecuária (Unapec), reforçando a articulação entre produtores, entidades representativas e demais agentes do setor.
A expectativa é que os resultados da escuta territorial contribuam para ampliar a competitividade da pecuária brasileira, fortalecer a sustentabilidade da atividade e ampliar sua contribuição econômica, ambiental, social e cultural para o país.
Fonte: Portal do Agronegócio
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