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Seca exige manejo estratégico na pecuária: cria e recria precisam de suplementação, sanidade e planejamento

Período de baixa oferta de pastagens no Centro-Oeste aumenta os desafios para pecuaristas, que devem ajustar nutrição, vacinação e manejo reprodutivo para preservar desempenho do rebanho.


Publicado em: 04/08/2026 às 16:30hs

Seca exige manejo estratégico na pecuária: cria e recria precisam de suplementação, sanidade e planejamento
Foto: Josimar Lima

O período de seca representa um dos principais desafios para a pecuária de corte brasileira, especialmente nas fases de cria e recria, etapas fundamentais para garantir produtividade, eficiência reprodutiva e qualidade genética do rebanho.

Com a redução das chuvas, queda na qualidade das pastagens e aumento do déficit hídrico, produtores precisam adotar estratégias antecipadas de manejo para manter o ganho de peso dos animais, preservar a condição corporal das matrizes e reduzir perdas produtivas.

Segundo especialistas, o planejamento nutricional e sanitário durante a seca é determinante para evitar impactos negativos no ciclo pecuário.

Baixa umidade e falta de chuvas reduzem oferta de pastagem

O inverno no Centro-Oeste brasileiro é marcado por baixa umidade do ar, escassez de chuvas e temperaturas elevadas durante as tardes, condições que podem intensificar a deficiência hídrica e comprometer o desenvolvimento das forrageiras.

De acordo com o Painel El Niño, o calor excessivo associado ao período seco pode atrasar o crescimento das pastagens e reduzir a disponibilidade de água para os animais.

Nesse cenário, o produtor precisa ajustar o sistema de produção antes que a queda na oferta de alimento comprometa o desempenho do rebanho.

Recria exige atenção com sanidade e suplementação

Na fase de recria, o cuidado com a saúde dos animais é um dos pontos prioritários.

O pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Rodrigo Gomes, destaca que os animais entre 12 e 24 meses de idade devem receber atenção especial, principalmente em relação ao controle sanitário.

Entre as recomendações está a manutenção da vacinação contra clostridioses e o acompanhamento do protocolo de vermifugação indicado pela Embrapa, com aplicações previstas para os meses de maio, julho e novembro.

Além da sanidade, a nutrição precisa ser ajustada para manter o desenvolvimento dos animais durante o período de menor disponibilidade de pasto.

“Nas regiões em que temos uma boa massa de forragem, pode-se utilizar suplementação proteica ou proteico-energética de baixo consumo para manter o custo mais baixo”, explica Gomes.

Em propriedades com disponibilidade de concentrados e coprodutos a preços competitivos, o produtor pode adotar níveis maiores de suplementação, chegando a até 1% do peso vivo do animal, estratégia capaz de acelerar o ganho de peso na recria.

Fêmeas jovens precisam chegar preparadas à reprodução

As fêmeas desmamadas no outono demandam atenção especial durante a seca.

O objetivo é garantir que esses animais atinjam condição corporal adequada para entrar em reprodução aos 14 meses de idade, aumentando a eficiência do sistema de cria.

Para isso, o manejo alimentar deve ser planejado conforme a disponibilidade de pastagem e o potencial produtivo de cada lote.

Cria depende de condição corporal das matrizes

Na fase de cria, o principal objetivo é manter as vacas saudáveis e com condição corporal adequada, especialmente as fêmeas prenhes próximas ao parto.

Durante o terço final da gestação, Rodrigo Gomes recomenda reforçar o calendário sanitário, incluindo vacinas contra:

  • Diarreia neonatal;
  • Doenças reprodutivas;
  • Clostridioses.

No manejo nutricional, a estratégia deve considerar o escore de condição corporal das matrizes.

Para vacas com bom escore corporal, entre 3 e 4 em uma escala de 1 a 6, a recomendação é utilizar suplementação de manutenção, como sal ureado ou suplemento proteico de baixo consumo.

O objetivo é conservar o peso do animal sem elevar excessivamente os custos de produção.

Vacas magras exigem manejo diferenciado antes do parto

As maiores preocupações estão relacionadas às fêmeas prenhes com baixo escore corporal e previsão de parto durante a seca.

Nesses casos, a recomendação é separar esses animais e direcioná-los para áreas com melhor qualidade de pastagem, além de fornecer suplementação proteico-energética mais intensa.

Segundo o pesquisador, a suplementação pode variar entre 1 kg e 1,2 kg por animal, podendo chegar a até 1% do peso vivo em situações específicas.

A estratégia deve ser aplicada antes da parição para aumentar as chances de recuperação corporal e melhorar a possibilidade de reconcepção na próxima estação de monta.

Desmama antecipada ajuda a preservar matrizes e melhorar desempenho

Uma das estratégias indicadas para enfrentar os efeitos da seca é a realização da desmama antecipada, principalmente em situações específicas.

Segundo Rodrigo Gomes, a prática é recomendada para vacas primíparas, que apresentam maior dificuldade de recuperação após o primeiro parto.

Nesses casos, a desmama pode ocorrer por volta dos seis meses de idade do bezerro, evitando perda excessiva de condição corporal da matriz antes da segunda reprodução.

“Se levarmos a desmama até os 8 meses, talvez ela sofra um pouco mais do que as multíparas e demore para recuperar seu escore corporal antes da segunda parição”, explica.

Creep-feeding auxilia desenvolvimento dos bezerros

Para os bezerros, especialmente filhos de vacas primíparas, o uso do creep-feeding é uma alternativa para compensar a menor produção de leite da mãe.

O sistema permite fornecer alimentação exclusiva aos bezerros ainda durante o período de aleitamento, aumentando o peso à desmama e melhorando o desempenho futuro do animal.

A estratégia contribui para reduzir impactos da seca sobre o crescimento dos animais jovens.

Descarte estratégico melhora eficiência do rebanho

Outra recomendação é antecipar a desmama de animais destinados ao descarte.

A retirada antecipada do bezerro permite que a vaca seja direcionada para recuperação e terminação, possibilitando sua venda como animal gordo em vez de descarte magro.

Além do impacto econômico imediato, a estratégia também contribui para o melhoramento genético do rebanho.

“Um bom descarte é premissa de uma seleção genética efetiva”, destaca Gomes.

Planejamento define resultado da pecuária durante a seca

Com a chegada do período seco, produtores que adotam planejamento nutricional, controle sanitário e manejo adequado conseguem reduzir perdas e preservar a produtividade do sistema.

Nas fases de cria e recria, decisões tomadas antes do agravamento da escassez de pastagem são fundamentais para garantir melhores índices reprodutivos, maior ganho de peso e maior rentabilidade na pecuária de corte.

Fonte: Portal do Agronegócio

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