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Bovinos de Corte

Genética e tecnologia impulsionam pecuária do Nordeste e ampliam acesso às exportações

Embarques regionais de carne bovina cresceram 51,38% em volume no primeiro trimestre de 2026; investimentos em produtividade, sanidade e manejo fortalecem produtores diante das mudanças do mercado


Publicado em: 14/09/2026 às 15:15hs

Genética e tecnologia impulsionam pecuária do Nordeste e ampliam acesso às exportações

A pecuária do Nordeste amplia sua participação no mercado internacional apoiada em investimentos em genética, sanidade, nutrição e eficiência produtiva. No primeiro trimestre de 2026, as exportações regionais de carne bovina alcançaram 9,6 mil toneladas, crescimento de 51,38% em volume, com embarques destinados a 84 países.

A receita obtida no período chegou a US$ 44,9 milhões, avanço de 71,08%. O desempenho reforça o potencial da região em um momento de mudanças no comércio mundial da proteína animal, marcado por restrições tarifárias, instabilidades logísticas e necessidade de diversificação dos compradores.

O Brasil encerrou 2025 com exportações de carne bovina próximas de US$ 18 bilhões, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Apesar do resultado, as mudanças nas condições de acesso a mercados estratégicos aumentam a importância da eficiência dentro das propriedades.

Inovação aumenta competitividade da pecuária nordestina

A capacidade de atender aos padrões exigidos pelos mercados compradores depende de fatores que começam dentro da porteira. Qualidade genética, controle sanitário, alimentação adequada, rastreabilidade e manejo eficiente influenciam a produtividade e o valor comercial dos animais.

No Nordeste, propriedades tradicionais vêm incorporando essas práticas para transformar experiência acumulada em competitividade. Um exemplo é a Fazenda Recanto, localizada em Chã Preta, na Zona da Mata de Alagoas.

Com aproximadamente dois séculos de história, a propriedade desenvolve há quase 50 anos um trabalho de seleção de bovinos Nelore Puro de Origem. Os animais possuem genealogia rastreável e certificada pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ).

“Quem investir em genética e tecnologia hoje estará preparado para aproveitar as oportunidades que o novo ciclo vai trazer. Cada animal bem criado e cada propriedade que investe em qualidade geram empregos no campo, movimentam a indústria e colocam o Nordeste no mapa das exportações”, afirma Ricardo Barros Correia, um dos administradores da Fazenda Recanto.

Ciclo pecuário exige produtividade e controle de custos

Dados do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), vinculado ao Banco do Nordeste (BNB), indicam que a cadeia pecuária atravessa uma fase de retenção de fêmeas, redução gradual da oferta e valorização do boi gordo.

O cenário pode beneficiar produtores preparados para entregar animais mais produtivos e com maior padrão de qualidade. Por outro lado, a valorização da arroba também eleva o custo de reposição do rebanho, exigindo maior controle financeiro e eficiência na produção.

Segundo Ricardo, antecipar os investimentos é fundamental para preservar as margens durante as mudanças do ciclo pecuário.

“Se a arroba valoriza, a despesa para repor o rebanho sobe na mesma proporção. É aí que o investimento em eficiência faz a diferença. A seleção genética, a sanidade em dia e o manejo bem feito garantem margem quando o mercado aperta”, avalia.

Ele acrescenta que a precocidade dos animais pode reduzir custos e melhorar o aproveitamento da produção.

“Em nossa fazenda, por exemplo, o animal nasce preparado para chegar mais cedo ao abate, com mais carne e menor custo. Quando falamos em exportação, é esse padrão de qualidade que abre portas. Quem se prepara agora, com produtividade e acesso a mercados, poderá aproveitar melhor a próxima fase do ciclo”, afirma.

Agrofeira IBC debate futuro da pecuária no Nordeste

As perspectivas de mercado e as estratégias para aumentar a eficiência produtiva estarão no centro da quarta edição da Agrofeira IBC. O evento será realizado nos dias 18 e 19 de setembro, na Fazenda Recanto, em Chã Preta.

A programação reunirá pecuaristas, pesquisadores, autoridades e empresas ligadas ao agronegócio para discutir os desafios e as oportunidades da pecuária nordestina.

Entre os participantes confirmados estão a economista Lygia Pimentel, reconhecida pela Forbes como uma das mulheres mais influentes do agronegócio brasileiro; o engenheiro agrônomo Roberto Barcelos, especialista em qualidade da carne; e o advogado Jhon Matias, que abordará a regularização imobiliária rural.

Feira terá reprodutores Nelore, máquinas e insumos

Além da programação técnica, a Agrofeira IBC abrirá espaço para a comercialização de reprodutores da raça Nelore. O evento também contará com estandes de empresas fornecedoras de máquinas, insumos, genética e serviços destinados à atividade pecuária.

Segundo os organizadores, as edições anteriores alcançaram liquidez de 100% na comercialização dos animais e receberam compradores de diferentes regiões do Brasil.

A participação na Agrofeira IBC é gratuita. As inscrições podem ser realizadas pela plataforma Doity, no endereço doity.com.br/agrofeira-ibc-2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

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