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Bovinos de Corte

Estação de monta: prevenção de doenças reprodutivas ajuda a reduzir perdas e proteger a prenhez

Planejamento sanitário, avaliação dos touros e acompanhamento nutricional das fêmeas devem anteceder a IATF e a monta natural, orienta médico-veterinário


Publicado em: 22/10/2026 às 14:30hs

Estação de monta: prevenção de doenças reprodutivas ajuda a reduzir perdas e proteger a prenhez

A preparação para a estação de monta exige atenção à saúde reprodutiva e à condição corporal do rebanho. Doenças que provocam perdas embrionárias, abortos e repetição de cio podem comprometer os resultados mesmo sem sinais evidentes, tornando o planejamento preventivo uma etapa importante antes dos acasalamentos.

Segundo o médico-veterinário Pablo Paiva, gerente de mercado de Gado de Corte da MSD Saúde Animal, as fêmeas devem iniciar os protocolos de inseminação artificial em tempo fixo (IATF) ou a monta natural em boas condições nutricionais e com o calendário sanitário atualizado.

A concentração dos acasalamentos e dos nascimentos em períodos definidos facilita a organização das atividades da propriedade. Para aproveitar esses benefícios, porém, é necessário integrar os cuidados sanitários, nutricionais e reprodutivos.

Doenças podem comprometer a gestação de forma silenciosa

Entre os agentes associados às falhas reprodutivas estão o herpesvírus bovino tipo 1, relacionado à rinotraqueíte infecciosa bovina (IBR), o vírus da diarreia viral bovina (BVD) e diferentes sorovares de Leptospira.

Esses agentes podem estar envolvidos em abortos, mortes embrionárias e nascimento de bezerros fracos. No caso da BVD, também há risco de formação de animais persistentemente infectados.

Paiva destaca que o controle deve começar antes da formação dos lotes reprodutivos, com avaliação do histórico sanitário, vacinação planejada e acompanhamento veterinário.

Vacinação deve ser organizada antes dos protocolos reprodutivos

O especialista recomenda programar a vacinação preventiva com antecedência, preferencialmente entre 30 e 60 dias antes do início da estação de monta ou da IATF, conforme o protocolo definido pelo médico-veterinário responsável.

O calendário precisa considerar as características das vacinas utilizadas, o histórico dos animais e as condições epidemiológicas da propriedade.

“A imunidade precisa estar estabelecida antes do período de maior desafio reprodutivo”, afirma Paiva.

A organização antecipada também permite coordenar os manejos de curral, reduzindo intervenções e o estresse dos animais.

Exame dos touros e condição corporal das fêmeas exigem atenção

Na monta natural, a preparação inclui a avaliação andrológica dos touros, idealmente realizada entre 30 e 60 dias antes do início da estação. O exame verifica aspectos como qualidade seminal, condições físicas e aptidão reprodutiva.

Nas fêmeas, o acompanhamento do escore de condição corporal ajuda a orientar decisões sobre alimentação e formação dos lotes.

Novilhas, primíparas e multíparas devem ser consideradas conforme suas necessidades. A separação por categoria favorece a organização do manejo nutricional e reprodutivo.

Períodos de seca ou mudanças na disponibilidade de forragem exigem atenção adicional, pois podem afetar a condição corporal e o desempenho das matrizes.

Monitoramento da prenhez orienta ajustes durante a estação

O acompanhamento técnico deve continuar após o início dos acasalamentos. Os resultados da primeira IATF, os diagnósticos de gestação e a necessidade de ressincronização fornecem informações para definir as etapas seguintes.

Segundo Paiva, a análise dos índices de prenhez deve ser feita em conjunto com a avaliação sanitária, nutricional e operacional da fazenda.

Esse monitoramento permite identificar dificuldades e ajustar o manejo ao longo do calendário reprodutivo.

Cuidados prioritários no planejamento da estação de monta

Para organizar a rotina da propriedade, o médico-veterinário destaca as seguintes medidas:

  • Planejar o calendário sanitário antes da IATF ou da monta natural.
  • Conservar e aplicar as vacinas conforme as orientações do fabricante, preservando as condições adequadas de armazenamento.
  • Avaliar a condição corporal das fêmeas e adequar a alimentação à categoria animal.
  • Realizar o exame andrológico dos touros antes dos acasalamentos.
  • Separar os lotes por categoria, considerando novilhas, primíparas e multíparas.
  • Acompanhar os resultados reprodutivos, incluindo IATF, monta natural e diagnósticos de gestação.

Os protocolos devem ser definidos com orientação veterinária e ajustados à realidade de cada rebanho, considerando os desafios sanitários e as condições de produção da propriedade.

Fonte: Portal do Agronegócio

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