Publicidade
Bovinos de Corte

Abate de bovinos bate recorde no Brasil e produção de carne cresce 4,4% no segundo trimestre

Frigoríficos processaram 10,72 milhões de cabeças entre abril e junho de 2026, maior volume para o período desde o início da série histórica do IBGE


Publicado em: 17/09/2026 às 13:10hs

Abate de bovinos bate recorde no Brasil e produção de carne cresce 4,4% no segundo trimestre

O abate de bovinos no Brasil alcançou 10,72 milhões de cabeças no segundo trimestre de 2026, estabelecendo o maior resultado para o período desde o início da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1997.

O volume processado entre abril e junho confirma o ritmo elevado de oferta de animais para a indústria frigorífica. O avanço dos abates também foi acompanhado pelo crescimento da produção de carne bovina, segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

O peso total das carcaças aumentou de 2,63 milhões de toneladas no primeiro trimestre para 2,75 milhões de toneladas no segundo, uma expansão de 4,4% entre os dois períodos.

Oferta de carne bovina aumenta no mercado

O crescimento simultâneo do número de animais abatidos e do peso total das carcaças ampliou a oferta de carne bovina pela indústria.

Para o mercado do boi gordo, o elevado ritmo de processamento é um dos principais fatores acompanhados por pecuaristas e frigoríficos. Uma disponibilidade maior de animais terminados tende a ampliar a capacidade de formação das escalas de abate, embora os impactos sobre os preços dependam também da demanda interna e das exportações.

O desempenho do segundo trimestre mostra que a cadeia conseguiu elevar a produção mesmo diante das exigências crescentes relacionadas à eficiência, ao custo de alimentação e à gestão das propriedades.

Peso das carcaças ajuda a explicar crescimento

O recorde não está relacionado apenas à quantidade de bovinos encaminhados aos frigoríficos. De acordo com pesquisadores do Cepea, a composição do rebanho abatido e o peso médio das carcaças também contribuíram para o aumento da produção.

Animais mais pesados permitem que a indústria produza maior volume de carne sem depender exclusivamente da ampliação do número de cabeças processadas.

A evolução desse indicador pode refletir mudanças nos sistemas de terminação, no perfil dos animais abatidos e nas estratégias adotadas pelos pecuaristas para aumentar o peso de saída e melhorar a eficiência econômica da atividade.

Genética, nutrição e manejo elevam produtividade

Os ganhos de produtividade na pecuária bovina estão associados a investimentos realizados dentro da porteira. Melhoramento genético, nutrição adequada, manejo sanitário e qualidade das pastagens são alguns dos fatores que ajudam a elevar o desempenho dos animais.

O uso de suplementação estratégica e de sistemas mais intensivos de terminação também pode reduzir o tempo necessário para levar os bovinos ao peso de abate. Essas ferramentas permitem aumentar a produção por área e melhorar o aproveitamento da estrutura disponível na propriedade.

Ao mesmo tempo, o resultado econômico depende do equilíbrio entre o ganho de peso, o custo dos insumos e o valor recebido pela arroba. Por isso, produzir animais mais pesados não garante, isoladamente, maior rentabilidade ao pecuarista.

Recorde de abates influencia mercado do boi gordo

O volume de 10,72 milhões de cabeças abatidas reforça a importância de acompanhar a relação entre oferta de animais, escalas dos frigoríficos e consumo de carne bovina.

Quando a indústria encontra maior disponibilidade de gado, a pressão compradora pode diminuir em determinadas regiões. Por outro lado, exportações aquecidas e consumo doméstico firme podem absorver parte da produção e limitar impactos negativos sobre a arroba.

O comportamento dos preços também varia conforme a oferta regional, o padrão dos animais, as exigências de cada frigorífico e a disponibilidade de boiadas para atendimento de mercados específicos.

Com abate recorde e produção de carcaças em expansão, o mercado do boi gordo entra em uma fase de atenção redobrada à capacidade de absorção da carne pela demanda. Para o produtor, eficiência produtiva, controle de custos e estratégia de comercialização permanecem decisivos para transformar desempenho zootécnico em rentabilidade.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias