Bovinos de Corte

Bem-estar animal e acesso a mercados: por que certificações internacionais ganham peso na pecuária global

A adoção de padrões internacionais de bem-estar animal se consolida como fator estratégico para competitividade da carne brasileira no mercado europeu


Publicado em: 29/04/2026 às 08:00hs

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Nos últimos anos, o agronegócio passou a ser avaliado por critérios que vão além da produtividade e da eficiência operacional. Temas como sustentabilidade, rastreabilidade e bem-estar animal ganharam relevância crescente nas decisões de consumo e nas políticas de importação de diversos mercados internacionais, especialmente na Europa.

Nesse contexto, certificações de bem-estar animal vêm se consolidando como instrumentos importantes para garantir transparência, credibilidade e alinhamento às exigências regulatórias e às expectativas da sociedade. Mais do que um diferencial reputacional, essas certificações tornam-se cada vez mais um requisito para acessar e permanecer em mercados de alto valor agregado.

A União Europeia é um dos exemplos dessa transformação. Consumidores, varejistas e reguladores europeus têm demonstrado atenção crescente às condições de criação, manejo e transporte dos animais destinados à produção de alimentos. Como resultado, empresas exportadoras precisam demonstrar, de forma cada vez mais objetiva e auditável, que suas operações seguem padrões reconhecidos internacionalmente.

Nesse cenário, protocolos científicos de avaliação de bem-estar animal ganham protagonismo. Iniciativas como os protocolos Welfare Quality e Animal Welfare Indicators (AWIN) representam mais de duas décadas de pesquisa conduzida por centenas de especialistas internacionais, que desenvolveram indicadores capazes de avaliar aspectos fundamentais do bem-estar dos animais, como nutrição, manejo, comportamento e condições de ambiente.

A adoção desses protocolos por meio de certificações independentes permite que frigoríficos e demais empresas da cadeia produtiva demonstrem, de maneira transparente, a adoção de boas práticas ao longo de todas as etapas da produção. Isso fortalece a confiança de consumidores e parceiros comerciais e contribui para a valorização da proteína animal brasileira no mercado global.

Recentemente, a Minerva Foods tornou-se a primeira empresa de carne bovina da América Latina a obter a certificação Welfair®, um selo europeu de bem-estar animal desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa e Tecnologias Agroalimentares (IRTA), em colaboração com o Instituto Basco de Pesquisa e Desenvolvimento Agrário (NEIKER). A certificação reconhece empresas que atendem a rigorosos critérios científicos de avaliação do bem-estar animal ao longo de toda a cadeia produtiva. Mais do que um reconhecimento institucional, iniciativas como essa demonstram o movimento de adaptação do setor às demandas de mercados cada vez mais exigentes.

Ao mesmo tempo, essas iniciativas têm impacto positivo dentro da própria cadeia produtiva. A implementação de padrões internacionais estimula melhorias contínuas nas práticas de manejo, no treinamento de equipes e no monitoramento de indicadores de desempenho relacionados ao bem-estar animal. Esse processo envolve não apenas as indústrias, mas também produtores e fornecedores, promovendo uma evolução sistêmica na produção pecuária.

Para um país como o Brasil, que ocupa posição de liderança nas exportações globais de carne bovina, acompanhar essa transformação é essencial para manter a competitividade em mercados estratégicos. O alinhamento a padrões internacionais de sustentabilidade e bem-estar animal representa, portanto, não apenas uma resposta às demandas externas, mas também uma oportunidade de fortalecer a imagem e a credibilidade da produção brasileira.

A pecuária moderna exige uma visão cada vez mais integrada entre produtividade, responsabilidade socioambiental e transparência. Nesse contexto, iniciativas voltadas ao bem-estar animal já se consolidam como uma realidade no setor, deixando de ser apenas uma tendência para ocupar um papel cada vez mais central na agenda estratégica da produção.

Garantir que essas práticas avancem de forma consistente ao longo de toda a cadeia produtiva será uma das principais oportunidades para o futuro da pecuária brasileira no mercado global.

Artigo por Tâmara Borges, Gerente Global de Bem-Estar Animal da Minerva Foods

Fonte: Minerva Foods

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