Publicado em: 29/06/2026 às 09:00hs
A competitividade da pecuária moderna passa diretamente pela evolução das práticas no campo. Sustentabilidade, rastreabilidade e responsabilidade socioambiental ganharam relevância nas decisões de consumo, nas exigências regulatórias e nos critérios de compra de mercados internacionais. Nesse cenário, o bem-estar animal deixou de ser apenas uma pauta ética e passou a ocupar posição estratégica para a produtividade, a eficiência operacional e o acesso a mercados.
Hoje, já existe consenso técnico de que animais manejados de forma adequada apresentam menor nível de estresse, melhores índices sanitários, redução de perdas operacionais e maior desempenho produtivo. O manejo racional impacta diretamente a qualidade da carne, a segurança operacional e a eficiência das operações ao longo de toda a cadeia. Entende-se por manejo racional a aplicação de técnicas que priorizam o bem-estar animal, a redução do estresse e a movimentação tranquila do rebanho, utilizando o comportamento natural dos bovinos para facilitar o manejo e aumentar a segurança dos trabalhadores.
Grande parte desses resultados depende das pessoas envolvidas na rotina das propriedades e das indústrias. A capacitação da mão de obra é um dos fatores que mais impactam positivamente o bem-estar animal. Uma rotina de trabalho calma, organizada e segura reduz o estresse dos bovinos, melhora o fluxo operacional e aumenta a produtividade.
Da mesma forma, práticas inadequadas comprometem tanto o desempenho produtivo quanto a qualidade do manejo. Gritos, agressões, sons estridentes, movimentações bruscas e currais superlotados aumentam a reatividade dos animais e dificultam as operações. Estruturas inadequadas, excesso de distrações externas e longos períodos sem acesso adequado à água e à alimentação também impactam negativamente o bem-estar e a eficiência da produção. O avanço das boas práticas de manejo depende de uma visão integrada entre ambiente, pessoas e animais, além do engajamento contínuo de toda a cadeia produtiva.
O mercado global já acompanha essa transformação de forma bastante concreta. Países importadores e grandes redes varejistas são mais exigentes e necessitam de protocolos robustos de rastreabilidade, sustentabilidade e bem-estar animal. Para o Brasil, líder global na exportação de carne bovina, fortalecer essas práticas é fundamental para manter a competitividade e ampliar a presença em mercados de maior valor agregado.
Nesse processo, a proximidade com os fornecedores se tornou um dos principais pilares para a evolução da pecuária. Aqui na Minerva Foods, nossa estratégia de bem-estar animal inclui treinamentos contínuos, auditorias técnicas e programas de engajamento com fornecedores em todos os países onde a Companhia atua. Em 2024, mais de 7,8 mil pessoas — entre colaboradores, pecuaristas e motoristas — participaram de capacitações voltadas às boas práticas de manejo de bovinos. Em 2025, intensificamos os treinamentos, envolvendo também nossas cadeias de fornecedores de matéria-prima de origem animal, expandindo-os para as cadeias de ovinos, suínos, frangos de corte, pescado e leite (como ingrediente).
Chegamos a 66,5% de mapeamento da cadeia global de fornecedores, o que ampliou a rastreabilidade e a transparência em nossas práticas de BEA, fortalecendo processos de monitoramento, autoavaliação e visitas técnicas direcionadas para apoiar a evolução contínua.
Um dos principais exemplos do contato próximo da Minerva Foods com seus fornecedores é o programa BEA+ Minerva, focado no intercâmbio de boas práticas de bem-estar animal, no engajamento para a promoção de mudanças e no posterior acompanhamento da evolução de forma individual. O programa promove visibilidade de indicadores técnicos de produção, reconhece as iniciativas de excelência operacional e promove o desenvolvimento de fornecedores com acesso a conteúdos e treinamentos técnicos exclusivos.
A adoção de um programa estruturado de capacitação e acompanhamento técnico tem ajudado os fornecedores a aprimorar processos, adequar instalações e implementar práticas de bem-estar animal e manejo mais eficientes. O compartilhamento de conhecimento contribui para reduzir perdas operacionais, melhorar indicadores e fortalecer a rastreabilidade da produção. Como resultado, o programa também se torna um importante vetor para a evolução contínua dos compromissos públicos da Companhia, reforçando sua atuação responsável e seu comprometimento com uma cadeia de valor mais ética, transparente e sustentável.
Além dos treinamentos, a aplicação de protocolos reconhecidos internacionalmente tem ganhado espaço como forma de garantir mais transparência e conformidade às operações. Auditorias técnicas, monitoramento por câmeras e certificações alinhadas a padrões globais ajudam empresas e produtores a atender às exigências de mercados internacionais cada vez mais atentos ao tema. Na Minerva Foods, 100% das unidades industriais de bovinos são certificadas em Bem-Estar Animal, e alcançamos 99,84% de conformidade nessas auditorias, com base no protocolo NAMI (North America Meat Institute).
Na fazenda, certificações específicas como o GAP (Global Animal Partnership) e o Welfair trazem um diferencial na forma de produção dos animais, com garantia de respeito aos quatro domínios do bem-estar animal: boa alimentação, bom alojamento, boa saúde e comportamento apropriado, sendo essa verificação in loco também chancelada por uma certificadora de terceira parte. Na produção orgânica, a garantia de rastreabilidade de origem, a ausência de antibióticos e hormônios e o atendimento a altos níveis de indicadores de bem-estar animal também se destacam como diferenciais. A produção certificada como orgânica representou, na Minerva Foods, 12,6% da produção total da Companhia.
Em resumo, o bem-estar animal está diretamente conectado à sustentabilidade e à competitividade da pecuária brasileira. Mais do que atender a exigências regulatórias, precisamos seguir investindo na qualificação das pessoas, nos diferenciais das formas de produção e em chancelas externas para promover, assim, o fortalecimento da cadeia produtiva, agregar valor à produção e preparar o setor para os desafios do futuro. A Minerva Foods está pronta para liderar esse movimento.
Tâmara Borges, Gerente Global de Bem-Estar Animal da Minerva Foods
Fonte: Minerva Foods
◄ Leia outros artigos