Publicado em: 27/03/2026 às 12:00hs
O mercado brasileiro de proteínas animais apresentou movimentos distintos nas últimas semanas. Enquanto a produção recorde de carne de frango ampliou a oferta e pressionou os preços, o setor de ovos registrou recuo nas cotações com a perda de força da demanda na segunda metade de março. Apesar disso, a expectativa é de recuperação para ambos os segmentos no curto prazo.
O setor avícola nacional alcançou um novo marco em 2025, com produção recorde de carne de frango. Segundo dados do IBGE, o volume totalizou 14,3 milhões de toneladas, crescimento de 4,2% em relação a 2024 — o maior avanço anual desde 2021.
No quarto trimestre, a produção atingiu 3,65 milhões de toneladas, o maior resultado já registrado para o período na série histórica. O desempenho representa alta de 1,5% frente ao trimestre anterior e de expressivos 8% na comparação com o mesmo intervalo de 2024.
De acordo com pesquisadores do Cepea, o forte ritmo de produção elevou a oferta no mercado interno, exercendo pressão negativa sobre os preços da proteína. Mesmo com o bom desempenho das exportações, o aumento da disponibilidade doméstica foi determinante para o movimento de queda nas cotações.
Levantamentos do Cepea indicam que a disponibilidade interna de carne de frango cresceu entre dezembro e janeiro — quando atingiu recorde — recuou levemente em fevereiro e voltou a avançar em março.
Para o próximo trimestre, a expectativa é de desaceleração no ritmo de abates pela indústria, o que deve contribuir para limitar a oferta. Esse possível ajuste, combinado com o fim da Quaresma, pode favorecer uma recuperação nos preços no mercado interno.
No mercado de ovos, a reta final da Quaresma não foi suficiente para sustentar a demanda. A partir da segunda quinzena de março — período em que tradicionalmente há desaceleração no consumo — as cotações passaram a cair em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea.
Essa foi a primeira queda registrada desde o início do período religioso, em 18 de fevereiro. Ainda assim, os aumentos observados na primeira metade do mês garantem que a média parcial de março (até o dia 25) permaneça superior à de fevereiro.
Segundo agentes do mercado, embora a oferta de ovos permaneça controlada nas principais regiões produtoras, a baixa liquidez tem sido o principal fator de pressão sobre os preços.
O menor volume de negociações intensificou a busca por descontos, resultando na queda recente das cotações. Esse cenário reflete a retração momentânea da demanda, típica do período.
As perspectivas para o curto prazo são mais positivas. A expectativa do setor é de retomada das vendas já na próxima semana, com a chegada da Semana Santa — período em que o consumo de ovos tradicionalmente se intensifica.
Esse movimento pode contribuir para reaquecer o mercado e sustentar uma recuperação nos preços, alinhando-se também à possível reação nas cotações da carne de frango diante do ajuste na oferta.
A combinação de oferta elevada no mercado de frango e enfraquecimento da demanda por ovos pressionou os preços das proteínas em março. No entanto, fatores sazonais e ajustes na produção indicam um cenário de possível recuperação no curto prazo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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