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Aquicultura e Pesca

Pesca no inverno exige novas estratégias: Instituto de Pesca orienta técnicas para aumentar sucesso nas capturas

Queda da temperatura reduz metabolismo dos peixes e muda comportamento das espécies; pesquisadores recomendam pesca de precisão, uso de equipamentos adequados e atenção aos horários de maior atividade


Publicado em: 29/07/2026 às 08:00hs

Pesca no inverno exige novas estratégias: Instituto de Pesca orienta técnicas para aumentar sucesso nas capturas

Com a chegada do inverno, os pescadores precisam adaptar técnicas e estratégias para acompanhar as mudanças no comportamento dos peixes. A redução das temperaturas altera o metabolismo dos animais aquáticos, diminuindo a movimentação e a frequência alimentar de diversas espécies.

O alerta é do Instituto de Pesca (IP-APTA), ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, que destaca a importância de compreender as condições ambientais para tornar a atividade mais eficiente durante a estação fria.

Segundo pesquisadores, o inverno não impede a pesca, mas exige maior precisão na escolha dos locais, das iscas e dos horários.

Frio reduz metabolismo e altera comportamento dos peixes

Durante os meses mais frios, os peixes passam por uma redução natural do metabolismo porque sua temperatura corporal acompanha as condições da água.

Com isso, o gasto energético diminui e os animais passam a se alimentar com menor frequência, permanecendo mais tempo em áreas onde encontram temperaturas mais favoráveis.

De acordo com o pesquisador do Instituto de Pesca, Eduardo Onaka, o comportamento exige uma mudança de estratégia por parte dos pescadores.

“No inverno, os peixes economizam energia, movimentam-se menos e podem ignorar iscas apresentadas fora das condições ideais. A captura depende de encontrar o ponto certo e oferecer a isca de maneira mais lenta e precisa”, explica.

Pesca de precisão aumenta chances no inverno

Com a menor movimentação dos cardumes, a chamada pesca de precisão se torna uma das principais estratégias durante a estação.

Na prática, o pescador deve:

  • localizar áreas de concentração dos peixes;
  • apresentar a isca próxima ao fundo;
  • repetir movimentos no mesmo ponto;
  • reduzir a velocidade de trabalho das iscas artificiais.

Iscas de superfície, que dependem de maior agressividade dos peixes, costumam perder eficiência no período. Já modelos trabalhados lentamente, com pausas prolongadas, apresentam melhores resultados.

Pesca embarcada ganha importância no período frio

No inverno, muitos peixes deixam regiões rasas e buscam áreas mais profundas, onde encontram condições térmicas mais estáveis.

Por isso, a pesca de barranco pode apresentar menor produtividade, enquanto a pesca embarcada ganha vantagem.

O uso de equipamentos como sonar ajuda a identificar estruturas submersas, profundidade dos cardumes e regiões próximas à chamada termoclina — camada da água onde ocorre uma mudança rápida de temperatura em pequenas variações de profundidade.

Nesses locais, a concentração de peixes tende a ser maior.

Horário da pescaria pode fazer diferença

A escolha do momento da pesca também influencia o resultado.

Durante o inverno, os períodos entre o final da manhã e o meio da tarde costumam apresentar melhores condições, principalmente porque a incidência solar aumenta gradualmente a temperatura da água.

Esse aquecimento estimula a movimentação dos peixes e pode elevar a atividade alimentar.

Espécies mais ativas durante o inverno

Apesar da redução geral da atividade, algumas espécies apresentam maior resistência ao frio e continuam sendo boas opções para os pescadores.

Entre os peixes de água doce com maior tolerância às baixas temperaturas estão:

  • traíra;
  • dourado;
  • pacu;
  • corvina;
  • carpas;
  • jundiá;
  • pintado;
  • cachara;
  • barbado;
  • mandi.

Essas espécies conseguem manter níveis de atividade mesmo durante períodos de temperaturas mais baixas.

Litoral paulista tem aumento da pesca no inverno

Enquanto rios e lagos enfrentam redução da atividade dos peixes, o cenário no litoral do Sudeste brasileiro costuma ser diferente.

Durante o inverno, dois fenômenos naturais favorecem a presença de determinadas espécies:

  • Ressurgência marítima: Os ventos associados às frentes frias podem trazer águas profundas, mais frias e ricas em nutrientes para a superfície, aumentando a disponibilidade de alimento.
  • Migração pelo frio: Algumas espécies se deslocam de regiões mais ao Sul em direção ao Sudeste brasileiro em busca de condições favoráveis.

Entre os peixes mais esperados no inverno estão:

  • tainha;
  • anchova;
  • sororoca;
  • bonito-listrado;
  • pargo.
Instituto de Pesca recomenda cuidados com equipamentos e iscas

Com a água mais transparente no inverno, os peixes podem ficar mais desconfiados. Por isso, pequenos ajustes aumentam as chances de sucesso.

  • Use linhas mais discretas: A recomendação é utilizar líderes de fluorcarbono mais finos e longos, com pelo menos 1,5 metro, reduzindo a possibilidade de o peixe identificar a linha.
  • Trabalhe próximo ao fundo: Como muitos peixes procuram regiões profundas no período frio, o uso de iscas metálicas e equipamentos com maior peso ajuda a alcançar a profundidade adequada.
  • Diminua a velocidade das iscas artificiais: No inverno, a captura geralmente ocorre de forma mais sutil. Em vez de ataques explosivos, o pescador pode perceber apenas o aumento do peso na linha durante as pausas.
  • Aposte no estímulo pelo cheiro: O olfato dos peixes permanece ativo mesmo em temperaturas baixas. Iscas naturais com odor forte ou atrativos aplicados em iscas artificiais podem aumentar a eficiência da pescaria.
Pesca no inverno exige adaptação e conhecimento do ambiente

Para os especialistas, o sucesso durante a estação fria depende menos da quantidade de movimentação e mais da capacidade de interpretar o ambiente aquático.

Com técnicas adequadas, escolha correta dos locais e respeito às características de cada espécie, o inverno pode se transformar em uma temporada produtiva para pescadores esportivos e profissionais.

Fonte: Portal do Agronegócio

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