IFC Brasil 2026 debate futuro da tilapicultura e competitividade do pescado brasileiro
Congresso em Foz do Iguaçu reunirá especialistas, empresas e governo para discutir exportações, custos de produção, sanidade, genética, inovação, biosseguridade e seguro aquícola
Publicado em: 28/08/2026 às 13:00hs
O crescimento do consumo interno e o avanço das exportações abrem novas oportunidades para a aquicultura brasileira. Ao mesmo tempo, a intensificação da concorrência internacional aumenta a necessidade de reduzir custos, elevar a eficiência produtiva e fortalecer os controles sanitários.
Esse cenário estará no centro do Congresso Internacional de Aquicultura, uma das principais atividades do IFC Brasil 2026. O evento será realizado entre os dias 2 e 4 de setembro, em Foz do Iguaçu, no Paraná, reunindo pesquisadores, empresas, produtores, representantes do governo e especialistas do mercado de pescado.
Os debates abordarão os efeitos da nova configuração do comércio mundial sobre a cadeia aquícola e as estratégias necessárias para ampliar a participação do Brasil em um mercado cada vez mais competitivo.
Tarifas e importações aumentam pressão sobre a tilapicultura
Segundo o professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e presidente do IFC Brasil 2026, Altemir Gregolin, a exclusão do pescado brasileiro das tarifas internacionais mais elevadas e a definição de uma alíquota de 12,5% melhoraram as perspectivas comerciais para o setor.
A combinação entre crescimento das exportações e maior consumo no mercado doméstico cria um ambiente mais favorável à expansão da atividade. Em contrapartida, a abertura do mercado brasileiro para a tilápia produzida no Vietnã intensifica a concorrência e exige avanços na competitividade nacional.
“O cenário ficou mais favorável, com aumento das exportações e do consumo interno. Ao mesmo tempo, a abertura do mercado brasileiro para a tilápia do Vietnã reforça a necessidade de elevar a eficiência, reduzir custos e tornar nossa produção cada vez mais competitiva”, afirma Gregolin.
O desafio envolve toda a cadeia, desde a produção de alevinos e o fornecimento de rações até o processamento, a logística, a comercialização e o acesso aos mercados internacionais.
Consumo mundial de pescado abre espaço para o Brasil
As projeções indicam crescimento da demanda mundial por pescado nas próximas décadas. O movimento pode abrir novas oportunidades para países com disponibilidade de recursos naturais, capacidade tecnológica e experiência na produção de alimentos.
Atualmente, os países do Sudeste Asiático respondem por aproximadamente 90% da aquicultura mundial. Essas nações, entretanto, enfrentam limitações ambientais, menor disponibilidade de áreas para expansão e restrições no acesso a matérias-primas.
O Brasil reúne condições para ocupar parte desse espaço por contar com recursos hídricos, clima favorável, produção de grãos, conhecimento técnico e uma estrutura consolidada no agronegócio.
Para transformar esse potencial em crescimento efetivo, o setor precisa ampliar o acesso ao crédito, melhorar os índices produtivos e fortalecer as políticas públicas direcionadas à atividade.
Sanidade e biosseguridade ganham importância na produção
O avanço da aquicultura intensiva também amplia os riscos sanitários. Quanto maior a concentração de peixes nos sistemas produtivos, maior deve ser o controle sobre doenças, qualidade da água, movimentação de animais e protocolos de biosseguridade.
Gregolin destaca que o crescimento sustentável da atividade dependerá do fortalecimento das políticas de sanidade e da adoção de medidas preventivas em toda a cadeia.
Além de provocar perdas diretas nas propriedades, os problemas sanitários podem elevar os custos, reduzir a produtividade e limitar o acesso do pescado brasileiro a mercados mais exigentes.
Por isso, o IFC Brasil 2026 dedicará parte da programação à prevenção de doenças, resistência dos peixes, uso de probióticos e aperfeiçoamento dos sistemas de produção.
Nova ordem mundial abre programação do IFC Brasil 2026
O congresso começa em 2 de setembro com uma palestra do ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues. A apresentação analisará os impactos da nova ordem mundial sobre o agronegócio e o pescado brasileiro.
No mesmo dia, representantes da C.Vale, Bello Alimentos/Mar e Terra, Frescatto e Friocenter discutirão estratégias comerciais e as mudanças em curso no mercado de pescado.
Especialistas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) analisarão temas como:
- tarifas internacionais;
- importações de pescado;
- crescimento das exportações;
- abertura de novos mercados;
- entrada da tilápia vietnamita no Brasil;
- oportunidades comerciais para a aquicultura nacional.
A proposta é avaliar como as mudanças no comércio internacional podem afetar os produtores, as agroindústrias e os demais agentes da cadeia.
Custos e rentabilidade da tilápia entram no debate
No dia 3 de setembro, a programação abordará preços, custos de produção e rentabilidade da tilapicultura. Esses fatores são decisivos para a capacidade do pescado brasileiro de competir tanto no mercado interno quanto no exterior.
Os participantes também discutirão inovações nos sistemas produtivos, rações sustentáveis e soluções para melhorar a conversão alimentar e o desempenho dos peixes.
Outro destaque será o uso de probióticos e de tecnologias destinadas a aumentar a resistência dos animais a doenças. As alternativas podem contribuir para reduzir perdas, melhorar o aproveitamento dos insumos e elevar a segurança da produção.
Genética e seguro aquícola integram agenda
A programação de 4 de setembro será concentrada em sanidade, biosseguridade, melhoramento genético da tilápia e seguro aquícola.
O desenvolvimento de linhagens mais produtivas, resistentes e adaptadas aos diferentes sistemas de criação pode ampliar a eficiência das propriedades. A genética também pode contribuir para melhorar a conversão alimentar, a uniformidade dos lotes e o rendimento industrial.
O seguro aquícola será debatido como instrumento de proteção financeira diante de riscos sanitários, climáticos e operacionais. A ampliação desse tipo de cobertura é considerada importante para facilitar investimentos e oferecer maior previsibilidade aos produtores.
Produção de tilápia em Itaipu terá workshop internacional
Além do Congresso Internacional de Aquicultura, o IFC Brasil 2026 contará com uma série de atividades paralelas. Entre os destaques está o Workshop Brasil–Paraguai sobre Produção de Tilápia no Reservatório de Itaipu.
A agenda complementar também terá:
- Fórum Aqua 4.0;
- Simpósio Sul-Brasileiro de Bioflocos;
- seminário de capacitação para exportação de peixes de cultivo;
- workshop destinado às agroindústrias de pequeno porte;
- debates sobre inovação, processamento e acesso aos mercados.
As atividades ampliarão a integração entre produtores, pesquisadores, empresas e representantes do poder público.
Evento aproxima ciência, empresas e governo
Para a CEO do IFC Brasil 2026, Eliana Panty, a programação foi elaborada com base nos principais fatores que influenciam a rentabilidade e o futuro da aquicultura.
“Construímos uma programação conectada aos problemas que hoje determinam a rentabilidade e o futuro da aquicultura. O IFC aproxima ciência, setor produtivo e poder público para transformar conhecimento em decisões e estratégias concretas”, afirma.
A expectativa é que o evento contribua para definir estratégias de crescimento, ampliar a competitividade e preparar a cadeia brasileira para as mudanças no mercado mundial de pescado.
Com recursos naturais, disponibilidade de insumos e conhecimento acumulado na produção de alimentos, o Brasil possui condições para avançar na aquicultura. A consolidação desse potencial, porém, dependerá de investimentos, controle sanitário, inovação, acesso ao crédito e maior eficiência em todas as etapas da cadeia.
Fonte: Portal do Agronegócio
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