Publicado em: 03/06/2026 às 18:00hs
As exportações de pescados do estado do Paraná registraram forte retração no primeiro quadrimestre de 2026, com destaque para a queda na cadeia da tilápia, que vinha acumulando crescimento nos últimos anos. O recuo ocorre em meio a incertezas no comércio internacional e possíveis impactos de barreiras tarifárias no principal mercado comprador.
Segundo dados do Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o estado exportou cerca de 1,2 mil toneladas de pescados entre janeiro e abril de 2026. O volume representa queda de 54% em relação ao mesmo período de 2025.
Apesar da retração, a carne de tilápia continua sendo o principal produto da pauta exportadora da piscicultura paranaense, respondendo por mais de 86% do volume total embarcado.
O desempenho negativo interrompe uma sequência de expansão registrada nos últimos anos, quando o Paraná se consolidou como um dos principais polos de produção e exportação de tilápia do Brasil.
De acordo com o Deral, a principal hipótese para a queda está relacionada às incertezas envolvendo o impasse tarifário com os Estados Unidos, principal destino da tilápia produzida no estado.
O cenário de instabilidade pode ter levado cooperativas e empresas do setor a reduzir o ritmo de embarques, aguardando definições mais claras sobre as condições de acesso ao mercado norte-americano.
O levantamento também aponta que a forte dependência do mercado norte-americano torna a piscicultura paranaense mais vulnerável a mudanças nas regras do comércio internacional. Essa concentração pode impactar diretamente o fluxo de exportações e a previsibilidade dos embarques.
Especialistas do setor indicam que, em cadeias altamente concentradas em um único destino, oscilações regulatórias ou tarifárias tendem a gerar efeitos imediatos na estratégia comercial das empresas exportadoras.
Apesar do recuo no início de 2026, a tilápia segue como carro-chefe da piscicultura do Paraná no mercado externo. O setor mantém relevância dentro da pauta do agronegócio estadual, mas passa a enfrentar o desafio de diversificar destinos e reduzir a dependência de mercados específicos.
A tendência, segundo analistas, é que o desempenho das exportações nos próximos meses dependa da evolução das negociações comerciais e da capacidade do setor em ampliar sua presença em novos mercados internacionais.
Fonte: Portal do Agronegócio
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